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31/01/2024
Onde os trilhos não têm vez – Parte 2Por que os trens são subutilizados no Brasil? Se o transporte de carga por ferrovia...
02/10/2020

Onde os trilhos não têm vez – Parte 2

Por que os trens são subutilizados no Brasil?
Se o transporte de carga por ferrovia é 20% mais econômico que o rodoviário, principalmente em distâncias acima de 600 km, transportam volume maior (um vagão graneleiro leva, em média, 100 toneladas de grãos, enquanto um caminhão bi-trem transporta 36 toneladas), estão sujeitos a um índice menor de roubo de carga, além de poluir menos, como explicar que represente apenas 15% de participação na matriz de transporte?
Ocorre pela conjunção de alguns fatores. A começar pela dificuldade de a ferrovia não ser encarada como política de Estado. Do jeito que está, a cada mudança de governo os projetos são repaginados ou simplesmente abandonados. Os avanços são mínimos. Outro fator é a não inclusão dos projetos no âmbito das autoridades ligadas ao meio ambiente, que gera demora no licenciamento de trechos e desencoraja investimentos privados. Não menos importante é a escassez de investimentos públicos, que somada a queixa dos empresários de prazos curtos das concessões de linhas (30 anos; para eles deveria ser o dobro) tem-se a combinação para o quadro em que o modal se encontra hoje.

Renovação de contratos de concessão

Como é tradição, o governo tenta reativar o setor. A Secretaria especial do governo do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) criou uma força-tarefa com empresas e o Tribunal de Contas da União (TCU) para destravar as pautas. Uma delas é a renovação antecipada dos contratos de concessão (que vencem em 2028) para impulsionar os investimentos. Trata-se de um tema polêmico que aguarda por um consenso.
Outra reivindicação é promover a integração da malha ferroviária com vários setores da economia. E aí está o problema: esta é uma demanda dependente do aporte de recursos públicos e, como se sabe pelo histórico das últimas décadas, a participação dos investimentos federais em logística e infraestrutura tem sido pífia. E não há nada que garante, em um horizonte de cinco anos, a retomada de investimentos federais em transporte, diante de pautas emergenciais, como a pandemia. Hoje a participação de investimentos em infraestrutura sobre o PIB é de 1,87%. Para zerar o passivo seria necessário manter um ritmo médio anual na ordem 4,5% ao ano nas próximas duas décadas.

Onde os trilhos não têm vez – Parte 1Você – e, provavelmente, muitos brasileiros - talvez nunca tenha percorrido distânc...
01/10/2020

Onde os trilhos não têm vez – Parte 1

Você – e, provavelmente, muitos brasileiros - talvez nunca tenha percorrido distâncias superiores a 150 km viajando de trem. E se viveu esta experiência, certamente não teve possibilidade de dar continuidade pela simples falta de oferta. O número de linhas para transporte de passageiros por ferrovia no Brasil não enche uma mão – não entra no cálculo trens metropolitanos, turísticos e metrô.
Eis uma daquelas oportunidades perdidas no tempo.
A realidade seria outra caso o governo imperial levasse adiante o projeto de rasgar o Brasil de ponta a ponta na base de trilhos, propósito que os republicanos colocaram de lado por décadas, ou melhor, por séculos.
No final do século XIX, o grau de conexão entre as províncias era insignif**ante. Não havia um mercado nacional como se conhece hoje, muito menos, único. A ligação entre as regiões era feita por água, sendo que os portos eram precários, a começar pelo da capital federal, Rio de Janeiro que, com frequência, lutava contra surtos de febre amarela e outras endemias. A aposta para unir o país eram as ferrovias, um modal relativamente novo à época.
Elas serviriam de elemento desbravador e de integração, como aconteceu nos Estados Unidos e parte da Grã-Bretanha. O Brasil ingressou nesse modal cinco décadas após os ingleses e três depois dos americanos. Foi no domingo, dia 30 de abril de 1854, com uma linha de 14,5 km ligando o porto de Mauá a Petrópolis, no Rio de Janeiro. O autor da façanha foi o Barão de Mauá.
Décadas de negligência
Empolgado com o processo de modernização do Brasil, dom Pedro II deu os primeiros passos para integração do País por trens, mas o seu plano jamais foi concretizado. Em 1871, ou seja, dezessete anos após o feito de Mauá, os Estados Unidos já somavam 72 mil km de estradas de ferro. Atualmente há 225 mil km. Por aqui, as ferrovias foram negligenciadas, a ponto de em 2020 ter uma rede de quase 30 mil km, praticamente a mesma extensão de 1920. Vale lembrar que pouco mais de um terço da malha atual (ou cerca de 10 mil km) foi construída no século XIX.
O modal prosperou até o final da década de 1950. Depois disso, a malha foi sucateada e esquecida. O modal foi entregue a iniciativa privada em 1996 por meio de concessão. Do total do sistema de carga atual, 24,4% está em operação plena, 45% é subutilizada e 29,7% não é operada. Conforme a Agência Nacional de Transporte Terrestre, 8,5 km foram completamente deixadas de lado.
Na hipótese de você ainda não ter viajado de trem, um aviso: a próxima parada é daqui a três décadas – se não houver atraso.

O PAÍS DE SOLUÇÕES ADIADASEm um intervalo de quatro semanas de junho, a projeção para o PIB brasileiro neste ano caiu de...
02/07/2019

O PAÍS DE SOLUÇÕES ADIADAS

Em um intervalo de quatro semanas de junho, a projeção para o PIB brasileiro neste ano caiu de 1,13 % para 0,85%, conforme o Boletim Focus, do Banco Central. A má notícia é que são remotas as chances de reverter este declínio em um horizonte de curto e médio prazo. Ou seja, o país caminha para mais um ano – o sexto – de estagnação econômica, aquela situação em que o Produto Interno Bruto mantém um nível de crescimento incompatível com o potencial econômico durante um longo período.
O crescimento econômico brasileiro está travado. O avanço da agenda econômica está na dependência da aprovação da reforma da Previdência. As autoridades dão a entender que depois será diferente. Pode até ser, mas qualquer movimento na agenda signif**a um tempo mínimo de maturação para o mercado reagir, um tempo que pode ser de seis meses, como também de 12 meses.
Infelizmente, não há nada que empolgue em 2019.
Com território equivalente a cerca a do 1/5 do Brasil (formado por 17 mil ilhas) e uma população de 264 milhões de habitante, a Indonésia encerrou o primeiro trimestre de 2019 com crescimento de 1,2%. No mesmo período, o Brasil amargou queda de 0,2%, puxado pela retração da indústria (-0,7%). Enquanto as projeções para o PIB brasileiro oscilam entre 0,5% e 8% neste ano, as estimativas para o país asiático é de uma alta vigorosa de 5,0%.

O QUE ACONTECEU COM A INDONÉSIA?

A Indonésia fez progressos notáveis nos últimos 20 anos. Isso não é um acidente. O país transformou-se, seguiu políticas econômicas sólidas, e soube aproveitar a criatividade e a diversidade de seu povo. O crescimento econômico reduziu drasticamente a pobreza, elevando os padrões de vida de milhões de pessoas, permitindo o surgimento de uma classe média vibrante. Está bem posicionada para prosseguir sua transformação em direção a uma sociedade ainda mais próspera e inclusiva, tirando partido de várias tendências benéf**as, como a força de trabalho jovem e em expansão.
O país é rico em recursos naturais, como petróleo, gás natural, cobre e ouro, além de ser forte na produção de arroz, óleo de palma, chá, café e cacau, sempre lembrando as limitações geográf**as e a força impiedosa de fenômenos naturais. O PIB é de 1,0 trilhão de dólares, não muito distante ao do Brasil, de 1,34 trilhão de dólares. A demanda interna é vigorosa, devido ao aumento dos gastos sociais e de um mercado de trabalho forte, deve mais do que compensar o arrasto do setor externo.
O déficit em conta corrente subiu para 2,7% do PIB em 2018, em decorrência do preço elevado do preço do petróleo bruto e também o crescimento robusto de investimentos em equipamentos. Já o déficit em conta corrente no Brasil corresponde a 1,8% do PIB (previsão para 2019). Déficit em conta corrente é o resultado das transações comerciais do país com o mundo (exportações e importações), os serviços e as transferências unilaterais. Ou seja, reflete a quantia, em dólares, que falta ao governo para quitar seu saldo negativo na balança comercial.
Nessa hora, f**a evidente a frase do antropólogo potiguar Luis da Câmara Cascudo (1898-1986), dita, provavelmente, na década de 1930. “O Brasil não tem problemas, só soluções adiadas”.

CINCO ERROS COMUNS NO JORNALISMO ECONÔMICOEstreantes no Jornalismo Econômico são passíveis de cometerem erros primários ...
16/01/2019

CINCO ERROS COMUNS NO JORNALISMO ECONÔMICO

Estreantes no Jornalismo Econômico são passíveis de cometerem erros primários ao transmitirem informações ao público, ainda mais quando são oriundos de editorias distantes da economia. Hoje vou mostrar os cinco principais equívocos.
Vamos combinar. Não há nada que constranja um jornalista mais do que escrever uma bela matéria sobre economia e no dia seguinte – quem sabe horas após ela ter sido postada num site ou blog – receber ligação da fonte apontando um erro banal, uma falha involuntária que poderia ter sido evitada.
Pensa que não cometi mancada! Sim, cometi.
Foi pensando nisso que criei o curso de Jornalismo Econômico. Afinal, é preciso entender bem para poder escrever conteúdo de qualidade.
Então, vamos ao que interessa. Aqui estão os cinco erros mais frequentes cometidos no noticiário econômico:
1º - A mais comum é comprar dois percentuais entre si e mostrar o resultado sob a forma de percentual. Errado. Quando você compara percentuais, a diferença entre eles é expressa por pontos percentuais. Digamos que a evolução do PIB foi de 4% em um ano e de 1% em outro. A resposta correra é três pontos percentuais.
2º A segunda dica é mostrar a diferença entre crescimento no ano e crescimento anual (ou crescimento em 12 meses). Apesar de parecidas, possuem signif**ados distintos. O primeiro mostra a evolução de uma grandeza dentro do mesmo ano, enquanto o segundo aponta a evolução num período de 12 meses.
3º A terceira dica tem a ver com conceitos semelhantes, cujos signif**ados são diferentes. Refiro-me à crescimento econômico e desenvolvimento econômico. Crescimento é uma condição necessária mas não suficiente para se chegar ao Desenvolvimento Econômico Desenvolvimento presume um conjunto de indicadores, como alta do PIB per capita, elevação dos níveis de riqueza, bem-estar social da população e distribuição de renda.
4º É comum confundir deflação e desinflação. Deflação é a queda dos preços dos produtos durante um determinado período. Desinflação é o abrandamento do ritmo do aumento de preços num processo inflacionário. É quando a inflação perde força. Caso baixe de 5% ao mês para 2%, isso caracteriza desinflação.
5º Não confundir mercado informal com pessoas desempregadas. São coisas distintas, embora pessoas qualif**adas, sem encontrar emprego, acabem indo para a informalidade. O total de desempregados é medido pelo IBGE.
Há outros que você só encontra o curso de Jornalismo Econômico, realizado em parceria com a ESPM Sul.
FAÇA LOGO A SUA INSCRIÇÃO

Dados
Data: 22 a 25 de janeiro de 2019
Horário: 19h às 23h
Carga horária: 16 horas/aula
Local: ESPM Porto Alegre
Informações: 51 3218-1372

14/12/2018

Quando o convite surge e você não está preparado

Antes de continuar lendo este texto, responda o seguinte: qual seria a sua reação caso houvesse mudanças na redação e você fosse escolhido para assumir, no dia seguinte, uma vaga de repórter na editoria de economia? Imagino que a primeira reação seria de surpresa.
Afinal, economia não estava na sua alça de mira. A segunda reação seria o de encarar o desafio, como qualquer profissional pronto para cumprir a atividade que escolheu, mesmo que no início você se sinta inseguro num terreno que você não domina.
História parecida aconteceu comigo.
Passei oito anos vinculado a editoria especializada no setor automotivo, cobrindo competições e lançamento de veículos de um jornal de Porto Alegre. Da noite para o dia, literalmente, estava na sucursal de um jornal de São Paulo focado em economia e negócios. Fora a tarefa de decifrar o economês, eu ainda precisava seguir as regras (extremamente rígidas) de formação do lead.
O domínio completo do Jornalismo Econômico prolongou-se por cerca de seis meses, graças a minha persistência e a paciência dos meus editores.
O ritmo hoje é diferente.
Como profissional, venho acumulando informações nas últimas três décadas e catalogando padrões comuns no noticiário econômico. Foi daí que surgiu a ideia de colocar esta experiência para ensinar estudantes e profissionais da área de comunicação a qualif**arem-se para o mercado.
Ao criar este curso de Jornalismo Econômico pensei naqueles momentos difíceis – por vezes, tenso – que vivi nas primeiras semanas como correspondente de um jornal que não abria mão da qualidade da informação e também do rigor com a apresentação.
Se você busca qualif**ação, a hora é esta. Faça logo sua inscrição no curso de verão da ESPM Sul. Para mais informações clique neste link: https://bit.ly/2TQ49HY

Olá pessoal. Aqui é o Guilherme Arruda. Estou colocando a experiência adquirida no jornalismo econômico para ajudar estu...
28/11/2018

Olá pessoal. Aqui é o Guilherme Arruda. Estou colocando a experiência adquirida no jornalismo econômico para ajudar estudantes e profissionais da comunicação a descomplicar o economês. A parceria é com a ESPM. Fico à disposição para tirar dúvidas. Inscrições em: https://bit.ly/2TQ49HY Compartilhem.

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23/05/2018

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