02/07/2019
O PAÍS DE SOLUÇÕES ADIADAS
Em um intervalo de quatro semanas de junho, a projeção para o PIB brasileiro neste ano caiu de 1,13 % para 0,85%, conforme o Boletim Focus, do Banco Central. A má notícia é que são remotas as chances de reverter este declínio em um horizonte de curto e médio prazo. Ou seja, o país caminha para mais um ano – o sexto – de estagnação econômica, aquela situação em que o Produto Interno Bruto mantém um nível de crescimento incompatível com o potencial econômico durante um longo período.
O crescimento econômico brasileiro está travado. O avanço da agenda econômica está na dependência da aprovação da reforma da Previdência. As autoridades dão a entender que depois será diferente. Pode até ser, mas qualquer movimento na agenda signif**a um tempo mínimo de maturação para o mercado reagir, um tempo que pode ser de seis meses, como também de 12 meses.
Infelizmente, não há nada que empolgue em 2019.
Com território equivalente a cerca a do 1/5 do Brasil (formado por 17 mil ilhas) e uma população de 264 milhões de habitante, a Indonésia encerrou o primeiro trimestre de 2019 com crescimento de 1,2%. No mesmo período, o Brasil amargou queda de 0,2%, puxado pela retração da indústria (-0,7%). Enquanto as projeções para o PIB brasileiro oscilam entre 0,5% e 8% neste ano, as estimativas para o país asiático é de uma alta vigorosa de 5,0%.
O QUE ACONTECEU COM A INDONÉSIA?
A Indonésia fez progressos notáveis nos últimos 20 anos. Isso não é um acidente. O país transformou-se, seguiu políticas econômicas sólidas, e soube aproveitar a criatividade e a diversidade de seu povo. O crescimento econômico reduziu drasticamente a pobreza, elevando os padrões de vida de milhões de pessoas, permitindo o surgimento de uma classe média vibrante. Está bem posicionada para prosseguir sua transformação em direção a uma sociedade ainda mais próspera e inclusiva, tirando partido de várias tendências benéf**as, como a força de trabalho jovem e em expansão.
O país é rico em recursos naturais, como petróleo, gás natural, cobre e ouro, além de ser forte na produção de arroz, óleo de palma, chá, café e cacau, sempre lembrando as limitações geográf**as e a força impiedosa de fenômenos naturais. O PIB é de 1,0 trilhão de dólares, não muito distante ao do Brasil, de 1,34 trilhão de dólares. A demanda interna é vigorosa, devido ao aumento dos gastos sociais e de um mercado de trabalho forte, deve mais do que compensar o arrasto do setor externo.
O déficit em conta corrente subiu para 2,7% do PIB em 2018, em decorrência do preço elevado do preço do petróleo bruto e também o crescimento robusto de investimentos em equipamentos. Já o déficit em conta corrente no Brasil corresponde a 1,8% do PIB (previsão para 2019). Déficit em conta corrente é o resultado das transações comerciais do país com o mundo (exportações e importações), os serviços e as transferências unilaterais. Ou seja, reflete a quantia, em dólares, que falta ao governo para quitar seu saldo negativo na balança comercial.
Nessa hora, f**a evidente a frase do antropólogo potiguar Luis da Câmara Cascudo (1898-1986), dita, provavelmente, na década de 1930. “O Brasil não tem problemas, só soluções adiadas”.