30/08/2026
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Enquanto Rafael pensava em Tânia, enquanto compunha, Tânia pensava em Rafael, enquanto escrevia:
["Diário..."]
Tânia dava um longo suspiro e prosseguia:
["Porquê eu não consigo esquecer daquele beijo? Porquê, Deus? Porquê sinto meu coração tão apertado, sentindo querer mais daquilo? Será isso amor? Porquê ele quis ter eu na lista dele? O quê eu tenho que as outras não tem?"]
Tânia colocava a mão no peito. Sentindo o coração acelerado, e franzia o cenho.
["Beijei um estranho... Dei liberdade pra alguém que eu mal conheço... Mas, porque senti que eu já conhecia ele de toda uma vida? Parece que o cheiro dele ainda está na minha mente.... Impregnado... Na minha pele... Nos meus braços... No meu rosto...."]
Ela olhava para a rosa que ele passou em seu rosto, antes de beija-la... E sorria...
["Se isso fazia parte da técnica de sedução dele.... Ele me enganou muito bem.... Fez com perfeição...."]
Rafael, escrevia uma frequência que encaixasse nos Acordes que criou.... Ele colocava a mão nos lábios e sorria....
["O beijo mais gostoso que eu já provei... Tânia... Quando será que vou te ver de novo, garota? Preciso que você pense que eu não sou esse galinha..."] -Pensava ele, enquanto a irmã invadia seu quarto...
__ Colocando o nome da Tânia na sua lista? Não esquece! O pai dela é o chefe de segurança da clínica! Casca grossa, linha dura.... Deve ter o maior ciúmes da filha... Quando descobrir que você deu uns pegas nela e sumiu... Ele vai fazer churrasquinho de Rafa...
__ Eu não ia fazer isso, Gabi... Tô de olho nela, faz um tempo... __ A garota de cabelos negros e corte Chanel, sentava-se na cama do garoto, jogando uma palheta no chão... Sorrindo ironicamente:
__ Hum.... Rafael Bittencourt, levando algo a sério nessa vida? Será que agora meu irmãozinho mais velho apanhou juízo nessa ideia de jerico? __ Ela f**a séria de repente... __ Espera aí... Tô de olho nela?! Rafa, você tá perseguindo a garota? Isso é crime, sabia?
__ O Tio Estevan comentou comigo, uns meses atrás aí.... E eu fiquei comovido....
__ Você? Comovido? Conta outra, vai? Você deve ter colocado na sua lista: Garota ingênua, uma aventura com adrenalina... Ainda não tenho...
__ Gabi... Eu esperei... Ela tinha compromisso, caramba... __ Ele se levantava e empurrava a irmã para a saída... __ Acho que eu já falei demais... Sai do meu quarto, sua pirralha!
__ É... Pra você esperar uma garota terminar um relacionamento pra você investir? É... Acho que o cupido te flechou dessa vez, e com força... __ Gabriella saía do quarto e Rafael pegava uma agenda. Olhava a extensa lista, com nomes de garotas e um check na frente. Ele olhava sério.
__ Isso precisa mudar... __ o telefone do rapaz tocava: Sam... Samantha era amiga de Rafael, daquelas que a família diz quando é criança: 'Eles vão se casar quando f**arem adultos'
Rafael deixava o telefone a tocar sobre a cama.
__ Rafa, filho! __ Sílvia abria lentamente a porta. __ A família da Samantha está lá embaixo. Vamos jantar?
__ Tô sem fome...
__ Filho, é sério? Você vai fazer essa desfeita? __ Rafael continuava guardando seus instrumentos. Sério e silencioso. __ Ok! O silêncio também é uma resposta. Vou dizer pro seu pai que você não está bem.... __ Silvia fechava a porta. Rafael aproveitava que a mãe tinha saído e ele fugia pela janela. Já tinha tanto costume de fazer isso, que era comum. Já passavam das 9 da noite e Rafael estava lá.... Na frente da casa de Tânia. Observando, silenciosamente. Mas dessa vez, não se ocultava pelas sombras. Fazia-se visível para ela.
Tânia guardava seu diário e ia até a sacada, observar a lua. Ela sempre amou observar o céu noturno e as estrelas. Mas quando era noite de lua cheia, era diferente... Ela sorria, vestida com sua camisola preta. Quando ela olhava para algo iluminado pelo poste, sentia um frio na barriga. Como se o chão da sacada se rompesse. Ela caminhava, pé por pé até a rua.
__ Eu vou te denunciar por perseguição! O quê quer? __ perguntava a morena, sentindo os olhos do rapaz percorrerem casa palmo de seu corpo.... Ela sentia a energia que emanava dele. O suor frio percorrendo os poros. Engolia em seco, tentando não ceder a essa frequência quase irresistível entre os dois.
__ Você.... __ ela preparava pra dar outro tapa nele e ele, dessa vez, segurava seu braço. __ Tânia.... Eu preciso te explicar...
__ Como sabe meu nome? __ Tânia franzia o cenho.
__ Doutor Estevan é meu tio.... __ ela dava um sorriso irônico.
__ Hum... Eu sou seu brinquedinho da vez?!É isso? Sobrinho... do Doutor Estevan.... O quê sabe sobre mim? Ele não devia ter comentado com você sobre mim.... É antiético, sabia? Eu vou embora... Se meu pai saber que eu tô falando com você... __ Rafael segurava a mão dela, fazendo ela fita-lo.
__ Tânia... Meu nome é Rafael... Mas pode me chamar de...
__ Cilada....?
__ Ia falar Rafa....
__ Me esquece...
__ Não vou conseguir, nem que eu perdesse a memória.... __ Tania entrava em sua casa, sentindo o coração tão descompassado, que parecia uma idosa com arritmia...Ela se escondia, mas observava pelo canto da janela, ele lá... Parado... Um papel caía de suas mãos e ela observava ele sumindo. Ela abria a porta novamente e agachava, pegando a folha no chão. Cifras de Acordes. Ela franzia o cenho. E entrava novamente em casa, caminhando para o quarto. Contra a luz ela via que algo estava escrito a lápis. Mas que havia sido apagado. Ela usava a técnica do grafite. E via:
"Seja onde for, nosso amor será para sempre... Vou te amar eternamente. A chama que me incendiou por inteiro, me fez ter certeza de que é verdadeiro. A lembrança do seu beijo não sai do meu pensamento. Só penso em você a todo momento. Queria ter a oportunidade de ter você de novo pra mim. Eu só precisava de um : Sim."
Rafael olhava, escondido. Com um sorriso no rosto... Suspirava fundo e voltava para casa. Subia, colocando uma escada pelo lado de fora. Ao entrar no quarto topava Nathan e Sílvia.
__ Indisposto, Rafael? __ Nathanael dava um tapa nele. __ Você têm noção, da cara de tacho que eu fiquei? Com os pais da Samantha?
__ Eu não quero me casar com a Samantha!
__ VOCÊ NÃO QUER NADA, RAFAEL! NÃO QUER ASSUMIR A EMPRESA, NÃO QUER ASSUMIR COMPROMISSO COM NINGUÉM! E ISSO AQUI? PRETENDIA ME CONTAR QUANDO? __ Nathanael jogava o boletim na cara de Rafael. __ Primeiro ano, Rafael? Eu, jurando que você estava indo para o terceiro ano.... POR DEUS!!! POR DEUS!!!
__ Pai, eu... Eu vou melhorar... Agora eu tenho motivos para melhorar....
__ Posso saber quais motivos são estes?
__ Ainda não...
__ E isso? __ Nathan segurava a guitarra.
__ Não, pai!!!.... Minha guitarra não!!!... Não quebra mais uma!!... __ Nathan ameaçava jogar a guitarra pela janela.
__ Seus instrumentos estão confiscados, até que você me dê motivos para devolver.
Nathan fechava a porta e olhava para aquela guitarra.... Lembrando de um passado que não o pertencia mais. De uma escolha que mudou para sempre sua vida. De um sonho que preferiu engavetar em prol de interesses alheios....
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Rafael descia as escadas, colocando a gravata.
__ Mãe, onde está o Don __ Donatello era o motorista particular da família Bittencourt.
__ Dei folga para o Don. __ Respondia Nathan, descendo as escadas e abotoando o terno.
__ Como eu vou pro Primeira Escolha? __ Rafa perguntava, enquanto Nathan dava uma resposta afiada:
__ A pé! De condução pública?! Se vire! __ Gabriella descia as escadas e sentava-se a mesa, juntamente com Patrícia, Estevan, Sílvia e Nathan. Rafa olhava para o espelho, tentando dar o nó na gravata do uniforme. De pé , um pouco afastado da sala de jantar, mas ainda no campo de visão de Sílvia:
__ Filho, venha tomar o café da manhã conosco! Não quero que chegue no primeiro dia de aula, sentindo fraqueza.
A família Bittencourt tomava seu café da manhã e Gabi falava:
__ Papai... Me leva?
__ Claro, filha! É caminho da clínica! __ Rafael fuzilava os dois com os olhos. __ Nem adianta me olhar assim, Rafael! Sua irmã fez por merecer, já você... __ Um silêncio sepulcral invadia a sala de jantar. Apenas os sons dos talheres de prata tocando nas porcelanas era evidente. Rafael secava os lábios e se levantava da mesa, mal havendo tocado na primeira refeição do dia.
__ Ok! Nunca recebi nada do senhor mesmo! Não é novidade nenhuma para mim! __ Rafael saía enquanto Cadu ligava.
__ E aí, meu chapa? Tá onde?
__ Indo para aquela tørtura que se chama Primeira Escolha... Me dá uma carona?
__ Ué? E seu carro?
__ O coroa confiscou!
__ Xiii.... Não fui eu, hein?! Da minha boca não saiu nem um pio.
__ Já não importa mais quem contou, quem deixou de contar. Ele não dando fim nos meus instrumentos está ótimo!
__ Onde você tá?
__ A algumas quadras de casa.
Um tempo depois, aparecia Cadu, buzinando, numa moto.
__ Sério? Eu vou que nem uma mocinha? Na garupa disso?
__ Há... Então além de ganhar, ainda exige? Vou embora! __ Cadu fazia menção de colocar novamente o capacete:
__ Tá! Tá!! Que seja!!! Contando que não me deixe na porta do colégio, tá ótimo!
__ Mas era só o quê me faltava mesmo! Pega carona numa Ducati e ainda reclama!
Nathan chegava com Gabi e observava Rafa chegando quase ao mesmo tempo. O patriarca olhava, desconfiado.
__ Boa aula, minha princesa!__ Gabi saía do carro, enquanto Nathan chamava Rafa. __ Ei!!! __ ele chamava Rafael para próximo do carro. __ Eu sei que você fez alguma trapaça, e eu vou descobrir... Acho bom você andar na linha!
__ Ah, pai! Nem vem!! Tá tudo ok por aqui...
Vilma apressava a filha.
__ Tânia, anda logo! Suas amigas estão te esperando!!! __ Tânia descia as escadas, tentando colocar a gravata. __ Cuidado pra não se atrasar no primeiro dia!
__ Ah, mãe!!! Eles não tinham um uniforme menos complicado não?! __ Falava a garota, olhando para um espelho no corredor... __ Odeio essa gravata! Preferia o uniforme do Getúlio Vargas! Muito mais confortável e simples! __ Ela olhava para trás e estranhava as amigas olhando para ela. __ Quê foi?!
__ U-A-U!!!! __ Falava F***y, admirada.
__ Quê que é isso, gente? __ Anne falava.
__ Você tá uma gata, amiga! __ Vilma chamava as garotas para se sentarem.
__ Meninas, sentem-se! Tomem café da manhã conosco...
__ Mas mãe, você não disse que eu estava atrasada?
__ Mas eu não sou nem doida de deixar você sair daqui de estômago vazio...
Tânia, Anne, Estefânia e Bianca olhavam para a estrutura colossal do colégio particular.
__ Ah, eu tô com medo! __ Tânia falava.
__ Miga, vai dar tudo certo! __ Estefânia dizia.
__ Tanny, será que nesse colégio têm "os temidos" também? __ Bianca comentava.
__ Bia, não fala isso, nem brincando! Os traumas dela podem voltar! __ Estefânia repreendia. E Anne esbravejava:
__ Eles que nem tentem! Agora não sou só eu pra defender a Tânia! Agora tem mais duas no time! __ Falava Anne, com autoridade.
__ Nós juntas, não tem pra ninguém! __ Tanny falava, sorrindo. Mas o que ela via logo adiante, fazia ela tremer... Seu sorriso ia-se instantaneamente de seus lábios. Rafael.... No final do corredor, rodeado de garotas. Ele e Tânia trocavam olhares cheios de intensidade, repletos de sentimentos ocultos....
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