30/04/2026
NOTA DA COORDENAÇÃO DE PRÉ-CAMPANHA Marconi Perillo 2026
A pesquisa Quaest/Genial divulgada hoje é parte legítima do processo democrático e tem o nosso respeito como instrumento de medição da opinião pública. Mas a coordenação da pré-campanha tem o dever de oferecer ao eleitor goiano alguns pontos que precisam ser ditos com franqueza.
Primeiro, sobre o que a própria pesquisa diz quando é lida por inteiro. A pesquisa mostra um governo estadual com 84% de aprovação. E mostra, ao mesmo tempo, que 64% dos goianos querem mudança no próximo governo, sendo que 25% querem mudança total. Apenas um em cada três goianos querem que o próximo governo seja a continuação pura do atual. Esses números convivem na mesma página da pesquisa, e a leitura honesta deles é uma só. Aprovar uma gestão é uma coisa. Querer que ela se reproduza por mais quatro anos é outra. O eleitor goiano reconhece o que existe e, ao mesmo tempo, quer mais. Quer ir além.
Segundo, sobre o que o goiano disse à própria pesquisa quando perguntado sobre o tipo de governador que quer. 46% dos goianos disseram que querem um governador independente, que não seja aliado nem de Lula nem de Bolsonaro. E na mesma pesquisa, 37% identificam um dos pré-candidatos como o herdeiro político do governo atual, contra 2% que fazem essa associação com Marconi Perillo. Quando 46% pedem independência e a maior fatia da identificação com a continuidade está concentrada em um único nome, o que a pesquisa mostra é uma fenda, não uma decisão. O eleitor goiano não quer carimbo de Brasília. Quer um governador que olhe para Goiás antes de olhar para qualquer padrinho.
Terceiro, sobre o tamanho da indecisão. A própria pesquisa registra que 84% dos goianos, no voto espontâneo, ainda não escolheram em quem vão votar. E que 52% dos eleitores afirmam que sua escolha pode mudar até outubro. Quando uma pesquisa mostra esse grau de indefinição no seu próprio corpo, qualquer leitura que a transforme em sentença de urna é uma leitura tendenciosa. A pesquisa fotografa um eleitorado em formação. Não uma decisão tomada.
Quarto, sobre o calendário. Pesquisas conduzidas a seis meses da eleição fotografam um eleitorado que ainda não entrou no debate eleitoral. Institutos do mais alto reconhecimento já apresentaram, em abril, números que não se confirmaram em outubro. A própria série histórica da Quaest em Goiás mostra movimentações expressivas em poucos meses. Quem estava em primeiro deixou de estar. Quem aparecia atrás chegou na frente. Tratar uma fotografia de abril como sentença de outubro é desrespeitar a inteligência do eleitor goiano.
Quinto, sobre o próprio instituto. Aferições recentes da Quaest em Goiás, em momentos próximos entre si, apresentaram resultados sensivelmente distintos em pontos que não se explicam apenas pela passagem do tempo. Isso não é acusação. É um chamado à prudência na leitura. Pesquisa não é ferramenta de pressão sobre o eleitor. É instrumento de aferição. Quando passa a ser usada para induzir voto útil em primeiro turno, deixa de cumprir sua função democrática.
Sexto, sobre o ambiente em que essa pesquisa é divulgada. Goiás vem assistindo, há anos, a um esforço publicitário governamental de proporções inéditas no estado. Verbas oficiais movimentam, em volume expressivo, a mesma cadeia de comunicação que produz e divulga as pesquisas que hoje circulam. Essa observação não desqualifica nenhum ator do processo, e a coordenação faz questão de registrar isso. Mas é dever da coordenação alertar o eleitor goiano: o ambiente em que a opinião pública é medida importa. Pressão de máquina não é detalhe técnico. É fator de campo.
Sétimo, sobre o perfil do eleitorado goiano. Goiás é um dos estados mais conservadores do Brasil. Esse traço ideológico está consolidado em todas as séries históricas eleitorais do estado, e foi confirmado nas urnas em 2018, 2020, 2022 e 2024. É estranho, portanto, que uma fotografia da preferência eleitoral goiana de hoje não reflita com clareza essa orientação. Marconi Perillo construiu, em quatro mandatos, uma trajetória de oposição firme e consistente ao PT. Daniel Vilela, por sua vez, é quadro do MDB, partido que protagonizou alianças nacionais e estaduais com o PT em diferentes momentos da história recente. Esses são fatos públicos. O eleitor goiano os conhece, e vai pesá-los na hora certa.
Oitavo, sobre o contato direto com o eleitor. A pré-campanha de Marconi Perillo está nas ruas dos municípios goianos, em encontros, visitas, reuniões e diálogos com lideranças locais e com cidadãos comuns. O que a coordenação testemunha em cada agenda é incompatível com o índice de rejeição apresentado pela pesquisa. Há respeito, há acolhida, há reconhecimento. Pesquisa mede declaração. Rua mede vínculo. As duas coisas precisam conversar, e quando não conversam, é a pesquisa que precisa ser olhada com cuidado redobrado.
Por fim, sobre o que de fato está em jogo em 2026. O debate eleitoral goiano não é uma disputa de personagens. Não é Marconi contra Daniel. É uma decisão sobre o tamanho do futuro que Goiás vai escolher. É decidir se Goiás vai dar um novo salto de desenvolvimento ou vai aceitar parar onde está. Estradas não podem mais matar quem vai para o trabalho. Saúde pública não pode ser sorteio. Custo de vida não pode seguir asfixiando quem ganha por mês o que outros ganham por dia. O entorno do DF não pode continuar sendo tratado como periferia distante. Goiás está bom. Pode ser muito melhor.
A eleição de 2026 não vai ser decidida em abril. Vai ser decidida pelo eleitor goiano, na hora certa, depois de olhar trajetória, projeto e compromisso de cada candidatura. A coordenação confia nesse eleitor. E é a ele que continua se dirigindo.
Coordenação de Pré-Campanha Marconi Perillo 2026