13/03/2026
Moraes, Toffoli, Lula e outros
Todos amarrados com Vorcaro na mesma corda
Por Themis Pereira de Souza Vianna
Meus textos geralmente tratam de temas pessoais expressos numa crônica. No entanto, há circunstâncias em que é preciso opinar por escrito sobre fatos políticos. Claro, tenho consciência de que implicará em divergências. Para dizer o que se passa no Brasil requer coragem. Coragem de não f**ar calado enquanto o país está afundando em dívidas, arbitrariedades, contenção da liberdade, atropelamento constitucional, injustiça, escândalos e corrupção. Não dá para calar em um momento tão crítico no qual as instituições estão fragilizadas e corrompidas.
De repente, um nome desconhecido meses atrás — Daniel Vorcaro — entra no cenário nacional e ao lado de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli para protagonizar o papel principal de um dos maiores escândalos financeiros do Brasil. Ele atua nas peças da venda de um resort e como dono do Banco Master quebrado se ramif**a a dezenas de grandes nomes da República. Uma República contaminada por corrupção.
Um relatório da ONG Transparência Internacional, cita o Brasil entre os países mais corruptos. O caso do Vorcaro é mencionado como “a maior fraude bancária já registrada no país”, mas ancorado ao STF desde 2019.
Eugênio Esber escreveu na revista OESTE: “O Supremo deu uma guinada em 2019, graças à campanha revisionista de Gilmar Mendes e ao voto de desempate de Dias Toffoli. Resultado: 6 a 5, e sinal verde para a soltura de Lula. Pelo inusitado da manobra, uma pirueta jurisprudencial no espaço de dois anos, demonstrou-se ali a capitulação da corte à política. A posterior anulação das condenações de Lula por uma tese esdrúxula do ministro Edson Fachin, e o livramento de todos os corruptos apanhados pela Operação Lava Jato”. Todo o trabalho investigativo, persistente com provas robustas caiu por terra. As provas que levaram o ex-sindicalista à cadeia por Lavagem de Dinheiro e Corrupção Passiva, não foram refutadas nem contraditas pela sua concretude. Mas para que provas se o que valia é o que estava na cabeça das togas. Como afirma Esber: “Lula foi solto por uma pirueta jurisprudencial no espaço de dois anos, demonstrou-se ali a capitulação da corte à política”. Ou seja, a lei foi esquecida. A lei cedeu o lugar à política ideológica de soltar alguém para envelopá-lo de candidato, com a finalidade de impedir a reeleição de Bolsonaro, que estava combatendo as tramoias nos altos escalões. Com a ajuda da velha imprensa, tentaram colar no Bolsonaro a imagem de um fascista e extremista da direita, inimigo da democracia, o que Moraes, mais tarde cansou de repetir.
A partir de 2019 parte dos componentes da Suprema Corte procrastinaram a Constituição e os Códigos e passaram a atuar politicamente em cima de uma regrinha interna inventada por Toffoli em 14 de março de 2019, o famoso Inquérito de Ofício para combater “legalmente” as fake news. Havia um bom motivo para Toffoli usar a criatividade. As investigações da Lava Jato começaram a aproximar-se dele, que na investigação tinha o codinome “O Amigo do Amigo do Meu Pai”. Logo, para Toffoli e aos demais que a Lava Jato ameaçava, ela tinha que ser contida de qualquer modo. O temor começou rondar os gabinetes. O Inquérito de 14 de março de 2019 foi, portanto, um ato de autodefesa de Toffoli consistindo num golpe para ter poder para destruir a Lava Jato e calar a boca de todos os críticos.
Toffoli dá o golpe e proclama no inquérito 4.781 e passa a estrela de xerife ao parceiro Alexandre de Moraes, que desde então governa o Brasil com perseguições, multas pesadas, apreensões de passaportes e celulares E deu no que deu.
Leis, para que leis? Ele estava acima delas.Moraes começou a governar o Brasil sob o discurso de salvar o Estado Democrático de Direito e passou a ameaçar a todos que supostamente desestabilizariam a “democracia” com “fake news.
A censura e a intervenção nos outros poderes que começou a vigorar com feitura stalinista. A revista Cruzoé foi a primeira a tombar. O crime foi a publicação de reportagens que tratavam da delação de Marcelo Odebrecht, na qual cita o então presidente da Corte, Dias Toffoli, como um incluso na Lava Jato com o codinome “O amigo, do amigo do meu pai”.
Alexandre de Moraes estava munido de todos os poderes: investigador, delegado de polícia, juiz e relator de inquérito que apura “notícias fraudulentas” (tudo o que ele não gostava e achava ofensivo para a democracia a sua democracia relativa). Estipulou multa diária de R$ 100 mil e mandou a PF ao encalço do site 'O Antagonista' e da revista 'Crusoé'. A censura estava prévia e a posteriore estava instaurada no Brasil.
Moraes interferiu no Executivo. Impediu Bolsonaro nomear Ramagem para o Polícia Federal, mesmo sendo uma prerrogativa constitucional exclusiva do presidente da República. Interferiu também para derrubar a validade do indulto de graça constitucional que Bolsonaro concedeu ao então deputado federal Daniel Silveira. Sem qualquer constrangimento, Moraes atropelou a Constituição Federal, simplesmente ignora que ninguém pode estar acima do que as leis determinam. Em resumo esta é a gênese que arrasta o Brasil ao abismo em que se encontra hoje.
Mas a conta está chegando ao STF com vários ministros nomeados pelos governos petistas, atuando politicamente aliados com Lula. Primeiro, tirando-o da cadeia para depois abrir o caminho para colocá-lo no poder.
O que temos hoje é um Supremo e um Executivo metidos em escândalos, talvez, superiores aos da Lava Jato. E os presidentes da Câmara e do Senado de joelhos aos ministros Toffoli e Moraes.
Mario Sabino do Metrópoles denuncia como gravíssimos, “os conteúdos do celular de Vorcaro que vieram a público até agora, o mais revelador, o mais grave, o mais imoral, o mais estarrecedor, porque tudo é muito revelador, muito grave, imoral e estarrecedor, essa troca de mensagens entre o dono do Master e o ministro Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do responsável pela maior fraude financeira da história brasileira”.
Entra em cena do escândalo coisas cabeludas e impublicáveis além de muito dinheiro, que chega a estratosférica altura de 129 milhões de reais em benefício de Moraes.
Não posso f**ar calada diante de um cenário de um Brasil arrasado. Senti a obrigação de publicar minha visão em cima dos bilhões de reais que envolvem o Master. Não é apenas minha opinião. É texto fundamentado em cima de fatos que repercutem na imprensa local e mundial.
Termino o registro com uma frase que não é minha. Acho que ela define muito bem o momento que o Brasil está passando: “Hoje, o que resta é uma junta de juízes sem juízo e de políticos sem voto que perderam o respeito do povo e marcham sem rumo em busca de uma saída para o labirinto ético em que se meteram”. Todos estão amarrados à mesma corda para se protegem, incluindo Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
Mas se um deles afunda, todos se afogam juntos.