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Revista focada no mercado do luxo, com circulação trimestral em todo o Brasil e pontos da Europa e Estados Unidos.

18/07/2026
27/06/2026

De Porto Alegre ao Egito

Cônsul Italiano conclui seu trabalho no Rio Grande do Sul e parte para um novo lugar

Por Themis Pereira de Souza Vianna

As circunstâncias me induzem a comentar um tema que tem uma pontinha de dor. Nosso querido cônsul italiano, Valerio Caruso tem uma nova missão e deixará o consulado de Porto Alegre em breve. Nestes minutos descobre-se o valor que de uma pessoa quando sua ausência abre uma lacuna com um espaço vazio. Ele partirá para outro país em outro continente. Terá um encargo diplomático no Egito, um país muito distinto do mundo latino.
Eu sei que a diplomacia é um sistema que exige rotatividade permanente. Um dos motivos é para evitar muitos laços pessoais. Um cônsul representa os interesses de seu país e precisa estar inteiramente comprometido com a imparcialidade e agir com diplomacia. Não signif**a encastelar-se como uma estátua esculpida para figurar numa vitrine. A diplomacia é executar a intermediação entre dois países e seus povos com profundo respeito e muito tato, polidez e prudência no falar e no agir. Aliás, essa deveria ser a conduta de todas as pessoas, inclusive dos juízes das mais altas cortes, referindo-me ao Brasil.
Coincidentemente sua saída ocorre num ano jubilar. A Itália comemora o aniversário de 80 anos de República.
Ali o ato comemorativo começou nos Jardins do Quirinal, em Roma, num espaço histórico, situados na colina mais alta de Roma. Eles fazem parte do Palácio do Quirinal, a residência oficial do Presidente da República Italiana, o antigo palácio, residência dos papas. O conjunto é famoso pela sua posição privilegiada que foi modif**ado ao longo dos séculos pelos papas que ali residiram.
Em Porto Alegre, a comemoração dos 80 anos, segundo o Correio do Povo, aconteceu na Associação Leopoldina Juvenil que recebeu autoridades do estado inteiro e representantes da comunidade ítalo-gaúcha. Festa promovida pelo Consulado-Geral da Itália no Rio Grande do Sul, além da comemoração pelos 80 anos da República Italiana, os convidados iniciaram as despedidas ao cônsul Valerio Caruso, que deixará Porto Alegre em julho”.
Já antecipando sua saída, o cônsul Caruso disse ao público: “Aqui, a Itália não é uma lembrança distante. Ela vive nos sobrenomes e nas famílias. Vive nas cidades fundadas pelos imigrantes, na criatividade e na capacidade de construir. Vive, acima de tudo, no coração de milhares de pessoas que continuam a sentir a Itália como parte da própria história. Ao longo destes anos, nunca me senti apenas representante do país no Rio Grande do Sul. Senti-me acolhido por uma comunidade que abriu as portas das suas casas e, sobretudo, dos seus corações”.
Sou testemunha do quanto o jovem cônsul foi benquisto em nosso Estado e asseguro a lisura de seu pronunciamento descrito pelo jornal. Pois além de conhecê-lo pessoalmente numa entrevista, ocorrida numa terça-feira, no dia 13 de agosto de 2024, no seu gabinete. E tive outros contatos em eventos. Posso constatar por experiência impressões sobre o perfil do cônsul.
Seu atendimento às pessoas é gentil e tem algo de fidalguia, tem maneiras refinadas. Suas atitudes são fiéis ao cargo e à função de acordo com um diplomata de carreira. Exerce a chefia do Consulado Geral em Porto Alegre desde 23 de agosto de 2022, tornando-se o mais jovem cônsul-geral da Itália da história no Rio Grande do Sul.
Ele deu impulso ao consulado italiano gaúcho com o seu espírito inovador, prático, objetivo e determinado. Fez acontecer. E desde sua chegada achou que o projeto de uma sede deveria continuar acelerado. Foi persistente e conseguiu o investimento do Ministério das Relações Exteriores italiano a soma de 4 milhões de euros para uma estrutura destinada a servir ao estado do Rio Grande do Sul que conta com a segunda maior comunidade italiana do Brasil, tendo à frente apenas São Paulo.
A inauguração da nova sede do Consulado-Geral da Itália coroou sua estadia em Porto Alegre. Foi oficialmente inaugurada em 18 de maio de 2026. O espaço de aproximadamente 1.500 metros quadrados f**a localizado no edifício Duo Concept Corporate, Av. Loureiro da Silva, 1940 – Porto Alegre, RS.
O prédio é contemplado com uma verdadeira obra de arte, o mural “Madre”, uma obra de 45 metros de altura criada para marcar os 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. “A pintura ocupa toda a fachada do edifício dos escritórios do Consulado-Geral. A imagem é centrada na figura de uma mulher migrante, retratada deixando a Itália para trás, segundo dados do Consulado”. Hoje, um local ideal para o turista fazer sua selfie.
Devo muito ao jovem cônsul, pois, durante a elaboração do meu livro “Meu Pequeno Mundo Italiano” prestou-me informações valiosas. Disse-me na entrevista que fiz: “Decidi conhecer os ítalo-gaúchos. Comecei a percorrer algumas das principais cidades da antiga colonização italiana. Entre elas, destaco a maior, Caxias do Sul. Hoje ela é um polo industrial e um centro da cultura italiana no Estado. Fiquei surpreso com as cidades como Farroupilha, Bento Gonçalves, Garibaldi, Carlos Barbosa, Passo Fundo, Erechim. Todas com amplo predomínio de descendentes de imigrantes italianos. Nessas passagens fiquei emocionado com o imenso carinho das pessoas. Elas são impressionantes. Afetivas. Uma imagem que não temos na Itália de nossos descendentes aqui no Rio Grande do Sul. Eles precisam conhecer estes locais. Precisam ir ao interior e vê-los, ouvi-los, sentir o cheiro da terra, das árvores, do ar. testemunhando isso com entusiasmo”.
Valerio observou: “Cheguei a experimentar os vinhos aqui produzidos e acho que eles precisam ser difundidos. São muito bons. Alguns são até melhores do que os de lá. Acho que nos cabe testemunhar esse lado positivo, mas desconhecido. Precisamos promover as regiões que visitei. Dar-lhes a devida importância. E trazer turistas italianos para conhecer e depois levar a experiência à Itália.”
Destaco a última frase da entrevista: “trazer turistas da Itália para cá”. Um signif**ativo detalhe econômico para o Estado. Segundo dados que foram divulgados pelo Banco Central e analisados pelo Ministério do Turismo, o turismo internacional injetou R$ 29 bilhões na economia brasileira e cresceu 11% em 2025.
Precisamos explorar esse potencial de riqueza que as cidades italianas têm a oferecer na Serra Gaúcha, tanto em estrutura como em beleza natural, acrescido na hospedagem e gastronomia.
De minha parte tenho uma palavra para citar como o fator do progresso da etnia italiana: a palavra é trabalho. Muito trabalho dedicado. Que gera empregos, como a melhor contribuição social para um país. Pessoas empregadas, dedicadas e individualmente responsáveis geram o o progresso coletivo. Este é o mundo italiano que Valerio Caruso conheceu nos seus quatro anos no Rio Grande do Sul. Um mundo que se empenhou para que a Itália o conhecesse melhor.
Tenho a cidadania italiana e me coube conhecer melhor o mundo italiano, que por sua vez, aprofundou o meu livro. Valerio Caruso faz parte desse resultado e seu nome no livro agrega mais valor e credibilidade.
Daí o meu dever de agradecê-lo e fundamentar o agradecimento citando a concretude de sua de seu trabalho entre nós. Não sou a única pessoa a reconhecer seu mérito. Os gaúchos italianos, tenho certeza, concordam comigo.
Seus quatro anos em nosso Estado são notórios e f**arão guardados na História Gaúcha. Ele foi perseverante para a conclusão da nova sede e conclui seu trabalho em terra brasileira com um final exitoso. Não se restringiu ao gabinete. Viajou pelo interior do Estado e foi conhecer pessoalmente essa fascinante aculturação italiana.
Valério Caruso, com certeza, antes de sua partida ainda terá muitas homenagens da comunidade italiana gaúcha.

THEMIS PEREIRA DE SOUZA VIANNA
Jornalista – DRT / RS 12087
Contato sobre livros | [email protected] | (51) 99271-0356
Livros à venda: Meu Pequeno Mundo Italiano | Dia D, Crise Educacional: resgate de fundamentos éticos | A Fotografia Sebastião Salgado |Hermes Pereira de Souza: Uma voz coerente no parlamento, uma identidade que não pode silenciar

Moraes, Toffoli, Lula e outrosTodos amarrados com Vorcaro na mesma cordaPor Themis Pereira de Souza ViannaMeus textos ge...
13/03/2026

Moraes, Toffoli, Lula e outros

Todos amarrados com Vorcaro na mesma corda

Por Themis Pereira de Souza Vianna

Meus textos geralmente tratam de temas pessoais expressos numa crônica. No entanto, há circunstâncias em que é preciso opinar por escrito sobre fatos políticos. Claro, tenho consciência de que implicará em divergências. Para dizer o que se passa no Brasil requer coragem. Coragem de não f**ar calado enquanto o país está afundando em dívidas, arbitrariedades, contenção da liberdade, atropelamento constitucional, injustiça, escândalos e corrupção. Não dá para calar em um momento tão crítico no qual as instituições estão fragilizadas e corrompidas.
De repente, um nome desconhecido meses atrás — Daniel Vorcaro — entra no cenário nacional e ao lado de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli para protagonizar o papel principal de um dos maiores escândalos financeiros do Brasil. Ele atua nas peças da venda de um resort e como dono do Banco Master quebrado se ramif**a a dezenas de grandes nomes da República. Uma República contaminada por corrupção.
Um relatório da ONG Transparência Internacional, cita o Brasil entre os países mais corruptos. O caso do Vorcaro é mencionado como “a maior fraude bancária já registrada no país”, mas ancorado ao STF desde 2019.
Eugênio Esber escreveu na revista OESTE: “O Supremo deu uma guinada em 2019, graças à campanha revisionista de Gilmar Mendes e ao voto de desempate de Dias Toffoli. Resultado: 6 a 5, e sinal verde para a soltura de Lula. Pelo inusitado da manobra, uma pirueta jurisprudencial no espaço de dois anos, demonstrou-se ali a capitulação da corte à política. A posterior anulação das condenações de Lula por uma tese esdrúxula do ministro Edson Fachin, e o livramento de todos os corruptos apanhados pela Operação Lava Jato”. Todo o trabalho investigativo, persistente com provas robustas caiu por terra. As provas que levaram o ex-sindicalista à cadeia por Lavagem de Dinheiro e Corrupção Passiva, não foram refutadas nem contraditas pela sua concretude. Mas para que provas se o que valia é o que estava na cabeça das togas. Como afirma Esber: “Lula foi solto por uma pirueta jurisprudencial no espaço de dois anos, demonstrou-se ali a capitulação da corte à política”. Ou seja, a lei foi esquecida. A lei cedeu o lugar à política ideológica de soltar alguém para envelopá-lo de candidato, com a finalidade de impedir a reeleição de Bolsonaro, que estava combatendo as tramoias nos altos escalões. Com a ajuda da velha imprensa, tentaram colar no Bolsonaro a imagem de um fascista e extremista da direita, inimigo da democracia, o que Moraes, mais tarde cansou de repetir.
A partir de 2019 parte dos componentes da Suprema Corte procrastinaram a Constituição e os Códigos e passaram a atuar politicamente em cima de uma regrinha interna inventada por Toffoli em 14 de março de 2019, o famoso Inquérito de Ofício para combater “legalmente” as fake news. Havia um bom motivo para Toffoli usar a criatividade. As investigações da Lava Jato começaram a aproximar-se dele, que na investigação tinha o codinome “O Amigo do Amigo do Meu Pai”. Logo, para Toffoli e aos demais que a Lava Jato ameaçava, ela tinha que ser contida de qualquer modo. O temor começou rondar os gabinetes. O Inquérito de 14 de março de 2019 foi, portanto, um ato de autodefesa de Toffoli consistindo num golpe para ter poder para destruir a Lava Jato e calar a boca de todos os críticos.
Toffoli dá o golpe e proclama no inquérito 4.781 e passa a estrela de xerife ao parceiro Alexandre de Moraes, que desde então governa o Brasil com perseguições, multas pesadas, apreensões de passaportes e celulares E deu no que deu.
Leis, para que leis? Ele estava acima delas.Moraes começou a governar o Brasil sob o discurso de salvar o Estado Democrático de Direito e passou a ameaçar a todos que supostamente desestabilizariam a “democracia” com “fake news.
A censura e a intervenção nos outros poderes que começou a vigorar com feitura stalinista. A revista Cruzoé foi a primeira a tombar. O crime foi a publicação de reportagens que tratavam da delação de Marcelo Odebrecht, na qual cita o então presidente da Corte, Dias Toffoli, como um incluso na Lava Jato com o codinome “O amigo, do amigo do meu pai”.
Alexandre de Moraes estava munido de todos os poderes: investigador, delegado de polícia, juiz e relator de inquérito que apura “notícias fraudulentas” (tudo o que ele não gostava e achava ofensivo para a democracia a sua democracia relativa). Estipulou multa diária de R$ 100 mil e mandou a PF ao encalço do site 'O Antagonista' e da revista 'Crusoé'. A censura estava prévia e a posteriore estava instaurada no Brasil.
Moraes interferiu no Executivo. Impediu Bolsonaro nomear Ramagem para o Polícia Federal, mesmo sendo uma prerrogativa constitucional exclusiva do presidente da República. Interferiu também para derrubar a validade do indulto de graça constitucional que Bolsonaro concedeu ao então deputado federal Daniel Silveira. Sem qualquer constrangimento, Moraes atropelou a Constituição Federal, simplesmente ignora que ninguém pode estar acima do que as leis determinam. Em resumo esta é a gênese que arrasta o Brasil ao abismo em que se encontra hoje.
Mas a conta está chegando ao STF com vários ministros nomeados pelos governos petistas, atuando politicamente aliados com Lula. Primeiro, tirando-o da cadeia para depois abrir o caminho para colocá-lo no poder.
O que temos hoje é um Supremo e um Executivo metidos em escândalos, talvez, superiores aos da Lava Jato. E os presidentes da Câmara e do Senado de joelhos aos ministros Toffoli e Moraes.
Mario Sabino do Metrópoles denuncia como gravíssimos, “os conteúdos do celular de Vorcaro que vieram a público até agora, o mais revelador, o mais grave, o mais imoral, o mais estarrecedor, porque tudo é muito revelador, muito grave, imoral e estarrecedor, essa troca de mensagens entre o dono do Master e o ministro Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do responsável pela maior fraude financeira da história brasileira”.
Entra em cena do escândalo coisas cabeludas e impublicáveis além de muito dinheiro, que chega a estratosférica altura de 129 milhões de reais em benefício de Moraes.
Não posso f**ar calada diante de um cenário de um Brasil arrasado. Senti a obrigação de publicar minha visão em cima dos bilhões de reais que envolvem o Master. Não é apenas minha opinião. É texto fundamentado em cima de fatos que repercutem na imprensa local e mundial.
Termino o registro com uma frase que não é minha. Acho que ela define muito bem o momento que o Brasil está passando: “Hoje, o que resta é uma junta de juízes sem juízo e de políticos sem voto que perderam o respeito do povo e marcham sem rumo em busca de uma saída para o labirinto ético em que se meteram”. Todos estão amarrados à mesma corda para se protegem, incluindo Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
Mas se um deles afunda, todos se afogam juntos.

Como foi o meu 2025Quatro conquistas e uma perda, mas exitosoPor Themis Pereira de Souza ViannaO fim de um ano não é ape...
30/12/2025

Como foi o meu 2025
Quatro conquistas e uma perda, mas exitoso

Por Themis Pereira de Souza Vianna

O fim de um ano não é apenas o brindar de um espumante em um copo de cristal dentro do círculo de pessoas queridas, o que é bom e saudável. Mas, é também um compromisso que se tem consigo mesmo, sobremaneira naquele momento de recolhimento ao leito, quando já se diluíram as vozes e os risos da festa, e, lá no fundo do íntimo começam a despertar as vozes interiores armazenadas. Vozes de uma totalidade, que se mesclam com sentimentos variados, de sensações estranhas, uma espécie de proscrição, de banimento e de reclamação. Não faltam advertências contrabalançados por aconselhamentos. Mas não falta a sensação de êxtase, atopetado de boas lembranças, bons resultados e de conquistas. O abraço ou beijo furtivo. O elogio sincero. A soma de experiências novas, que gratif**am. Na realidade, o íntimo é um turbilhão. É um burburinho de coisas opostas entre agradáveis e desagradáveis, que mostram que somos humanos e fazemos parte de um roteiro conduzido por nossas escolhas e pelas forças que fogem de nosso controle.
Esta reflexão me leva a abrir o coração aos amigos e contar algo sobre o que foi o meu ano de 2025, uma vez que são eles que compartilham minhas trajetórias, leem minhas publicações, compram meus livros e estão próximos. Já me conhecem em boa parte. E sabem como eu, que viver é enfrentar a cada dia o desconhecido, transpor fronteiras e aprender sempre mais diante do obstáculo. Nenhum passo à frente está isento de risco. Sabem que não sou acomodada.
Para mim a vida parada não tem graça. É insossa. Amo o movimento. Amo o diferente. Adoro o desconhecido. Ele me atrai. Ele sempre surpreende, tanto para o pior quanto para o melhor. Daí o meu ímpeto para viajar e escrever. São duas ações que requerem ousadia e coragem. Sou repetitiva em afirmar que ao viajar busco experiência e ao escrever extravaso meus arcanos, faço das palavras meus instrumentos de confissão. Cada viagem feita é uma nova conquista. Cada crônica e livro escritos são avanços cuja glória é o crescimento interior, que, aliás, nunca termina. A vida ganha sentido quando ela está envolvida com algo superior à superficialidade cotidiana.
O meu 2025 teve além dos fatos pessoais restritos, alguns eventos de grande signif**ado para o meu crescimento interior. Um deles foi o Tour Ciclístico pelas estradas da Normandia de Bayeux a Vire, percurso de 75 km de experiência numa bike, que fiz no mês de junho. Transcrevo aqui parte da minha crônica publicada na ocasião: “O calendário europeu programou no âmbito da mais alta categoria 14 circuitos ciclísticos de estrada para 2025, que iniciaram em março e se estenderão até outubro. Já o meu Tour foi bem mais modesto. Mesmo assim, grandioso e empolgante pela soma de suas variáveis e surpresas. Havia 200 integrantes. Todos submetidos ao regramento do circuito e o encarei como um desafio para o meu corpo. Aproveitei a oportunidade para superar meus limites. Treinei muito. Pedalei com ímpeto e persistência durante semanas para o preparo físico sob o ardor do sol ou da chuva sempre presente. Busquei livrar a minha mente da toxina do estresse. Procurei a tranquilidade mental como componente básico de ordem emocional. Aspirei a paz das coisas para acumular energia mental e física, que todo o atleta precisa. Antes da largada, ganhamos uma pulseira, que abonava o direito à água e algo para comer. Tivemos um quebra-jejum com bolinhos e me abasteci com muito líquido. A largada foi às nove horas. Enfim, depois de 3h40 chegamos. A cidadezinha de Vire estava toda enfeitada com cartazes, flores, papel colorido, saudando os competidores. Com certeza, todos almejam o estandarte, que nem sempre é possível. Mas para quem apenas quer concluir a prova, a chegada se torna em troféu. O trajeto consistiu em quase quatro horas de sensações que exalam um suor nervoso, por todos os poros, uma ansiedade na boca do estômago, provocando enjoos. Tudo isso foi superado e me considerei vitoriosa”. Algo impossível de esquecer e de destacar em minha cronologia de 2025.
Outra evidência, foi o livro “Meu pequeno mundo italiano”. Aprendi que um livro se prolonga além de nós. Ele nos sobrevive. A palavra impressa f**a. Fazer um livro é um ato ousado que mexe cérebro, músculos, nervos. O corpo inteiro. É uma cadeia de obstáculos até chegar ao glorioso momento de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre. Cheguei lá. Não pela primeira, mas pela quarta vez. Há uma longa estrada nisso, desde a faxina meticulosa de cada palavra até a hora de pegar a caneta e autografar.
O terceiro destaque ocorreu em Caxias do Sul onde participei na Câmara de Vereadores da entrega do título de Cidadão Caxiense ao Cônsul-Geral da Itália, Valério Caruso, que prefaciou o meu livro “Meu pequeno mundo italiano”. Na ocasião tive contatos com Mateus Corradi, o CEO da Móveis Florense. Com Gelson Leonardo Rech, reitor da Universidade de Caxias do Sul (UCS), incluindo o vice-reitor da UCS, doutor Asdrubal Falavigna. A todos repassei o livro.
A quarta evidência, não é uma obra. É resultado delas. Recebi um comunicado da Ordem do Mérito do Empoderamento Feminino para comparecer à cerimônia da medalha a mim concedida com o título de “Dama Comendadora do Empoderamento Feminino pela Academia Brasileira de Honrarias ao Mérito”. A cerimônia ocorreu no dia 1º de dezembro de 2025 no Copacabana Palace, o famoso hotel projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, em frente à Praia de Copacabana, no coração do Rio de Janeiro. Mas ele veio com incumbência para lutar pelas causas femininas.
Tive a oportunidade de conhecer Sebastião da Cia (Sebastião Aparecido), Zilda Zompero e Cela Lopes: influenciadora, apresentadora e empreendedora. Ainda Henriette Brigagão da Mentora Advogados.
Mas 2025 também me trouxe uma grande ausência, a perda da minha querida tia-avó, Yara Diniz. Que considerei uma jovem, apesar dos seus mais de 100 anos de vida. Uma pessoa de uma imensa riqueza interior potencializado por um senso de otimismo. Sua aura longeva parecia me abençoar com suas sábias palavras. Sinto demais sua falta.
Em compensação tenho ao meu lado minha querida mãe Maria Tereza, que com o tempo percebo que sua companhia f**a cada vez melhor. Sinto nela algo de muito nobre. Sem esquecer minha duplinha de belezas, a Pamela e a Camila, duas personalidades com duas grandezas diferentes, lindas, espertas, que me orgulham. São as três mulheres que formam minha trindade sagrada.
Concluindo, posso dizer aos meus amigos que considero meu 2025 um ano exitoso. Na noite da véspera de 2026 posso me despedir satisfatoriamente do meu 2025, vendo-o diluir-se lenta e suavemente na passagem do tempo com o sentimento do dever cumprido.

O namoro é feito para acabarFeminicídio e namoros com paixões equivocadas, ciúmes, violência e crimesPor Themis Pereira ...
16/12/2025

O namoro é feito para acabar
Feminicídio e namoros com paixões equivocadas, ciúmes, violência e crimes

Por Themis Pereira de Souza Vianna

O relacionamento entre um homem e uma mulher começa com a amabilidade. Trocam-se palavras delicadas sobre qualquer pretexto. Há troca de agrados numa proliferação de olhares, gestos e possíveis contatos com as mãos. É o ritual de aproximação num ambiente que se converte em símbolos e signif**ados, que mais tarde serão rememorados com doçura.
O poeta diria que se trata de um gênesis. É o nascer de um mundo novo, inocente, puro e sem maldade. É a alvorada do primeiro dia de encantamento. A paz vem sentar-se ao lado do casal tomado pela beatitude de um com o outro. É o romantismo de duas pessoas mutuamente apaixonadas iniciando o namoro.
Só que, hoje, a palavra namoro no sentido amplo está quase em desuso. Entre a garotada a nomenclatura é outra. É “f**ar”, ou seja, permanecer junto à pessoa, mas, sem comprometimento e de forma ilimitada incluindo o direito a tudo. O que vale para todas as idades. Um conceito que deixa a porta aberta à possibilidade de um “cair fora” a qualquer momento. É a tal presunção de risco, que, legitima a afirmação de que o namoro foi feito para acabar. Noivado quase não se fala mais.
Hanna Arendt em seu livro “A Condição Humana” analisa o dilema humano entre aquilo o que é ideal e aquilo que é real. Para ela a vida humana se caracteriza pelo desencanto, pelo desgaste, pelo esvaziamento de sentido, não somente nas relações. O que verdadeiramente desejamos não alcançamos nunca. Nossos egos são constituídos de fantasias e desejos de posse. Nosso companheiro e companheira são passíveis de mudanças. Nós também. As peças que se encaixavam antes não se enquadram mais. A relação de duas pessoas que moram juntas —com ou sem a certidão de casamento — decorrido um tempo entram em ciclos de desencantamento.
Todo relacionamento entre homem e mulher sempre tem um risco. Não importa a conceituação: namorar, f**ar, noivar, contrato de união estável, casamento. Aliança nos dedos e o papel assinado num cartório, que tem valor jurídico, mas não garantem nada sobre o relacionamento. O risco de um lado cair fora sempre existe. Uma das partes, a rejeitada, por vezes, não se conforma e não aceita o repúdio. Se não tiver razoabilidade para entender a situação, o episódio pode rumar à violência e ao feminicídio.
De qualquer forma o “apaixonar-se” por alguém é sempre uma situação de intenso envolvimento emocional, onde o racional f**a de lado. A paixão carrega consigo uma energia de grande poder explosivo. É uma embriaguez que altera o comportamento e fragiliza a racionalidade. A paixão extrema é cega e tem um único objetivo, a posse do outro. Se tu não fores minha ou meu, não serás de ninguém. O desejo de posse do outro se converte em fúria extrema, incontrolada. O rejeitado é absorvido pela irracionalidade e pela inconsequência. Perde o controle de si e está disposto a tudo.
Como todo mundo já se apaixonou uma vez ou várias na vida, todos carregam em si experiências bem pessoais e lembram muito bem como elas terminaram, algumas, profundamente atingidas pela áspide da serpente que rastejava entre a gramínea. Um namoro constituído por paixão extrema apenas de uma das partes é feito para acabar. E não acabar bem. Eu sei que a afirmação carrega um sabor ácido, picante e azedo. Trata daquilo que é peçonhento e troca o romantismo pela toxicologia. A toxicologia que trata das coisas, venenosas, letais e fatais, o feminicídio, essa calamidade que se alastra de forma crescente pelo Brasil. Que traz como rasto o sangue de mulheres assassinadas pelo marido ou ex-marido, namorado ou ex-namorado, ou por algum relacionamento extraconjugal com algum velhaco que se proclamou o dono da mulher.
A crônica policial de feminicídio é profícua nos noticiários. Lembro que em agosto de 2024 escrevi uma crônica com o título “O amor que nasce suave pode terminar numa paixão violenta”. O episódio envolveu ILAINE ZIMMER BERVIAN, vítima de feminicídio em Palmeira das Missões. Uma boa pessoa nascida no interior, que casou, teve dois filhos, perdeu o marido num câncer. Pessoa simples, crédula, sem maldades, que trabalhava numa floriculturaO homem farejou um coração solitário, uma vítima potencial. Ela se apaixonou e viu nele o novo alvorecer em sua vida. Caiu direitinho na velha armadilha dos espertalhões. Com o tempo descobriu seu engano, descobriu que perdeu sua liberdade e sua vida tornou-se uma prisão. Rompeu o relacionamento contrariando o pretendente. Passado algum tempo, ele retornou confessando-se arrependido. A vítima deu-lhe uma segunda chance. Outro engano. Ele voltou às velhas práticas de domínio e violência. Ela reagiu com uma palavra precisa: acabou! Vingativo e sá**co, o repudiado optou pela retaliação. Mais do que isso. De forma lenta e cruel. Amarrou-a na cama e ateou fogo. Um ato de terror. Foi socorrida. Seu corpo ficou com 70% de queimaduras. O fato aconteceu em 21 de agosto de 2024, em Palmeira das Missões, RS. Ficou hospitalizada na UTI do hospital Cristo Redentor em Porto Alegre e no dia 28 de outubro faleceu. Já o criminoso foi preso e encontrado morto na prisão. Consumou-se, assim, mais um episódio de feminicídio com fim trágico, tendo por motivação uma paixão cega, possesiva e cruel de não aceitar o fim de um relacionamento. Francesco Alberoni afirma que para toda a paixão possessiva só existem dois extremos, o céu ou o inferno.
O episódio da ILAINE é apenas um entre centenas e milhares de feminicídios no Brasil. Um histórico de um homem ciumento, que se proclamou dono absoluto de uma mulher.
Por causa de um fato como este, eu decidi que o meu perfil de jornalista e influenciadora se voltasse inteiramente em defesa das mulheres em caráter HUMANITÁRIO à sociedade brasileira. Meus textos terão a voz de repúdio à violência contra as mulheres sob risco de feminicídio como também terão o meu braço estendido as demais que precisam de apoio em suas vicissitudes. Quero honrar meu título de Dama Comendadora da Academia Brasileira de Honrarias ao Mérito dedicando-me apoiar o mundo feminino em suas necessidades mais diversas.
Saliento, porém, que por trás desse enfoque negativo de relacionamentos trágicos existem relacionamentos de normalidade ideal, mesmo tendo no cotidiano pequenas discussões, desentendimentos de opiniões, porque a perfeição não existe. E quando há separações, que são inevitáveis, que estas possam ser feitas com razoabilidade e compreensão. Sem tragédias.

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Porto Alegre, RS
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