Sarau da Gafieira

Sarau da Gafieira Este projeto foi criado com o intuito de trazer a história do samba de gafieira e da dança de salão!

07/03/2026

Dançar na pulsação do samba de gafieira

Hoje muita gente usa a expressão “dançar na pulsação” dentro do samba de gafieira. Essa forma de falar começou a ser utilizada por Alexandre Silva e Vinícius Rodrigues, fundador dos Gafieiristas, por volta de 2016 e 2017, trazendo para a dança uma palavra que já existia dentro da música: a pulsação.

Mas é importante dizer uma coisa: a pulsação não nasce agora.

Ela sempre esteve no corpo de quem dançava samba.

Neste vídeo vemos Abel e Cleomar dançando em um programa apresentado por Sérgio Malandro, chamado Cidade contra Cidade em 1983 onde aconteciam concursos de dança. O que aparece ali é exatamente o jeito que o samba de gafieira era dançado nos grandes bailes das décadas de 30, 40, 50, 60, 70 e 80: um samba pulsado, com balanço, malandragem e elegância.

Essa forma de dançar começa a se perder a partir dos anos 90, com a forte comercialização das academias e a introdução de referências do balé clássico dentro do samba. Aos poucos, o corpo vai se afastando de uma característica fundamental da dança: o corpo afrodescendente, o corpo africanizado que sempre esteve presente no samba de gafieira.

Por isso, é importante reconhecer:
A geração dos anos 2000 e 2010 não inventa a pulsação.
Ela revitaliza algo que já existia nos salões e nos bailes.

Grupos como Os Mais da Gafieira também tiveram um papel importante nesse resgate, trazendo novamente à cena os autênticos gafieiristas — homens e mulheres que dançavam com ginga, elegância e malandragem, dentro da tradição do corpo negro que construiu essa dança.

Falar de pulsação é também dar protagonismo a essa história, sem apagar quem veio antes.

Porque o samba de gafieira sempre foi isso:
corpo, música, pulsação e memória.

rio



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27/02/2026

EDINALDO E CLÉIA — DO SALÃO À AVENIDA, A ELEGÂNCIA DO SAMBA DE GAFIEIRA

Quando falamos de grandes expoentes do samba de gafieira, é impossível não lembrar de Edinaldo e Cléia. Um casal que marcou época nos bailes de dança de salão do Rio de Janeiro e que também levou a estética, a malandragem elegante e a técnica da gafieira para o desfile das escolas de samba.

No vídeo, vemos a essência do salão: a condução firme e precisa de Edinaldo, a resposta sensível e musical de Cléia, o corpo solto, gingado, mas com fundamento. Não é apenas sequência de passos — é diálogo corporal, é escuta, é tradição viva.

Arquitetos da dança do samba!





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25/02/2026

Em 2017, o Gafieira Brasil viveu uma das finais mais emblemáticas da sua história. No palco, dois casais que representam caminhos potentes dentro do samba de gafieira: de um lado, Vinícius Rodrigues e Karina Lira; do outro, Cláudia Simas e Érico Celestino.

Foi uma disputa de altíssimo nível. Técnica refinada, presença cênica, leitura musical e, acima de tudo, identidade. Uma final histórica, marcada não apenas pela excelência, mas pela afirmação de um pensamento de dança.

Vinícius e Karina conquistaram o título numa apresentação que atravessava tempos: a modernidade dialogando com o antigo, o virtuosismo sem perder o chão, a complexidade coreográfica sem abandonar o balanço. Ali estava a chamada “gafieira preta” — o corpo que carrega memória, malandragem elegante, síncope, ancestralidade e invenção.

Não foi apenas uma vitória. Foi um manifesto corporal.
Uma afirmação de que o samba de gafieira pode se expandir tecnicamente sem romper com sua raiz afro-brasileira. Pode inovar sem perder a ginga. Pode crescer sem se afastar do salão.

A final de 2017 entrou para a história porque revelou maturidade artística e coragem estética. Dois casais, um título decidido na grandeza — e uma plateia que testemunhou um momento que ajudou a redesenhar os rumos da dança.

História da Gafieira é isso: memória viva, disputa de ideias no corpo e a permanência da tradição em movimento.





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10/02/2026

Nesse samba dos anos 90, aparece com força a pegada do samba no pé de malandro, trazendo uma malícia própria, um jogo de corpo solto, esperto, que flerta com a rua e com o palco ao mesmo tempo. É o samba dialogando com seu tempo.

Lodovico Júnior surge como uma figura importante desse período, se apresentando ao lado de grandes dançarinos e ajudando a construir essa estética que marca uma geração. Um samba de gafieira que carrega tradição, mas que também se reinventa, absorvendo influências e criando novas possibilidades de movimento.

História viva da gafieira, registrada no corpo e no tempo.




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05/02/2026

Esse vídeo é um documento vivo da história da gafieira.

Aqui vemos Abel Arimar, grande dançarino dos salões do Vera Cruz, do Clube do Elite e do Elite do Méier, referências fundamentais da gafieira nas décadas de 1940 e 1950. Um mestre forjado no chão do salão, no corpo, na música e no improviso.

Nesse registro, Abel Arimar dança com Isis Lucchesi, na academia do Valdeci de Souza, no dia em que estive com ele para entrevistá-lo sobre a história dos movimentos, das dançarinas e dos dançarinos que construíram a gafieira naquele período. Essa entrevista aconteceu em 2015, dentro do meu trabalho contínuo de pesquisa, escuta e preservação da memória da dança.

O Mestre Abel faz parte de uma geração de grandes mestres negros da gafieira que, infelizmente, sofreram um apagamento a partir da década de 1990, quando muitos desses corpos, saberes e trajetórias foram deixados à margem da narrativa oficial da dança.

Desde 2003, venho entrevistando mestres e mestras da gafieira, reunindo histórias, gestos, movimentos e memórias que vivem no corpo. E aqui, nesse vídeo, vemos exatamente isso: o improviso, a escuta da música, a malandragem elegante, a gafieira autêntica, viva, ancestral e presente.
Isso não é só dança.

Isso é história em movimento.
Isso é memória negra da gafieira resistindo no corpo.

Texto: Alexandre Silva





24/01/2026

O Maxixe: a raiz do samba de gafieira e das danças a dois no Brasil

O maxixe é a dança que mais influenciou o samba de gafieira e, consequentemente, várias outras danças a dois praticadas no Brasil. Nas gafieiras, nos cabarés e nos clubes dançantes do Rio de Janeiro, o maxixe construiu uma linguagem corporal marcada pela malandragem, pela ginga, pela musicalidade e pela forte matriz afro-brasileira.

Surgido por volta de 1875 e muito presente até a década de 1920, o maxixe deixou marcas profundas no nosso jeito de dançar. Muitos movimentos que hoje reconhecemos no samba de gafieira vêm diretamente dessa dança: o balão apagado, a escovinha, a bicicleta, a base fechada, além do jogo de corpo próximo, fluido e comunicativo.

Sua influência não ficou apenas no Brasil. O maxixe atravessou o oceano e chegou à Europa pelas mãos do Duque, que levou essa dança para os salões europeus, onde acabou sendo estilizada. Em Hollywood, inclusive, artistas como Fred Astaire e Ginger Rogers chegaram a dançar maxixe em filmes, mostrando a força dessa expressão brasileira no mundo.

Mas o maxixe também reverbera em outras danças populares, como a lambada e o zouk, especialmente nos movimentos ondulados, na conexão entre os corpos e na expressividade do movimento.

Neste vídeo, vemos Quito, um grande maxixeiro da época, que frequentava cabarés e clubes dançantes, dançando com Jacira Machado, parceira de Mário Jorge — um dos primeiros grandes dançarinos a viajar pelo Brasil e para fora do país, difundindo essa arte.

O maxixe é uma dança genuinamente brasileira, nascida no Rio de Janeiro, que carrega memória, resistência, ancestralidade e identidade cultural. Até hoje, reconhecemos sua presença viva no samba de gafieira e em tantas outras danças populares.

Texto: Alexandre Silva, coreógrafo, dançarino, professor e pesquisador da cultura da dança de salão, do samba de gafieira e do samba.




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13/01/2026

Os bambas da gafieira dançando de improviso ao som do grupo Gafieirando no baile Rio antigo no Rio Scerium!

Dançarinos e dançarinas:

Alexandre Silva
Soninha Pezinho de Ouro
Serginho Gafieira
Nea Noccioli
pezinhodeouro

gafieirando




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07/01/2026

Memória Viva da Gafieira: José Luiz e Aide, Reis da Pista

Nesse vídeo, a gente vê o casal José Luiz e Aide, integrantes do grupo Os Reis da Gafieira, dançando no baile do River, em 1989, em uma apresentação que também homenageia os dançarinos e as grandes dançarinas que participaram da novela “Kananga do Japão”, exibida na extinta TV Manchete, em 1987.

O mais bonito — e mais importante — é perceber que muitos movimentos que a gente dança até hoje já eram feitos naquela época:
✨ elástico
✨ corte
✨ pica-pau
✨ picadilho
✨ bicicleta
✨ balão e balão apagado
✨ pescaria
Movimentos que, nos anos 90, muita gente dizia ter “criado”, mas que esse registro deixa bem claro: isso já fazia parte do vocabulário da gafieira tradicional, dançada na pulsação do samba, no corpo, na malandragem e no diálogo do casal.
Esse vídeo é prova de que a gafieira tem história, tem continuidade e tem raiz. O que a gente faz hoje vem de muito antes, vem dos salões, dos bailes, dos corpos negros e populares que construíram essa dança no cotidiano da cidade.

Respeitar os baluartes é respeitar a própria dança.
A gafieira é memória viva. 🖤✨




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30/12/2025

No final dos anos 80, o samba de gafieira e as danças a dois viviam um momento de forte ascensão no Rio de Janeiro. A dança de salão ocupava as ruas, os palcos improvisados e os olhares atentos da cidade — a ponto de virar tema de uma reportagem especial da TV Globo, registrando esse movimento pulsante da cultura popular brasileira.

Nesse documentário, vemos grandes nomes da gafieira em ação: Valtinho Bigode, Bira, Verinha Reis, Soninha e Valdecir, dançando no Palco Sobre Rodas, um projeto que levava a dança para os espaços públicos, especialmente para a Lapa, um dos bairros mais boêmios e simbólicos do Rio.

pezinhodeouro






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27/12/2025

A música popular brasileira se despede de um mestre do choro e das gafieiras cariocas, Zé da velha, os grandes Gafieiristas de outrora dançaram muito sua música, o história da gafieira agradece pela sua contribuição.

gafieirando





21/12/2025

Brasil-Brasileiro, Londres, 2014.
Esse musical foi, talvez, o mais importante musical brasileiro já realizado. Um espetáculo que levou para o mundo a verdadeira arte popular do Brasil — sem brilho, sem fantasia, sem maquiagem estética — mas com corpo, chão, ancestralidade e verdade.
Aqui vemos a dança afrodescendente em sua essência. Um encontro potente entre o Jongo da Serrinha e um grupo de dançarinos vindos da dança de salão e de várias outras linguagens, com forte presença do samba de gafieira, mostrando que essa dança carrega no corpo a herança do jongo, da roda e do tambor.

Estão nesse vídeo: Alexandre Silva, Mariana Gabriel, Dandara Ventape, Adalberto Choque, Elaine, Sheila Aquino, Marcelo Chocolate, Jimmy de Oliveira, Yolanda Reis, Matheus, Jeferson bilisco, Wellington Lopes, entre outros grandes artistas do samba de gafieira.
Uma seleção de dançarinos que fez parte de um dos maiores musicais da história da cultura brasileira — um espetáculo que rodou o mundo, mas que, infelizmente, nunca entrou em cartaz no Brasil.










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Rio De Janeiro, RJ

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