29/04/2026
"Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo." - Mateus 22:37-39
Esse ensinamento resume todos os outros, mas sua prática é desafiadora. Afinal, quem é o “próximo”? Apenas quem amamos, ou também quem nos desagrada, quem não nos oferece nada em troca?
É fácil amar amigos e familiares. Difícil é estender esse amor ao chefe, ao desconhecido — ou a quem nunca nos fez mal, como os animais.
Se a natureza é obra divina, então também é nosso próximo. Ainda assim, por que é tão difícil respeitar e cuidar daquilo que não exige nada de nós?
Os ensinamentos de Krishna já falavam sobre não violência (ahiṁsā): reconhecer que todos os seres sentem, temem e buscam viver. Os animais estão entre os mais vulneráveis — não têm voz, não negociam sua existência. Dependem da nossa consciência.
A verdadeira compaixão não surge quando há troca, mas quando não há vantagem. A violência, mesmo silenciosa ou institucionalizada, endurece o coração e reduz a sensibilidade. Sem ela, até a espiritualidade se torna mecânica.
Não se trata de impor escolhas, mas de despertar consciência. Não banalize a vida, nem o sofrimento. Lembre-se que “com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.”
Tenha presença e consciência. Agradeça a vida que te alimenta, que te dá o ar e a água.
"Que vossa mesa seja um altar...
Quando matardes um animal, dizei-lhe no vosso coração:
“Pelo mesmo poder que te imola, eu também serei imolado, e eu também servirei de alimento para outros;
Pois a lei que te entregou às minhas mãos me entregará a mãos mais poderosas.
Teu sangue e meu sangue nada são senão a seiva que nutre a árvore do céu”.
E quando morderdes uma maçã, dizei-lhe no vosso coração:
“Tuas sementes viverão no meu corpo,
E os brotos dos teus amanhãs florescerão no meu coração,
E teu perfume será meu hálito,
E, juntos, regozijar-nos-emos em todas as estações.” - Khalil Gibran