29/01/2026
Na manhã dessa quinta-feira (29), moradores da Ocupação dos Imigrantes Jean-Jacques Dessalines, organizada pelo Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), que f**a localizada no centro de São Paulo, fizeram intervenções na região do bairro da Liberdade em defesa da Ocupação e contra o despejo dos imigrantes que ali habitam.
A ocupação, realizada em 2023 durante a pandemia da Covid-19, vem lutando pela suspensão da reintegração de posse há mais de dois anos. Utilizando da ADPF 828, conhecida como “Lei da Despejo Zero, conquistada pelos movimentos sociais para impedir as remoções forçadas enquanto durasse a pandemia e na “transição” para o pós-pandemia, o MLB diz que a lei deveria garantir que, em caso de necessidade de remoções, os governantes devem buscar soluções fundiárias para evitar que as famílias fiquem desabrigadas.
Mesmo após várias audiências, o despejo do imóvel que estava abandonado há décadas, está marcado para esse sábado (31).
Segundo levantamento realizado pela Campanha Nacional Despejo Zero, mais de 1,5 milhão de brasileiros estão sob risco iminente de despejo. Só no estado de São Paulo, 9.508 famílias foram despejadas entre outubro de 2022 a julho de 2024. Outras 90.015 pessoas estão sob ameaça de despejo. Este é o caso da Ocupação dos Imigrantes.
Militantes do MLB dizem que o despejo da Ocupação dos Imigrantes Jean-Jacques Dessalines faz parte de “uma campanha do prefeito Ricardo Nunes que visa expulsar o povo pobre do centro de São Paulo”.
As famílias imigrantes e a direção do movimento ainda reafirmou que resistirá na luta contra os despejos: “de um lado está um homem que se diz proprietário com uma dívida milionária com a prefeitura e é dono de mais de 20 prédios no Centro da cidade, ou seja, um grande especulador; e do outro famílias trabalhadoras que têm o direito de viver e de morar. Não há dúvidas que não só vamos, como precisamos resistir. Precisamos dar um recado para esses ricos. Onde vamos morar? De fato nessa sociedade capitalista o povo pobre não tem vez mesmo.” Afirmou Alexandrine Maivais, imigrante haitiana que coordena da Ocupação.