01/06/2026
O plano havia sido traçado dois dias antes: Alan Marques Costa, de 18 anos, tinha trabalhado como pedreiro naquele apartamento por quatro meses e conhecia cada canto da casa.
Na tarde de 26 de abril de 2001, Marcelo pulou o muro da residência na Rua Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa, Rio de Janeiro. Ele encontrou o filho de Márcia, um adolescente de 15 anos, que foi rendido à mão armada, amarrado e jogado embaixo de uma cama.
Márcia Maria Lopes Coelho Lira, 43 anos, fonoaudióloga e secretária do deputado estadual Carlos Minc, chegou em casa por volta das 19h30 e foi imediatamente dominada e amarrada pelos três criminosos. Quando o ex-marido chegou logo depois, foi rendido também, e um dos bandidos o levou de carro para saques em caixas eletrônicos.
Dentro da casa, começaram os abusos, estupros e torturas contra Márcia e sua filha de 13 anos, que estavam amarradas e sem conseguir reagir. A fonoaudióloga foi morta com golpes de facão. A filha levou uma facada no pescoço, mas sobreviveu e foi operada no Hospital Souza Aguiar, onde recebeu alta dias depois.
Marcelo foi preso logo após o crime, mas não conseguiu ficar em nenhuma das 21 celas da Polinter — os outros detentos o agrediam e ameaçavam matar cada vez que tentavam colocá-lo entre eles. Foi preciso isolá-lo numa sala separada, onde foi encontrado enforcado na manhã de 30 de abril. A polícia concluiu suicídio.
A própria esposa de Marcelo foi quem o denunciou à polícia, completamente indignada ao saber do que o marido havia feito.
No dia do enterro, no Cemitério do Caju, os coveiros se recusaram a abrir a cova. Nem sob ameaça de demissão. Precisou-se chamar gente de outro cemitério para cumprir o trabalho. Enquanto isso, o cadáver ficou ao sol por horas, rejeitado pelo mundo.