20/05/2026
Recursos de Guerra estão disponíveis, mas Prefeitura não apresenta projetos e vereadores citam possível boicote em Pato Branco
Vereadores cobram explicações da gestão Géri Dutra sobre recursos articulados pelo deputado estadual Luiz Fernando Guerra Filho que, segundo falas em plenário, estariam disponíveis, mas ainda dependem de projetos da Prefeitura para sair do papel.
A discussão sobre recursos destinados a Pato Branco ganhou força na Câmara Municipal após vereadores cobrarem publicamente a gestão Géri Dutra pela falta de encaminhamento de projetos necessários para viabilizar obras, reformas e investimentos já articulados junto ao Estado.
Segundo os vereadores Rafael Foss e Chopim, diversos recursos destinados ou encaminhados pelo deputado estadual Luiz Fernando Guerra Filho estariam disponíveis, mas não avançam porque a Prefeitura ainda não teria feito a parte que cabe ao Executivo: elaborar, protocolar e dar andamento aos projetos técnicos exigidos para que os valores possam ser aplicados no município.
O ponto central da cobrança é a divisão de responsabilidades. Um deputado pode articular recursos, indicar emendas, abrir prioridades junto ao Governo do Estado e viabilizar politicamente os investimentos. No entanto, depois disso, cabe à Prefeitura transformar a verba em obra concreta, por meio de projetos, documentos, licitações, contratos e execução.
Na prática, se o projeto não é apresentado pelo Executivo, o recurso não chega até a população. É justamente isso que os vereadores dizem estar acontecendo em Pato Branco.
De acordo com as falas registradas na Câmara, o problema não estaria mais na falta de recurso, mas na falta de encaminhamento por parte da administração municipal. A crítica ganhou peso porque, segundo os vereadores, a gestão estaria demonstrando agilidade em agendas e anúncios com deputados de outras regiões, enquanto recursos articulados por Guerra, parlamentar diretamente ligado a Pato Branco, não estariam recebendo o mesmo tratamento.
O vereador Chopim foi um dos que fez a cobrança de forma mais técnica. Ele afirmou que há recursos disponíveis e prioridades abertas junto à Secretaria das Cidades, mas que a Prefeitura de Pato Branco ainda não teria encaminhado os projetos necessários. Entre os exemplos citados estão reformas de escolas, melhorias na Arena Cláudio Petrycoski, investimentos no Estádio Os Pioneiros e reforma do Céu das Artes.
Segundo Chopim, foram citados recursos para a reforma da Escola do Cachoeirinha, Escola Josefa Fraron e Escola Vila Isabel. O vereador também mencionou R$ 1 milhão para aquisição de cadeiras para a Arena Cláudio Petrycoski e mais de R$ 4 milhões para investimentos no Estádio Os Pioneiros. A cobrança feita por ele foi direta: se o recurso está disponível, onde estão os projetos da Prefeitura?
A fala desloca a responsabilidade para a etapa municipal. Ou seja, se o deputado já articulou os recursos e abriu caminho junto ao Estado, a continuidade depende da Prefeitura. Sem projeto, não há obra. Sem protocolo, não há liberação. Sem planejamento, a população f**a sem o benefício.
O vereador Rafael Foss também subiu o tom contra a gestão Géri Dutra. Segundo ele, o prefeito estaria mais preocupado em aparecer nas redes sociais, repetir o discurso de que recebeu a Prefeitura endividada e prestigiar deputados que não conhecem a realidade de Pato Branco do que em dar andamento a projetos já existentes para o município.
Foss questionou por que a administração municipal não estaria dando a mesma importância aos projetos ligados ao deputado Guerra. Para o vereador, existe uma contradição entre a divulgação de novos anúncios e a falta de avanço em recursos que já poderiam estar sendo encaminhados em benefício da cidade.
A suspeita de possível boicote surge justamente desse contraste político. Os vereadores não afirmam de forma definitiva que há boicote, mas levantam a dúvida diante da diferença de tratamento apontada nas falas em plenário. Se a demora não tem motivação política, cabe à Prefeitura apresentar os motivos técnicos, os prazos e a situação atual de cada projeto.
Entre as demandas citadas estão reformas em escolas, melhorias na Arena Cláudio Petrycoski, investimentos no Estádio Os Pioneiros, reforma do Céu das Artes, a Praça do Autismo e questões relacionadas às creches. São áreas diferentes, mas com um ponto em comum: todas dependem de ação administrativa da Prefeitura para avançar.
A cobrança também expõe uma dúvida maior sobre a capacidade de execução da atual gestão. Recentemente, a Prefeitura participou de anúncios envolvendo um pacote expressivo de investimentos para Pato Branco. No entanto, vereadores passaram a questionar como a administração pretende executar grandes volumes de recursos se, segundo eles, projetos menores e já articulados ainda não teriam sido encaminhados.
Anúncio não é entrega. Para que qualquer recurso público vire obra, é necessário projeto técnico, documentação correta, licitação, fiscalização, contrato e execução. Quando uma dessas etapas trava, quem perde não é o deputado, nem o vereador, nem o prefeito. Quem perde é a população.
Diante das falas feitas na Câmara, a Prefeitura de Pato Branco precisa explicar em que fase estão os projetos mencionados pelos vereadores. A administração deve esclarecer se os projetos foram elaborados, se estão em análise, se já foram protocolados, se dependem de documentação ou se existe algum entrave técnico que justifique a demora.
Até que essas informações sejam apresentadas de forma clara, permanece a cobrança: se os recursos estão disponíveis e o deputado já fez sua parte, por que a Prefeitura ainda não tirou esses projetos do papel?
Sudoeste em Foco – Informação com responsabilidade.