Tesouros do Tempo

Tesouros do Tempo Mergulhe em Histórias ✨
Descubra as belezas e os mistérios do passado! Tesouros do tempo que encantam e fascinam: do Brasil e do mundo.
(2)

Fazendas antigas, casarões, mansões, palácios, castelos, artes e objetos que o tempo não apagou.

A narrativa apresentada descreve o chamado “surto de dança de Estrasburgo” (1518), um episódio histórico real que tem si...
30/12/2025

A narrativa apresentada descreve o chamado “surto de dança de Estrasburgo” (1518), um episódio histórico real que tem sido amplamente estudado por historiadores, médicos e sociólogos. A seguir está uma análise estruturada do fenômeno.

1. Contexto histórico

Estrasburgo, no início do século XVI, fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico e vivia um período de forte estresse social:

* Más colheitas e carestia de alimentos
* Doenças recorrentes
* Insegurança econômica
* Forte religiosidade popular, com crenças em punições divinas e santos que “castigavam” o corpo

Esse conjunto de fatores criava um ambiente psicológico coletivo propício a manifestações extremas.

2. Características do fenômeno

O evento se destacou por:

* Início aparentemente espontâneo (uma única mulher começa a dançar compulsivamente)
* Rápida propagação social (centenas de pessoas aderem ao comportamento)
* Persistência por dias ou semanas
* Incapacidade dos participantes de interromper voluntariamente o movimento
* Consequências físicas graves, compatíveis com exaustão extrema

Isso indica que não se tratava de uma simples festa popular ou ritual voluntário, mas de um comportamento involuntário, compulsivo e socialmente contagioso.

3. Principais hipóteses explicativas

3.1 Histeria coletiva (transtorno psicogênico de massa)

É a explicação hoje mais aceita. Consiste em:

* Um distúrbio psicossocial em que sintomas físicos reais surgem a partir de estresse, medo e sugestão coletiva
* Os participantes não “simulavam”; os sintomas eram vividos como reais
* O comportamento se espalha por imitação, crença e expectativa social

Nesse caso, a dança funcionaria como uma válvula de escape somática para uma população sob intensa pressão psicológica.

3.2 Intoxicação por ergot (fungo do centeio)

O ergot é um fungo que pode contaminar grãos e produzir substâncias com efeitos neurológicos. A hipótese sugere:

* Alterações motoras e perceptivas poderiam ter levado a movimentos involuntários
* Contudo, a duração prolongada e o padrão organizado de contágio social são pouco compatíveis com intoxicação alimentar clássica
* Por isso, hoje essa hipótese é considerada secundária

4. Significado histórico e científico

O episódio é relevante porque:

* Mostra o impacto do estresse coletivo sobre o corpo humano
* Antecede em séculos o conceito moderno de transtornos psicossomáticos
* Demonstra como crenças culturais moldam a forma que o sofrimento psicológico assume

Em termos modernos, pode ser entendido como um dos primeiros grandes registros de transtorno psicogênico coletivo documentado.

5. Conclusão

A história não é apenas “estranha”; ela é um exemplo extremo de como fatores sociais, culturais e emocionais podem produzir sintomas físicos reais e organizados em larga escala. O surto de dança de Estrasburgo é, portanto, um caso emblemático da interseção entre psicologia, cultura e história, e permanece relevante para compreender fenômenos coletivos contemporâneos.

📜 Fazenda Ribeirão Claro – Um Patrimônio do Século XIX.Localizada no município de Barra Mansa (RJ), a Fazenda Ribeirão C...
20/12/2025

📜 Fazenda Ribeirão Claro – Um Patrimônio do Século XIX.

Localizada no município de Barra Mansa (RJ), a Fazenda Ribeirão Claro é um importante testemunho da história do Vale do Paraíba Fluminense. Suas origens remontam a 1814, quando as terras foram concedidas em forma de sesmaria ao capitão Domingos Antônio Ribeiro, às margens do Ribeirão Claro, afluente do Rio Turvo .

Poucos anos depois, em 1816, a propriedade passou para João Crisóstomo de Vargas, natural de São João del-Rei (MG), considerado o verdadeiro fundador da fazenda. Foi sob sua liderança que a casa-sede foi construída em 1845, marco registrado até hoje no portão principal da propriedade .

Durante o século XIX, a fazenda destacou-se como importante unidade cafeeira, integrada ao ciclo econômico que moldou a região. João Crisóstomo de Vargas teve papel relevante na formação da localidade de Nossa Senhora do Amparo e colaborou na construção de sua Igreja Matriz, consolidando sua projeção social e histórica .

A imponente casa-sede, implantada sobre um platô artificial, conserva até hoje suas características arquitetônicas originais, como o porão alto, janelas de guilhotina, estrutura em taipa de pilão e um singular altar em sua capela interna. O antigo terreiro de café, hoje um amplo gramado, ainda revela a memória do trabalho que sustentou gerações .

Atualmente pertencente aos descendentes da família fundadora, a Fazenda Ribeirão Claro permanece como um valioso patrimônio histórico, preservando não apenas sua arquitetura, mas também as histórias e vivências que ajudaram a construir a identidade do Vale do Paraíba.

🏡✨ Preservar é manter viva a nossa história.

Entre as montanhas de Petrópolis, no Vale das Videiras, a Antiga Fazenda Ribeirão guarda a atmosfera das antigas casas r...
13/12/2025

Entre as montanhas de Petrópolis, no Vale das Videiras, a Antiga Fazenda Ribeirão guarda a atmosfera das antigas casas rurais que marcaram a ocupação e o trabalho no interior fluminense. Em 2009, suas linhas em “L”, o porão que sustentava o pavimento principal e a implantação voltada para o vale ainda evidenciavam a lógica das fazendas tradicionais: funcionalidade, abrigo e domínio visual sobre o terreno. O caminho de chegada, cruzando o rio Fagundes e conduzindo até a casa-sede em leve elevação, compunha um cenário de rara integridade paisagística, onde a arquitetura e a natureza se completam.

As intervenções registradas ao longo do tempo, como a alteração da cobertura e adaptações internas e externas, revelam uma história de permanência e atualização do uso, sem apagar completamente os vestígios materiais mais antigos, perceptíveis em elementos estruturais, ferragens e detalhes preservados. Entre memórias locais de usos produtivos e a vocação contemporânea de lazer e acolhimento, a Fazenda Ribeirão permanece como testemunho sensível de um modo de vida que ajudou a formar a paisagem cultural do Vale do Paraíba Fluminense.

Se você valoriza lugares que atravessam gerações e ainda contam histórias em silêncio, acompanhe Tesouros do Tempo para descobrir outros patrimônios que resistem no Brasil e no Mundo.

12/12/2025

Erguida no século XIX (c. 1808), a Fazenda Águas Claras guarda, em São José do Vale do Rio Preto (RJ), a memória viva dos primeiros desbravamentos dos sertões do Rio Preto e do ciclo do café.

Suas origens remontam à sesmaria requerida em 1803 por João de Souza Furtado; em 1823, as terras foram vendidas ao padre Luiz Gonçalves Dias Corrêas, já com sinais de uma sede e construções que desenhavam o cotidiano da propriedade.

Depois, em 1843, a fazenda passa ao comendador Guilherme Francisco Rodrigues Franco e segue para seu genro Domingos de Souza Leite, até chegar a Guilherme de Souza Leite, agraciado por D. Pedro II com o título de barão de Águas Claras, e que recebeu o imperador por um mês na própria fazenda, deixando um raro registro iconográfico da visita.

Entre feitos e pioneirismos, Águas Claras também entrou para a história por abrigar o primeiro telefone de interior do país, conectando fazendas vizinhas; mais tarde, a partir de 1966, o que restou da propriedade foi vendido a terceiros e, em 1972, o casal Andrade de Carvalho promoveu melhorias e novas instalações.

Se essas paredes brancas e esquadrias azuis ainda evocam um tempo em que caminhos, tropas e café costuravam destinos, vale acompanhar outras lembranças preservadas: siga Tesouros do Tempo.

Interior do Pavilhão Gruta, ou “Gruta do Amanhecer”, no Parque Catarina, em São Petersburgo. Construído entre 1749 e 176...
11/12/2025

Interior do Pavilhão Gruta, ou “Gruta do Amanhecer”, no Parque Catarina, em São Petersburgo. Construído entre 1749 e 1761 segundo o projeto de Bartolomeo Rastrelli, o pavilhão exibe portões e janelas em ferro forjado, colunas clássicas e piso em xadrez, onde a luz do sol desenha intrincados padrões enquanto se abre para o grande lago do parque.

10/12/2025

Antiga Fazenda Água Quente, erguida nas primeiras décadas do século XIX em Euclidelândia, distrito de Cantagalo–RJ, nasceu com colonos suíços e prosperou no auge do café sob o barão de Nova Friburgo, entre terreiros, senzala e a casa-sede de traços neoclássicos que hoje resiste em ruínas. Cada parede descascada guarda ecos de escravos, fazendeiros e caminhos de tropa que o tempo quase apagou… Se essa viagem pelo passado emociona você, siga Tesouros do Tempo para descobrir outras histórias que o Brasil insiste em esquecer.

Antiga Fazenda Riachuelo, em Duas Barras, às margens da RJ-116, após Monnerat. Um conjunto do século XIX ligado ao café ...
06/12/2025

Antiga Fazenda Riachuelo, em Duas Barras, às margens da RJ-116, após Monnerat. Um conjunto do século XIX ligado ao café e à cana, com terreiro, tulha, engenho, paiol e antiga senzala usada como sede. No inventário de 2010, os maiores riscos vinham das cheias do córrego, afetando principalmente engenho e tulha. Um pedaço vivo da história rural fluminense. Se curte memória rural e fazendas históricas do RJ, acompanhe Tesouros do Tempo.

06/12/2025

Em 1920, a Estação Mogiana de Passos-MG era mais que um prédio: era encontro, despedida, trabalho e sonho sobre trilhos.

De uma foto preto e branco, marcada por arranhões, manchas e pelo tempo, nasce agora uma animação gerada via IA, trazendo movimento, atmosfera e detalhes capazes de reacender memórias em quem viveu… e encantar quem só conheceu essa história pelos relatos.

Porque quando a imagem volta a respirar, a cidade também lembra quem foi.

🚂✨ Passos-MG | Estação Mogiana | 1920

04/12/2025

Passos-MG, do tempo do preto e branco ao brilho das cores. 🌅

Cada foto deste vídeo nasceu marcada pelo tempo: manchas, riscos, dobras, o foco perdido… memórias quase apagadas. Hoje, com a ajuda da inteligência artificial, elas renascem com até 90% de fidelidade, cheias de vida, detalhes e emoções que pareciam esquecidas.

Das ruas de terra às primeiras praças, dos casarões aos olhares que já se foram, cada slide é um pedaço da nossa história voltando a respirar. E, ao som da viola, também criada por IA, o passado e o futuro se encontram em perfeita harmonia.

Que essas imagens toquem seu coração e façam você sentir saudade até do que não viveu. 💛📸

Antiga Fazenda Recreio: herança cafeeira do século XIX e núcleo da pecuária leiteira moderna às margens da RJ-186, em Sã...
04/12/2025

Antiga Fazenda Recreio: herança cafeeira do século XIX e núcleo da pecuária leiteira moderna às margens da RJ-186, em São José de Ubá, Rio de Janeiro.

1. Situação e ambiência

A Fazenda Recreio localiza-se na zona rural de São José de Ubá, às margens da rodovia RJ-186, logo após a sede municipal no sentido de Itaperuna. O conjunto principal se implanta em área relativamente plana no centro da propriedade, emoldurado por morros e pela malha de estradas vicinais que ligam o vale ao povoado de Toiama e ao centro urbano de São José de Ubá.

O acesso à casa-sede é feito por um caminho em declive, calçado com pedras e ladeado por coqueiros, que conduz a um pequeno patamar onde se organiza o núcleo histórico: casa-sede, casa de colono, curral, paiol e outras dependências rurais. A fazenda conserva um marcado caráter de paisagem produtiva: pastagens, áreas de horticultura e instalações ligadas à criação de gado convivem com pomares e pequenos reflorestamentos.

Um traço forte da ambiência descrita no relatório é a preservação de espécies frutíferas tradicionais da região, muitas já raras em outros contextos rurais. São citados exemplares de cambucá, araçá, abiu roxo, jaqueiras, jabuticabeiras, goiabeiras, laranjeiras e macieiras. Destacam-se também a siriguela e o jaracatiá (jaracatiá spinoza), conhecido na região como mamãozinho, mamão do mato ou barrigudo, árvore valorizada tanto pelos frutos quanto pelo potencial ornamental e paisagístico.

Além dessas árvores, os proprietários promoviam, à época do inventário, o reflorestamento de encostas com eucaliptos e frutíferas, tanto para recompor a cobertura vegetal como para fornecer sombra ao gado. Assim, a ambiência da Fazenda Recreio em 2010 é a de uma antiga propriedade cafeeira adaptada à pecuária leiteira, mas que preserva a estrutura de fazenda histórica e uma borda verde composta por pomares, matas pontuais e pastos, em clara continuidade com a paisagem rural tradicional da região.

2. Descrição arquitetônica

A casa-sede apresenta as características típicas da arquitetura rural colonial brasileira do século XIX: robustez, despojamento formal e simplicidade construtiva. Assenta-se sobre porão alto e habitável, o que indica um uso original ligado ao beneficiamento da produção agrícola (como engenho ou depósitos), ao mesmo tempo em que protege a construção da umidade do solo e valoriza a implantação no terreno.

O volume principal é coberto por telhado de quatro águas, arrematado por beiral forrado, ao qual se soma um pequeno acréscimo lateral com telhado de meia-água, resultado de adaptações posteriores às necessidades de uso. A fachada principal, de composição simétrica, é marcada por sequência de janelas e porta central, com esquadrias de madeira de desenho simples, e portas internas do tipo ensilhadas, algumas com o mesmo repertório ornamental observado em edificações urbanas de fins do século XIX.

A estrutura construtiva tradicional é de pau a pique ou taipa de mão: um trançado de varas de madeira disposto em sebe, preenchido com barro, formando paredes espessas. Os frechais apresentam orifícios e marcas que permitem identificar esse sistema, que ainda preserva parte de sua integridade. A cobertura utiliza telhas cerâmicas do tipo capa e canal, deixando trechos aparentes e, em alguns pontos, formando um “telhado vã” com beiral encachorrado.

Um dos elementos mais marcantes é a varanda em “L” que envolve parte da casa. Ela funciona como espaço de transição entre interior e exterior e, no cotidiano descrito no relatório, como área de estar e lazer, valorizada pela vista para o entorno e pela ventilação. Essa varanda possui piso de tábuas corridas de madeira e guarda-corpo de réguas vazadas, apoiado em colunas de madeira chanfradas que sustentam a cobertura.

No interior, o piso é predominantemente de madeira, com salas de visitas e de jantar, dormitórios e circulação articulados de forma linear. A presença de um lavabo com espelho fixado à parede e um porta-toalhas indica um grau de modernização do conforto da casa, aproximando certas práticas da casa rural às residências urbanas do interior ao longo do século XX. O mobiliário mencionado inclui conjuntos com trabalhos de marchetaria, lustres e peças de louça inglesa com flores em relevo, que revelam o gosto decorativo dos proprietários e o nível de distinção social associado à fazenda.

Nos fundos da casa-sede, como era comum nas fazendas antigas, situa-se uma grande cozinha, provavelmente construída posteriormente ao corpo principal. Uma escada na fachada posterior leva a um nível inferior, onde dois cômodos são usados como depósitos, enquanto a área restante é aberta e integrada aos espaços de lazer contemporâneos, com churrasqueira e sauna. Toda essa área apoia-se em pilares de madeira e alvenaria de tijolos maciços, formando uma espécie de galpão sob a cozinha.

Entre as construções originais remanescentes, destaca-se o paiol ou tulha, edificação de madeira combinada com alvenaria de tijolos, com função de depósito de produtos agrícolas e insumos diversos. Esse elemento confirma a vocação produtiva histórica da fazenda e completa o conjunto de edifícios rurais tradicionais ainda presentes na propriedade.

3. Estado de conservação da fazenda em 2010

O relatório de 2010 registra que os proprietários tinham como objetivo realizar um trabalho minucioso de restauração, com orientação técnica especializada, para devolver à casa-sede e às demais edificações suas características originais, compatibilizando preservação patrimonial e uso residencial contemporâneo.

Entre 2006 e 2007, a casa-sede passou por uma reforma voltada principalmente à manutenção da habitabilidade e à estabilização estrutural. O forro original foi, em grande parte, preservado. Na cozinha, o piso de ladrilho hidráulico foi substituído por revestimento cerâmico, alteração funcional, mas que modifica um elemento de época. Também foi realizada prospecção em paredes internas, especialmente na sala principal, com o intuito de identificar as cores originais utilizadas no acabamento.

Do ponto de vista estrutural, algumas intervenções emergenciais já haviam sido executadas. Os pilares de madeira que apoiam a parte posterior da casa tiveram suas bases protegidas com concreto, para reduzir o apodrecimento causado pela umidade. Em pontos críticos, foram instalados cabos de aço atravessando ou amarrando paredes, com o objetivo de conter movimentações e fissuras e estabilizar o conjunto estruturado em taipa.

O paiol, em particular, encontrava-se em situação delicada. O relatório menciona que uma grande carreta colidiu com a construção, comprometendo sua estabilidade. Na tentativa de preservá-lo, os proprietários reforçaram os apoios com peças adicionais de madeira e também recorreram ao uso de cabos de aço para travamento, medida paliativa que, embora não substitua uma restauração completa, impediu a perda imediata da edificação.

Em síntese, em 2010 a Fazenda Recreio mantinha a integridade volumétrica e a maior parte de seus elementos arquitetônicos originais, mas já demandava um projeto de restauração mais abrangente, capaz de reverter adaptações pouco cuidadosas, tratar patologias estruturais e valorizar o conjunto como patrimônio histórico rural, sem comprometer sua utilização como fazenda produtiva e moradia.

4. Histórico da Fazenda Recreio

O relatório situa a história da Fazenda Recreio dentro da formação do distrito de São José de Ubá e da própria fronteira cafeeira do norte fluminense. O distrito de São José de Ubá foi criado em 1892. Antes, a localidade era conhecida como Rancho dos Ubás, por ser pouso de tropeiros vindos em sua maioria de Minas Gerais. O nome atual resulta da junção do padroeiro São José com “Ubá”, termo de origem tupi relacionado a uma planta nativa utilizada na confecção de cestos, revelando a forte presença indígena e cabocla na toponímia local.

Ao longo da primeira metade do século XX, a região integrou-se ao ciclo do café, desmembrando-se de antigos núcleos como Cambuci. Grandes e médias propriedades foram abertas em áreas antes ocupadas por aldeamentos indígenas e pequenas posses, formando um mosaico de fazendas cafeeiras e unidades de criação de gado. Nesse contexto, a área que viria a constituir a Fazenda Recreio fez parte de um processo de partilha e doação de terras dentro de famílias locais, até se consolidar como unidade autônoma, ligada à família Carvalho.

Segundo registros familiares, Joaquim Ribeiro de Carvalho foi o proprietário que deu à fazenda o perfil agropecuário que a caracterizaria ao longo do século XX. Ele manteve a cafeicultura herdada do ciclo anterior e investiu também na criação de gado. O relatório destaca que Joaquim foi um dos pioneiros na região no uso sistemático de inseminação artificial, prática que ele já adotava há mais de cinquenta anos, importando touros holandeses da Argentina para melhorar seu rebanho, fato que vincula a história da fazenda às primeiras experiências de melhoramento genético bovino no interior fluminense.

A partir de 1964, com a reorganização patrimonial da família, formou-se um condomínio entre seus filhos, e a gestão da Fazenda Recreio passou a ser exercida, sobretudo, por José, Roberto, Nelson e Joaquim de Oliveira Carvalho Júnior, o “Quincão”. Nesse período, a propriedade especializou-se em pecuária de corte e horticultura, acompanhando a desaceleração do café e a crescente importância da produção de alimentos e carne para o abastecimento regional.

Com o falecimento de Joaquim Ribeiro de Carvalho, o condomínio foi extinto e a Fazenda Recreio coube, por herança, à filha caçula, Ana Maria de Carvalho Laurindo. Posteriormente, sua filha, a agrônoma Mila de Carvalho Laurindo e Campos, assumiu a administração da fazenda em 1994. O relatório ressalta que Mila deixou Minas Gerais para se fixar em São José de Ubá, dando continuidade e novo rumo ao trabalho iniciado pelo avô.

No início de sua gestão, a fazenda mantinha foco principal em gado de corte e produzia menos de cem litros de leite por dia, em uma região com pouca tradição leiteira. A partir de uma decisão estratégica, Mila passou a direcionar a propriedade para a pecuária leiteira especializada, investindo na formação de um rebanho das raças Girolando e Gir. Paralelamente, aproveitou políticas públicas e programas locais voltados ao incentivo da produção de leite, adaptando as instalações e a base forrageira da fazenda ao novo perfil produtivo.

Na virada dos anos 2000, a Fazenda Recreio já vinha se consolidando como referência em melhoramento genético de gado leiteiro, integrando rebanhos colaboradores em programas de controle leiteiro e te**es de progênie coordenados pela Embrapa Gado de Leite e pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Esses programas utilizam dados de produção e genealogia para avaliar reprodutores, e a participação da Fazenda Recreio reforça sua posição como propriedade tecnificada e protagonista no desenvolvimento da raça Girolando no estado do Rio de Janeiro.

Assim, a trajetória histórica da Fazenda Recreio articula três tempos: o da fazenda cafeeira oitocentista na fronteira agrícola do norte fluminense; o da transição para pecuária de corte e horticultura na metade do século XX; e o da especialização em pecuária leiteira de alta tecnologia, com papel relevante em programas de melhoramento genético, sem perder a antiga casa-sede e o conjunto de edificações que testemunham o passado rural da região.

Créditos

Síntese elaborada a partir do Relatório INEPAC (Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense), com levantamentos realizados entre 2007 e 2010.

Informações recentes sobre a Fazenda Recreio (pós-2010)

As pesquisas em fontes abertas indicam que a Fazenda Recreio permanece ativa em São José de Ubá como referência em pecuária leiteira de raças Gir e Girolando e mantém forte presença pública e digital.

A fazenda possui página própria em redes sociais, onde se apresenta explicitamente como criatório das raças Gir e Girolando, com milhares de seguidores e divulgação permanente de animais, leilões e resultados de pista.
https://www.facebook.com/p/Fazenda-Recreio-100054408313708/

Material institucional de empresas de assessoria em leilões registra que Mila de Carvalho Laurindo e Campos está à frente da Fazenda Recreio há cerca de duas décadas e que a propriedade já conquistou, em anos como 2013 e 2014, títulos de “melhor criador” em eventos da raça, reforçando a continuidade e o sucesso do trabalho iniciado na década de 1990.
https://q2assessoria.com.br/imagens/arquivos/arquivo1157.pdf

Relatórios técnicos e sumários da Embrapa Gado de Leite e da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando continuam listando a Fazenda Recreio, em São José de Ubá, como rebanho colaborador em programas de melhoramento genético e controle leiteiro, com animais registrados e avaliados em te**es de progênie até pelo menos 2022.

Notícias regionais sobre exposições e torneios leiteiros, como a Expoleite das Montanhas, mostram vacas e novilhas da Fazenda Recreio obtendo diversas premiações em diferentes categorias, o que confirma a reputação do plantel no circuito de exposições e leilões especializados em gado leiteiro de alto desempenho.

Além disso, guias comerciais e diretórios locais confirmam a localização atual da fazenda na RJ-186, Km 67, zona rural de São José de Ubá, com telefone de contato ativo, corroborando a continuidade da atividade agropecuária e a permanência da Fazenda Recreio como unidade produtiva e ponto de referência na rodovia que liga São José de Ubá a Itaperuna.

Por fim, publicações recentes em redes sociais indicam a realização de leilões próprios, como o 7º Leilão Fazenda Recreio em 2024, em parceria com empresas de assessoria em leilões, o que demonstra um nível consolidado de organização comercial, venda de genética e inserção da fazenda no mercado nacional de gado leiteiro especializado.

Fazenda das Ninfas, zona rural de Passos (MG), em 1945.Uma das propriedades mais antigas da região, surgiu ainda no fim ...
30/11/2025

Fazenda das Ninfas, zona rural de Passos (MG), em 1945.
Uma das propriedades mais antigas da região, surgiu ainda no fim do século XVIII, nas cabeceiras do Ribeirão Bocaina, então conhecida como Fazenda do Ribeirão das Ninfas. Seu casarão de paredes de adobe caiadas e telhado de barro, cercado por currais e roças, é testemunha silenciosa da formação do município, do ciclo do gado e da vida simples nos “Campos” de Passos.

Hoje, lembrar da Fazenda das Ninfas é também preservar a memória das primeiras famílias que desbravaram essas terras e ajudaram a escrever a história do Sudoeste de Minas Gerais.

Endereço

Passos, MG

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Tesouros do Tempo posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Compartilhar

SOSEstudante.com

O SOSEstudante.com oferece uma ampla gama de conteúdo voltado aos estudantes. No site você encontrará tudo o que precisa para aliar o poder do computador e da Internet aos seus estudos. - Livros completos de vários estilos e autores. - Mais de 600 resumos de livros. - Mais de 1.500 referências para trabalhos escolares. - Guia de profissões. - Classificados Estudantil. - Área do Autor para você publicar seus resumos e matérias. - E muito mais... Viste: www.sosestudante.com