28/11/2025
🌿 O Sagrado nas Encruzilhadas: História, Fundamento e Respeito aos Cultos de Matriz Africana (parte 1)
Ontem estáva vendo um vídeo, em que uma pessoa reclamava das oferendas feitas no cruzeiro, perto de sua loja e tinha uma outra lojista limpando a frente da sua loja, aquilo me chamou a atenção como religioso.
Entendo a indignação destas pessoas principalmente por não ter o conhecimento do culto de matriz africana, mas deixo bem claro não existe oferendas com intenção de sujar ou prejudicar o meio ambiente, e que isto muitas vezes ocorre por conta da falta de conhecimento de alguns irmãos de fé.
(Outra coisa, antes de iniciar pessoal, não consigo fazer texto curto, gosto de compartilhar conhecimento e isto demanda textos maiores.
Peço perdão mas espero que possam ler até o fim axé.)
Os cultos de matriz africana, trouxeram para o Brasil uma herança espiritual milenar, construída muito antes da existência das cidades, ruas, carros ou calçadas. Na África tradicional, os povos que cultuavam os Orixás, Voduns e Inquices realizavam seus rituais no coração da natureza, onde cada árvore, caminho, fonte de água ou pedra era reconhecida como um ponto de força vivo.
Naquele tempo, tudo que se oferecia aos deuses fazia parte da própria terra: milho, raízes, frutas, mel, água, flores.
Todos materiais naturais, que se desfaziam no solo e retornavam ao ciclo da vida. Não havia plásticos, garrafas, embalagens, velas industrializadas ou copos descartáveis.
Por isso, as oferendas eram entendidas como um gesto simples e profundo: entregar à natureza aquilo que a própria natureza deu.
Quando essa espiritualidade atravessou o oceano com os povos escravizados, chegou ao Brasil acompanhada de dor, resistência e sabedoria. Em terras estrangeiras, proibidos de cultuar seus deuses, os africanos fizeram do pouco que tinham um altar.
Recriando antigos fundamentos, buscaram nos rios, nas matas, nas pedreiras e nas encruzilhadas os lugares onde os Orixás se manifestam.
Ali, encontraram força para sobreviver e preservar sua identidade espiritual.
Com o tempo, a urbanização transformou o ambiente. Os antigos caminhos de terra viraram avenidas; as matas deram lugar às cidades; e muitas pessoas, sem acesso à tradição profunda, passaram a repetir rituais sem compreender sua origem.
Assim surgiram situações em que pipocas, milho, bebidas ou outros materiais são deixados em áreas públicas de forma inadequada. Para alguns, isso causa estranhamento; para outros, parece desordem. Mas é importante lembrar: no fundamento original, nunca houve a intenção de sujar, provocar incômodo ou ferir o espaço comum.
(Para que o texto não fique tão longo, logo teremos a parte 2.)
AXÉ MEU POOOVO!!
Número para contato: 51 986116927