01/12/2020
RIO GRANDE ANTIGO
O BENZEDOR DO TEMPORAL.
Lá prá banda do oriente, armação se pronuncia, nuvens cinzas se juntam, devem estar tramando um temporal. Logo o vento amigo avisa, derrubando o que está solto, folhas soltas dançam aflitas e as galinhas no terreiro se alvoroçam.
O gado que conhece a natureza, logo avisa num mugido, cavalos levantam o pescoço e se juntam no prenuncio. Passarada vai pró leste.
De repente uma barra negra se arma lá no oeste, tudo escurece e vem o vento ignorante levando tudo por diante, em tufões tapeando as árvores que curvam mas não se entregam e o cheiro de terra molhada logo avisa que vem chuva forte, Quirino o capataz estendo o olhar no horizonte e vê a barra medonha como uma muralha que avança, grita prá peonada:
- Vem tormenta e é das brabas.
Seu Pedro velho peão, vai logo pegar o machado, corre e vai fazendo sinais em forma de cruz, recita uma conjuração em forma de oração, levanta o machado e com força crava ele no chão, pedindo com devoção na sua crença maior:
- Maria Mãe de Jesus, nosso senhor Salvador, faça a tormenta furiosa, ser uma chuva mansa, que caia em abundância, mas nos livre dessa tormenta, que ela passe por cima de nossa gente, é um pedido urgente desse humilde vivente. - (repetiu três vezes)
Logo cai a água abençoada, derramando do céu uma chuva torrencial, que deixam os campos verdinhos e que transborda os riachos, que leva os lambaris da sanga, mas trás outros de outras bandas, trovões, relâmpagos, terra lavada e logo a chuva amansa.
Depois se ouve os gritos dos quero-queros, barreiros dão sinal: lá se foi o temporal, lá no fundo numa nesga de nuvem, o sol lança um brasço de luz dizendo que tudo passou.
Todos olham para o velho Pedro e dizem:
-Foste tu que amansaste o TEMPORAL
Pedro repondeu:
- não fui eu, foi o machado,
Fonte: Prof. Beraldo Lopes Figueiredo.
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