Proseando-me

Proseando-me O meu coração em prosa & verso 💖✨

O cheiro da carne assada no forno começa a tomar conta da casa. Eu já terminei de esmurrar as batatas. Alho generoso, ce...
05/04/2026

O cheiro da carne assada no forno começa a tomar conta da casa. Eu já terminei de esmurrar as batatas. Alho generoso, cebola sem economia, fios de azeite escorrendo como parte do ritual. É curioso lembrar do meu pai aqui. Depois que ele se foi, batatas ao murro viraram uma forma de presença. Ele continua na memória e continua na mesa.

Aqui na cozinha da minha mãe, a Páscoa acontece antes de qualquer explicação histórica. Ela começa no cheiro, no barulho das panelas, na conversa da família atravessando de um cômodo para o outro. A gente passou a quaresma inteira segurando o hábito. Na prática, quarta e sexta sem carne. Um costume repetido com disciplina quase automática. Eu faço isso por respeito. E também porque virou rotina. O ser humano transforma repetição em verdade com uma facilidade impressionante.

Logo mais, estaremos todos reunidos em volta da mesa, prontos para fazer o que gerações antes da gente já faziam: celebrar.

Meus sobrinhos cresceram, já são adultos, mas a memória deles correndo pela casa ainda está muito viva aqui dentro. Teve um tempo em que a gente acordava mais cedo só para deixar pegadas de coelho pela casa e esconder ovos, primeiro os simples, depois os de chocolate. Eles saíam em busca desses tesouros com uma dedicação que faria qualquer explorador se sentir amador. Pequenos arqueólogos do açúcar, guiados por pistas improvisadas e pela expectativa do prêmio.

Antes deles, fui eu. Minhas irmãs organizaram esse mesmo teatro comigo. A tradição se repete com pequenas adaptações, mantendo a essência intacta. Os ovos aparecem como recompensas cuidadosamente escondidas e a história começa ali, no chocolate. Esse é o primeiro contato, a primeira camada. Toda tradição precisa de uma porta de entrada.

Enquanto escrevo, o cheiro da carne chega no ponto certo e as batatas absorvem tudo que importa. E é impossível não perceber: essa cena é antiga. Muito mais antiga do que a gente costuma imaginar.

E é daqui que a gente volta no tempo.

Muito antes de qualquer calendário cristão, lá por volta de 2.000 a.C. ou até antes, povos do Hemisfério Norte já marcavam essa época do ano como um momento de celebração. O inverno perdia força, os dias se alongavam, a terra voltava a responder. A vida reaparecia com insistência. Eles celebravam fertilidade, abundância, continuidade. O coelho já circulava como um símbolo poderoso dessa lógica natural. Um animal associado à terra, à reprodução acelerada, à ideia de vida que se multiplica com facilidade. Ele representava exatamente o que a primavera trazia: renovação em escala generosa.

Os ovos também já estavam presentes nesse cenário. Eles carregavam um significado direto: vida em potencial. Um símbolo simples e eficiente da continuidade da existência.

Por volta do século XIII a.C., com o povo hebreu, essa mesma época ganha uma narrativa histórica. Surge a Pessach, a passagem. A celebração registra a libertação da escravidão no Egito, tradicionalmente associada ao período de Moisés. A travessia do Mar Vermelho entra como um dos grandes símbolos dessa memória coletiva. O pão sem fermento guarda a pressa da fuga. As ervas amargas preservam o gosto do sofrimento vivido. A celebração vira lembrança ativa, transmitida de geração em geração.

Já no século I d.C., o cristianismo reorganiza esse mesmo eixo de significado. A ideia de passagem se expande e alcança uma dimensão espiritual. A narrativa passa a girar em torno da morte e da ressurreição de Jesus, eventos situados historicamente entre os anos 30 e 33 d.C. O cordeiro permanece como símbolo, agora com um novo sentido. A tradição ganha força e começa a se estruturar dentro das primeiras comunidades cristãs.

E esse “organizar” tem um momento bem específico.

No século IV, no ano 325 d.C., durante o Concílio de Niceia, a Igreja decidiu padronizar a celebração. A Páscoa passaria a ser comemorada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera no Hemisfério Norte. Uma escolha que mistura observação da natureza com decisão institucional. O céu e a doutrina sentando na mesma mesa.

Séculos depois, durante a Idade Média, entre os séculos V e XV, a Igreja Católica incorpora costumes populares que já existiam e atribui novos significados a eles. O ovo ganha uma leitura especialmente interessante. Durante a quaresma, o consumo de ovos era evitado, então eles eram guardados, cozidos e muitas vezes esvaziados para conservação e decoração. Quando a Páscoa chegava, esses ovos voltavam à mesa como presente. Com o tempo, esse gesto passa a carregar um simbolismo cristão muito específico: o ovo fechado representa o túmulo, e o interior vazio representa o fato central da fé cristã, o túmulo sem corpo. Vida que venceu a morte.

O coelho segue presente, agora atravessando de um sistema simbólico para outro. Ele continua sendo fertilidade, continuidade, abundância. Um animal que nasce da terra e anuncia ciclos novos. Dentro da Páscoa cristã, ele se mantém como um mensageiro indireto dessa mesma ideia: vida que insiste em aparecer.

Já no século XIX, com o avanço da confeitaria na Europa, especialmente na França e na Alemanha, surge uma novidade que muda tudo: o chocolate entra em cena. Primeiro, ovos de galinha são esvaziados e preenchidos com chocolate. Depois, surgem os ovos totalmente feitos de cacau. A tradição ganha uma nova camada. E essa camada se espalha com uma velocidade impressionante, porque poucas coisas competem com chocolate bem feito.

E aqui estamos nós.

Uma mesa sendo preparada, uma família reunida, memórias que atravessam gerações, crianças que cresceram carregando histórias que começaram muito antes delas. A gente mistura comida, afeto, costume, símbolo e história em um único momento.

A Páscoa sempre carregou essa ideia de passagem.

Passagem da escassez para a abundância.
Passagem da opressão para a liberdade.
Passagem da morte para a vida.
Passagem do passado para aquilo que a gente escolhe manter presente.

E no meio de tudo isso, entre o cheiro da carne, o sabor das batatas e as lembranças que insistem em permanecer, a gente continua fazendo a mesma coisa que aqueles povos antigos já faziam.

Feliz Páscoa pra ti 🥰🐇💐

A VIDA venceu a morte!Viva JESUS RESSUSCITOU!Aleluia 🙌✨  de     com a   e   Feliz PÁSCOA 👏👏👏Eu amo❤️‍🔥JESUS CRISTO e voc...
05/04/2026

A VIDA venceu a morte!
Viva JESUS RESSUSCITOU!
Aleluia 🙌✨
de
com a e
Feliz PÁSCOA 👏👏👏
Eu amo❤️‍🔥JESUS CRISTO e vocês?

03/04/2026

Um debate ao vivo, uma acusação direta e um termo que ainda gera dúvidas: mansplaining.

Recentemente, durante um programa da GloboNews, uma discussão entre jornalistas ganhou repercussão quando uma das participantes afirmou estar sendo alvo de “mansplaining” — expressão cada vez mais presente em debates públicos.

Mas afinal, o que isso significa?

“Mansplaining” é um termo usado para descrever situações em que um homem explica algo a uma mulher de forma excessivamente didática, condescendente ou desconsiderando o conhecimento prévio dela — muitas vezes interrompendo ou assumindo uma posição de superioridade sem fundamento técnico claro.

Importante: nem toda discordância ou explicação entre homem e mulher configura mansplaining. O conceito envolve contexto, forma, postura e dinâmica de poder na comunicação.

O episódio reacende uma discussão relevante: até que ponto estamos diante de um debate legítimo — e quando a forma de argumentar ultrapassa o conteúdo?

Assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões.

🚺

Essa eu gabaritei. E vocês, conte para nós! 😃✨
30/03/2026

Essa eu gabaritei. E vocês, conte para nós! 😃✨

ELA NÃO ESTÁ DORMINDO Os olhos dela estão fechados, mas ela não.Alimentando seu filhoBraço está na posição errada, dói, ...
06/03/2026

ELA NÃO ESTÁ DORMINDO

Os olhos dela estão fechados, mas ela não.
Alimentando seu filho
Braço está na posição errada, dói, mas não mexe, por que o bebê está confortável assim.
Ela parece que está a dormir, mas não está.
Ela está cansada, fecha os olhos, mas ouve cada respiração dela.
Ela vai passar a noite assim também, nessa posição.
Estranho, estranho, mas tão.
Ela não se move para não acordá-lo.
Ela quer adormecer, mas não quer.
Isto pode magoá-lo.
A noite de uma mãe é apenas a outra metade do dia.

Sim ou com certeza?
04/03/2026

Sim ou com certeza?

Um dos padrões mais exaustivos nos relacionamentos é a dinâmica entre o apego ansioso e o evitativo. Duas pessoas que se...
22/02/2026

Um dos padrões mais exaustivos nos relacionamentos é a dinâmica entre o apego ansioso e o evitativo. Duas pessoas que se amam, mas que parecem falar idiomas emocionais completamente diferentes.

O ansioso expressa amor através da proximidade. Ele precisa de presença, de palavras, de sinais constantes de que a relação está segura. Quando não recebe isso, a ansiedade aumenta — e com ela, a busca por reasseguração se intensifica.

O evitativo expressa amor de outra forma. Ele precisa de autonomia para se sentir seguro dentro da relação. Quando percebe que o outro está se aproximando com muita intensidade, algo nele se ativa e o impulso é recuar, criar distância.

O que torna essa relação desafiadora é que cada um, sem perceber, alimenta o maior medo do outro. Quando o ansioso se aproxima demais, o evitativo sente-se sufocado e se afasta. Quando o evitativo recua, o ansioso interpreta como rejeição e intensifica suas tentativas de conexão. E os dois passam a reagir não ao que o parceiro realmente sente, mas ao que interpretam a partir dos próprios medos.

Esse ciclo se repete porque ambos acreditam que estão se protegendo. O ansioso acredita que, se insistir o suficiente, vai conseguir a conexão que precisa. O evitativo acredita que, se mantiver distância, vai preservar o relacionamento. Nenhum dos dois percebe que a estratégia de proteção que escolheu é justamente o que está deteriorando a relação.

Na maioria das vezes, essas estratégias não foram escolhidas conscientemente. São padrões aprendidos na infância, respostas automáticas que um dia fizeram sentido — mas que agora geram mais sofrimento do que segurança.

O primeiro passo para sair desse ciclo é reconhecê-lo. Entender que o parceiro não é uma ameaça, mas alguém que também está tentando lidar com suas próprias inseguranças da única forma que aprendeu. O ansioso não quer sufocar — quer ter certeza de que é amado. O evitativo não quer abandonar — quer encontrar uma forma de amar que não o consuma.

Quando os dois conseguem enxergar o medo por trás do comportamento do outro, o ciclo começa a perder força. E no lugar da reatividade, surge espaço para algo diferente: uma relação construída com consciência.

Quando Moisés estava exausto disse:"Eu imploro-te que me tires a vida"(Números 11:15)Jeremias com profundo cansaçoemocio...
01/02/2026

Quando Moisés estava exausto disse:
"Eu imploro-te que me tires a vida"
(Números 11:15)

Jeremias com profundo cansaço
emocional exclamou:
"Ma***to o dia em que nasci! "
(Jeremias 20:14)

Elias com medo expressou:
"Basta, Senhor, tira a minha vida
(1 Reis 19:4)

Jó com dor insuportável proclamou:
"Por que eu não morri no ventre da minha mãe? "
(Jó 3:11)

A Bíblia não é um livro de heróis fortes.
É um livro de pessoas quebradas... que
Deus não abandonou.

Se hoje você também está cansado, confuso ou sem forças... lembre-se que eles também foram assim. Mas Deus levantou-os.

Sua vida não está pausada.
Ela não está perdida.
Ainda não está acabado.

Deus ainda pode escrever um capítulo que você não imagina. ❤️ 🩹🔥

🌜✨Enquanto você olha para um prédio iluminado à noite, pode parecer apenas silêncio.Mas cada janela guarda um universo i...
01/02/2026

🌜✨Enquanto você olha para um prédio iluminado à noite, pode parecer apenas silêncio.
Mas cada janela guarda um universo inteiro em movimento.

Em uma, alguém celebra um aniversário.
Na outra, alguém tenta respirar apesar do aluguel atrasado.
Em uma janela mais acima, uma amizade acaba de morrer.
Em outra, um filhote chega para lembrar que o amor ainda é possível.
Há quem esteja recomeçando a viver depois do câncer.
E há quem tenha recebido uma mensagem capaz de virar tudo do avesso.

O mundo não para porque a sua dor começou.
Mas isso não torna a sua dor menor.

A arte nos lembra de algo essencial:
as pessoas não estão vivendo o mesmo capítulo da vida que você.
Enquanto alguém sobe, outro desce.
Enquanto alguém perde, outro encontra.
Enquanto alguém chora, outro aprende a rir de novo.

E ainda assim… todos coexistem sob o mesmo céu.

Por isso, comparação adoece.
Julgamento empobrece.
E pressa desumaniza.

Você não sabe o que acontece por trás das janelas que não são suas.
E ninguém sabe o peso exato do que você carrega em silêncio.

Talvez a maturidade emocional comece aqui:
entender que cada ser humano está atravessando uma batalha diferente —
e que gentileza não é um gesto bonito,
é uma necessidade básica.

No fim, todos estamos apenas tentando sobreviver à própria história,
uma janela de cada vez.

Comece o ano por VOCÊ! 🫵🏻✨
17/01/2026

Comece o ano por VOCÊ! 🫵🏻✨

Ela tem minhas senhas, meu celular e minha confiança.E eu? Não ligo. Porque amor de verdade não se esconde.Se ela pede u...
17/01/2026

Ela tem minhas senhas, meu celular e minha confiança.
E eu? Não ligo. Porque amor de verdade não se esconde.
Se ela pede um lanche, um pastel, atenção ou carinho — eu faço.
Não é feio mudar, não é feio agradar, não é feio amar.
Feio é desprezar quem caminha com você.
Valorize quem soma.
Você também concorda?

Em outubro de 1917, um navio de passageiros que levava imigrantes italianos rumo a Nova York foi apanhado por uma tempes...
17/01/2026

Em outubro de 1917, um navio de passageiros que levava imigrantes italianos rumo a Nova York foi apanhado por uma tempestade violenta no Atlântico. Entre eles estavam Antonio Russo, carpinteiro de 28 anos, e sua filha Maria, de apenas cinco.

A esposa de Antonio havia m0rrido no parto dois anos antes. A América era sua última esperança: fugir da pobreza e dar à filha um futuro que a Itália já não oferecia.

Por volta das duas da manhã, ondas gigantescas romperam o convés. A água invadiu os compartimentos inferiores, onde dormiam os passageiros da terceira classe. O navio começou a adernar. Gritos tomaram os corredores. Pessoas se empurravam, tropeçavam, caíam, tentando alcançar as escadas.

Antonio arrancou Maria do beliche e avançou contra a multidão, mantendo-a acima da água que subia rapidamente. Mas o alagamento era rápido demais. O navio, inclinado demais. A saída, distante demais.

Ele entendeu a verdade que não admite negociação: não chegariam aos botes.

Restavam minutos.

Em meio ao caos, Antonio alcançou uma escotilha arrebentada pela tempestade. Era estreita, pequena — mal cabia uma criança. Do outro lado, apenas o Atlântico negro e gelado. Ao longe, fachos de luz cortavam a escuridão: barcos de resgate se aproximavam.

Ele olhou para Maria, apavorada, chorando, agarrada ao seu pescoço.

E fez a escolha que definiria tudo.

Antonio empurrou a filha pela escotilha.

Maria gritou ao cair no mar. Antonio gritou de volta, a voz rasgando a tempestade:

“Nade, Maria! Nade em direção à luz! Os navios estão chegando! Nade!”

Ele sabia que ela tinha uma chance.
Sabia que ele não tinha.

O navio afundou sete minutos depois. Antonio Russo m0rreu af0gado junto com outros 117 passageiros da terceira classe, presos nos compartimentos inferiores. Seu c0rp0 nunca foi encontrado.

Maria foi resgatada quarenta e cinco minutos depois, com hipotermia severa, à beira da m0rte — mas viva. Tinha cinco anos, estava órfã, traumatizada, em um país estrangeiro, sem falar inglês.

Foi levada para um orfanato em Nova York. Durante anos, acreditou que o pai ainda pudesse estar vivo. Ninguém lhe explicou o que havia acontecido. A esperança virou confusão. A confusão virou dor.

Ela passou a acreditar no impensável: que o pai a havia abandonado. Que jogá-la no oceano significava que ele não a queria.

Viveu com essa ideia por vinte e cinco anos.

A verdade só veio quando tinha trinta. Um pesquisador, ao revisar registros do naufrágio de 1917, encontrou o nome de Antonio Russo entre os m0rtos. Só então Maria compreendeu: o pai havia se sacrificado para que ela vivesse.

Maria Russo viveu até 2004, falecendo aos 92 anos.

Em 1995, aos 83, contou sua história em uma entrevista:

“Achei que meu pai estava me m4tando. Não entendi que ele estava me salvando. Pensei, por anos, que ele tinha me jogado fora. A verdade é que ele me lançou em direção à vida.”

Maria se casou. Teve quatro filhos, nove netos e seis bisnetos — trinta e uma vidas que existiram porque um homem fez uma escolha impossível no escuro do Atlântico.

“Cada aniversário da minha vida existe porque meu pai me escolheu. Vejo o rosto dele naquela escotilha todas as noites. Ouço ele gritar ‘nade em direção à luz’. Estou nadando em direção à luz há setenta e oito anos. Espero tê-lo deixado orgulhoso.”

Suas últimas palavras sobre Antonio Russo foram simples:

“Obrigada, papai. Obrigada por me lançar em direção à vida. Te amo.”

Alguns atos de amor atravessam gerações. 🙏🏻✨

Endereço

Porto Alegre, RS

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