01/06/2016
Quem é Rodrigo Torres?
Olha, tem um poeta português que disse uma vez assim: “Não sou ninguém e não quero nada, mas sou uma pessoa repleta de sonhos”. Desde que eu acabei a minha graduação eu sempre tive o sonho de ser o que eu sou hoje. E eu segui essa linha, profissionalmente falando, até que surgiu a oportunidade de construir a carreira que eu sempre sonhei aqui na UFPE. Em termos pessoais, eu sou uma pessoa de personalidade forte, falante, extrovertido, que apareço fácil pelo meu tamanho hahahha. Tento ser honesto. Isso é o principal legado dos meus pais.
Quais as diferenças que você observa do nosso Centro para as outras Universidades e lugares que já trabalhou?
Eu acho que o primeiro deles é como as pessoas enxergam o centro de biociências hoje. Em dez anos que eu estou aqui muita coisa já mudou positivamente, em termos de infraestrutura e em termos de como os professores e os alunos enxergam o que estão fazendo aqui. Eu acredito que isso é uma responsabilidade tamanha. Afinal, sem medo de errar, 100% dos professores que atuam nesse centro foram sustentados pelo governo para estarem onde estão durante muito tempo. E uma parcela das pessoas esquece isso na medida em que são aprovadas no concurso. Eu vi uma palestra uma vez de um pesquisador do INPA aqui, ele começa a palestra dando um choque, mas eu concordo com ele. Ele perguntou: “Quantas criancinhas matamos de fome esse mês? ”. O que ele quer dizer com isso? Ele quer dizer que existe muito dinheiro investido em Ciência e Tecnologia, sendo que o nosso país tem uma desigualdade social enorme. Então, você sabe a responsabilidade que você tem sobre o recurso que está na sua mão? Seja por um projeto de pesquisa financiado, ou uma bolsa de um aluno? E eu acho que uma parte dos meus colegas aqui ainda não atentou a esse detalhe do tamanho da responsabilidade disso. Eu acho que ainda falta um teor de profissionalismo maior nos docentes e também nos estudantes. Precisamos implementar uma sensação de profissionalismo mais apurado. Eu vejo que ainda aqui é um pouco um colejão. Os alunos são tratados com muito paparico. Eles parecem que são de açúcar. Você não pode ser muito sério. Quando você é assim, você sofre restrições e rejeições. E eu sou um caso típico disso. Hoje eu já consigo administrar melhor isso, mas no começo foi muito difícil. Por conta de eu gostar muito do que eu faço, levo a minha profissão muito a sério.