07/08/2026
Super El Niño pode aumentar risco de vendavais e eventos climáticos extremos no Brasil
O El Niño, fenômeno causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, apresenta sinais de fortalecimento e pode atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. Segundo o CPC, da NOAA, há 81% de probabilidade de que o fenômeno alcance essa intensidade.
De acordo com o engenheiro ambiental e professor da Estácio Robson Costa, o El Niño não provoca diretamente tempestades e tornados, mas altera a circulação atmosférica e favorece condições para a ocorrência de eventos severos. O fenômeno pode intensificar sistemas meteorológicos e aumentar os riscos, principalmente na Região Sul.
Os recentes vendavais registrados em São Paulo e no Rio de Janeiro foram associados ao encontro de uma massa de ar quente e seco com uma frente fria vinda do Sul. Esse contraste pode favorecer a formação de frentes de rajada e, em períodos de El Niño, contribuir para o desenvolvimento de linhas de instabilidade, chuvas fortes e rajadas de vento.
A previsão é de que os efeitos do fenômeno se tornem mais evidentes durante a primavera e o verão. Entre os possíveis impactos estão chuvas acima da média no Sul, temperaturas elevadas, ondas de calor e maior risco de incêndios florestais. A combinação entre o aquecimento do Pacífico e temperaturas elevadas no Atlântico pode intensificar ainda mais os extremos.
Embora não seja o único fator responsável pelas mudanças no tempo, o super El Niño deve influenciar o clima brasileiro nos próximos meses e pode permanecer ativo até o início de 2027. Especialistas reforçam a importância do monitoramento meteorológico, do planejamento e de medidas preventivas para reduzir riscos à população, à agricultura e ao abastecimento de água.