15/10/2017
CRÔNICA DE CARNAVAL
(Por Alberto Barbosa da Fonseca)
Obrigado a passar o carnaval com a família em Saquarema, já que por vontade própria teria me esbaldado nos blocos, quase morri engasgado com a salsicha do cachorro-quente (maldita salsicha, ma***to cachorro-quente, presentes em todos os dias de folia) quando, durante o desfile da Mangueira, o apresentador da Globo informou que: “a Igreja da Penha f**a em Ramos”. Caí da cadeira e depois de recuperado do susto, me pus a pensar: vai ser terrível voltar para casa e não ter mais o nosso cartão postal para apreciar. Como deve ter f**ado o morro sagrado sem a nossa igreja? Será que levaram a escadaria também? Será que o padre a vendeu? Onde a colocaram?
Quase entrei em depressão. Os dias não foram mais os mesmos, mas o cachorro-quente e as salsichas continuavam lá. As outras opções eram macarrão com salsicha ou salsicha à francesinha (nunca tinha ouvido falar nisso!).
Apavorados com o meu estado, os amigos da casa ao lado, Victor e Ana, me convidaram para passar a outra noite lá, ia ter um rodízio, como não aguentava mais comer cachorro-quente resolvi aceitar o convite. Ao chegar, uns potinhos branquinhos, bonitinhos, enfeitavam as mesas. Cada um com um tipo diferente de amendoim: com casca, sem casca, com sal, sem sal, com pimenta, tinha uns verdinhos, outros vermelhinhos, foi aí que descobri que tinha sido convidado para um rodízio de amendoins. Educadamente peguei alguns poucos de cada e papo vai, papo vem, fiquei sabendo que toda a noite tinha este rodízio.
Um fato curioso: lá na casa do Victor tem umas 15 cadeiras, daquelas de plástico e cada um que levantava mostrava o “traseiro” todo molhado. Pensei: será que estes amendoins são diuréticos? Depois o vídeo do Lenilton (“o santinho”) entregou que um “malandrinho” jogava água nas cadeiras.
Lá pelas tantas, voltei para a casa que nos hospedava, a do Sandoval e da Miriam e falei para a Valeria: estou com fome! Ela: - Quer que esquente o cachorro-quente? Meu Deus! Que pesadelo sem fim!
Saquarema é um local aprazível, o pôr do sol na praia de Itaúna é um dos mais belos, o condomínio que f**amos é muito legal, oito casas, piscina, churrasqueira, os pássaros soltos, os cachorros também, mas devo fazer uma denúncia séria: a prefeitura de lá deve gastar muito dinheiro colocando gelo na água da praia. Em seis dias, não consegui molhar a canela, aquela parte que f**a entre o pé e o joelho, a água devia estar uns 30º abaixo de zero.
No domingo chegou de Barbacena (MG), o meu cunhado Eduardo, com a esposa Beth, a filha Bianca, duas garrafas de cachaça mineira (“Purinha” era o nome da infeliz) e o mais surpreendente, ele levou a minha sogra. Sabe aquele momento em que você pensa um monte de coisas em fração de segundos: cachorro-quente, salsicha, cunhado, sogra, água da praia super gelada, calor infernal, cachaça, amendoim, Igreja da Penha em Ramos...tudo isso passou pela minha cabeça.
Ele, o Eduardo, é doido por pescaria, acostumado a pescar em rios, foi umas dez vezes lá nas pedras, perto da igrejinha, para estudar a área, fazer perguntas, conhecer, pesquisar o melhor local, tipo de isca. No dia seguinte, saiu bem cedo, por volta das 5 da manhã, com todo aquele aparato e 1kg de camarão para servir de isca (e eu implorava para que ele levasse salsichas como isca e deixasse o camarão). Expectativa geral pela chegada do cunhado pescador. Éramos umas quarenta bocas aproximadamente a espera dos peixes. Minha sogra falava: - estou com pressentimento que a pesca não vai ser boa! Dito e feito. Lá vem meu cunhado, pela cara nem precisava perguntar como foi, nenhum peixe para tristeza geral. Ainda perguntei se deu para salvar o camarão (a isca), ele respondeu enfezado: - camarão é a mãe!
Nesse dia, já que não tinha peixe, resolveram que o almoço seria um churrasco e o escalado foi o amigo Serjão da Janete. Serjão é daqueles que rezam pro mundo terminar em barranco pra morrer encostado, nada o abala, é tudo na maior calma. Depois de umas duas horas já tinha colocado o carvão na churrasqueira, faltava acender – cadê o álcool? Pergunta Serjão. Um dos condôminos, o dono da casa 2 (não vou entregar o nome assim de bandeja) entrega-lhe uma garrafa de álcool cheia de água, que é toda despejada sobre o carvão. Conclusão: já passava das oito da noite e nosso amigo Serjão ainda não tinha conseguido acender o fogo. O outro amigo, o Victor, antes de ir embora, me convida: Betão, vamos lá em casa, vai ter um rodízio (era o tal do rodízio de amendoins). Fingi que não escutei.
O Tarcio e a Daiana também chegaram para passar apenas um dia (carregados de malas e bolsas), assim como o Wellington que também chegou com a família. Ele tem uma padaria e adivinhem o que ele levou: muito pão para cachorro-quente e umas latinhas com as malditas salsichas.
A Bruna não foi citada, porque, parece que ela veio para dormir, está grávida, parece um “pacotinho com duas figurinhas repetidas”, isso mesmo, grávida de gêmeos ou gêmeas. Meninos ou Meninas? Não, não importa!
Dizem que “Saquarema é lugar de ser feliz e amar” – tudo bem, mas para mim virou lugar de cachorro-quente e amendoim!
Feliz é o Bernardo, com pouco mais de um aninho, ainda está na fase da papinha, do suquinho, livre, por enquanto, do ma***to cachorro-quente. Ele não larga da Flavinha.
E como “amar” numa casa com cerca de trinta pessoas hospedadas, corpos, malas e bolsas para todos os lados, cinco cachorros, papagaio e o Fabinho acordado a noite toda, assistindo aos desfiles, se informando, com o único intuito de ganhar o Bolão.
Mas nada é tão ruim que não possa piorar: minha sogra falou assim: – aqui não falta água? Pronto! Faltou a bendita água. O pior foi o suspense, liga ou não liga a água do poço, aquela que está ali há mais de três anos parada, sem ser usada, fedida. Não! Vamos ligar para o Gima (da Elaine) que ele dá um jeito de mandar um caminhão p**a, o irmão dele é o responsável pelo abastecimento.
No dia seguinte fui o escolhido para f**ar aguardando a chegada do caminhão (quanta sorte!), os outros foram todos para a praia. Bem, pelo menos este problema foi resolvido. Graças ao Gima da casa 8.
O Eduardo, envergonhado foi embora sem ninguém ver, sem se despedir e sem peixes. Talvez, cheio de histórias de pescador para contar lá em Minas Gerais.
Na quarta-feira todos perceberam meu estado debilitado, nem fui à praia pela manhã com eles. Quando voltaram, vieram em minha direção, felizes, com um pratinho na mão, o Nilton da Fortine disse: - para curar sua tristeza trouxemos lá do “Pepico” esses camarões fritos. Não acreditei, conhecendo esses caras, devo confessar que na hora pensei: são salsichas fritas!
Ah! A maldita da cachaça do meu cunhado derrubou o Edinho, que até agora está doidão com a derrota do seu Flamengo para o Vasco, na quarta-feira de cinzas.
Após o jogo, não vou lembrar de novo que finalmente o Vasco ganhou do Flamengo, por volta de 1 hora da manhã, embarcamos a bordo da nossa Caravam do ano, do ano de 1976, rumo à cidade maravilhosa, rumo à Penha, onde percebemos ao chegar que a Igreja da Penha está no mesmo local e que nem tudo que se diz na televisão é verdade!
Quando deixávamos o condomínio lá em Saquarema, a dona Miriam vem correndo e diz para a Valeria: - Pelo amor de Deus Valeria, leva um pouco de salsicha, ainda tem muitas lá na geladeira, vai estragar! Danem-se as salsichas! Acelerei o possante e deixei o local rapidamente. Verdade, ela deve ter comprado uns 80 quilos de salsichas ou mais.
Este texto é uma pequena homenagem a cada um de vocês que nos acolheram tão bem mais uma vez.
Valeu pelo cachorro-quente, pelas salsichas, pelos amendoins, pela água da praia gelada, pela cachaça, pelos amigos, parentes, pela sogra, pelo pôr do sol, e pela sa*****em carinhosamente preparada pelo Victor (sa*****em aqui é aquela onde se enfiam nos palitos pedacinhos de pimentão, cenoura, queijo e salsicha – Salsicha NÃO!!!).
Obrigado pela amizade e pelos momentos felizes em Saquarema!
Esta crônica serve também para justif**ar nossa ausência na cobertura do carnaval e os nomes utilizados são fictícios...ou não! Qualquer semelhança terá sido mera coincidência.