07/08/2026
Estive essa semana na Rio Innovation Week e, como era de se esperar, a inteligência artificial atravessou boa parte das discussões. Mas, entre tantas conversas sobre ferramentas e possibilidades, duas palestras me chamaram atenção justamente por olhar para a IA menos como novidade e mais como uma mudança estrutural na comunicação e no marketing.
Em “O LinkedIn mudou. E aí?”, a Carolina Dostal e Maíra Donnici trouxeram uma discussão especialmente interessante para quem trabalha com marcas na plataforma. Um dos dados apresentados foi a queda de 60% no alcance das páginas de empresas, em um cenário no qual o LinkedIn vem dando cada vez mais espaço para pessoas, autoridade e conteúdo autêntico.
E uma das mudanças que ajuda a explicar esse movimento é o 360Brew: um modelo de IA que passa a interpretar não apenas uma publicação isoladamente, mas também quem está publicando, seu perfil e sua autoridade naquele assunto. Ou seja, já não basta simplesmente “produzir para o algoritmo”. Contexto, repertório e consistência passam a pesar ainda mais.
Outra conversa que gostei bastante foi “Uso de IA nas campanhas de marketing”, mediada por Amanda Graciano, com Beto Weisser e João Teixeira de Carvalho. A discussão trouxe duas perspectivas interessantes: de um lado, os desafios dos pequenos empresários para incorporar IA aos seus esforços de marketing; do outro, como grandes empresas estão lidando com essa transformação.
E talvez tenha sido justamente essa a ideia que mais ficou comigo depois do evento: estamos passando da fase de discutir se vamos usar IA para a necessidade de entender como ela muda a estrutura do que já fazemos.
Ferramentas mudam, plataformas mudam, algoritmos mudam. Mas, curiosamente, quanto mais tecnologia entra nessa equação, mais parecem ganhar valor coisas essencialmente humanas: repertório, experiência, ponto de vista e capacidade de dizer algo que realmente valha a atenção de alguém.
Foi um ótimo dia para ouvir, observar e voltar com algumas novas perguntas na cabeça.