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Você usa GPS? Então agradeça a Gladys West. Nascida em 1930 na Virgínia, foi a matemática que tornou possível a tecnolog...
20/04/2026

Você usa GPS? Então agradeça a Gladys West. Nascida em 1930 na Virgínia, foi a matemática que tornou possível a tecnologia GPS que usamos todos os dias. Superando as barreiras da segregação racial, ela se tornou uma figura central na base naval de Dahlgren a partir de 1956.

Com precisão incrível, West processou dados de satélites e criou modelos matemáticos complexos sobre o formato exato da Terra, conhecidos como geoides. Seu trabalho meticuloso transformou o sistema de posicionamento global em uma ferramenta prática e confiável para o mundo inteiro.

Por décadas, suas contribuições f**aram fora dos holofotes, enquanto o mundo navegava guiado por seus cálculos. Apenas nos últimos anos de sua vida ela recebeu o reconhecimento merecido, consolidando seu legado nas ciências exatas.

Gladys West faleceu em 17 de janeiro de 2026, deixando uma herança científ**a imensa, um exemplo eterno de inteligência, perseverança e inovação global.

A FARSA DA LIBERDADE DO CAPITALISMOVivemos num mundo em que, segundo a Oxfam, apenas sete indivíduos concentram cerca de...
21/01/2026

A FARSA DA LIBERDADE DO CAPITALISMO

Vivemos num mundo em que, segundo a Oxfam, apenas sete indivíduos concentram cerca de metade da riqueza global. A outra metade precisa ser dividida entre 8 bilhões de pessoas. Mas essa divisão não é igual. De acordo com a Forbes, 3 mil bilionários possuem patrimônio somados US$ 16 trilhões, muito mais do que o PIB de todos os países africanos juntos.

Mesmo assim, o capitalismo se apresenta como sinônimo de liberdade. Mas um sistema que beneficia uma minoria extrema não oferece liberdade de fato. Oferece exploração e concentração de riqueza. Liberdade, no capitalismo é privilégio comprado por alguns. Enquanto a enorme maioria precisa dividir as sobras.

O capitalismo não nasceu de trocas livres entre iguais. Ele nasceu da expropriação. Terras foram cercadas, camponeses foram expulsos, escravidão foi restaurada e territórios foram colonizados com destruição das economias locais. Pessoas que antes produziam para si foram forçadas a vender a própria força de trabalho para sobreviver. Essa origem violenta foi e continua sendo a dinâmica do sistema. Isso se chama acumulação primitiva.

A partir daí, o trabalhador entrou num mercado onde não escolhe seu trabalho. Ele precisa trabalhar de acordo com a demanda. Trabalho depende da oferta, não da escolha. Quem precisa comer, pagar aluguel e sustentar filhos aceita o que aparece.

Salário não é recompensa moral, é o mínimo necessário para manter o trabalhador vivo e produtivo. Falar em liberdade de escolha nesse contexto é fingir que necessidade não existe. Da mesma forma que acreditar que todos são livres para escolher sua profissão depende de muitos fatores externos que transcendem as vontades individuais.

Assim, no capitalismo, exploração não é exceção, mas regra. Quem detém os meios de produção compra horas de trabalho e f**a com o valor produzido além do salário. Essa diferença sustenta o lucro. Para ampliar esse lucro, inventaram terceirizações, contratos precários, pejotização, plataformas digitais e a chamada uberização. O risco é empurrado para quem trabalha. O lucro sobe para quem manda.

A tal liberdade só existe então para quem tem dinheiro. Patrimônio compra tempo, descanso, segurança, mobilidade e escolhas. Quem não tem vive sob chantagem permanente. Chantagem do desemprego, da dívida, do medo. A liberdade prometida pelo capitalismo termina exatamente onde começa a necessidade material.

Mas o sistema também produz crises cíclicas. Não por erro de gestão, mas por seu funcionamento padrão. Produz-se demais, paga-se de menos, o consumo trava, empresas quebram, trabalhadores são demitidos. Bancos são socorridos, grandes grupos são salvos, gente comum é ignorada. Prejuízo coletivo, lucro privado. Sempre foi assim no capitalismo.

Para manter isso funcionando, entra a ideologia. Uma narrativa constante afirma que o sistema é natural, inevitável e o melhor dos mundos possíveis. Problemas estruturais são transformados em falhas individuais. Se alguém não vence, a culpa é da preguiça, da falta de esforço, da ausência de mérito. Essa história apaga o ponto de partida desigual e transforma desigualdade em virtude.
A propaganda faz o resto. Vende felicidade, sucesso e pertencimento como mercadoria. Trabalha-se mais para consumir mais, consome-se mais para suportar trabalhar mais. O desejo é fabricado, a frustração é permanente. A sensação de escolha é encenada, enquanto as opções reais seguem estreitas.

A meritocracia fecha o círculo da farsa da ideologia capitalista. Pessoas não começam do mesmo lugar, não têm o mesmo acesso a educação, saúde, tempo livre, redes de apoio e herança. Fingir igualdade de largada serve apenas para justif**ar a chegada brutalmente desigual. Quem ganha diz que mereceu. Quem perde carrega a culpa.

A pobreza não é desvio do sistema, mas parte integrante dele. Existe no mundo inteiro e também no centro do capitalismo global. Nos Estados Unidos, milhões trabalham em tempo integral e continuam pobres. Dois ou três empregos, nenhuma segurança, nenhuma dignidade. Sem saúde pública, pagando por educação e por tudo o que precisar.

No fim, o que sobra para a maioria é resto. Resto de dinheiro depois das contas. Resto de tempo depois do trabalho. Resto de energia depois da sobrevivência. A vida vira administração da escassez enquanto poucos acumulam o excesso.

O capitalismo não te dá nada. Nenhum direito, nenhum bem, nenhuma riqueza nasce da generosidade do sistema. Tudo é produzido pelo trabalho humano. Alimentos, casas, estradas, tecnologia, serviços, conhecimento. O trabalhador produz. Os ricos se apropriam.

Há ainda um dado que o discurso liberal tenta apagar. O capitalismo não é eterno nem natural. O capitalismo mercantil tem cerca de 500 anos. O industrial, algo em torno de 250. O financeiro, pouco mais de 100. A humanidade viveu a maior parte de sua história fora do capitalismo e não precisará dele para a eternidade. Tratar esse sistema como destino final da civilização é ignorância histórica ou má fé política.

Essa lógica também empurra o planeta para o colapso. O consumo compulsivo não existe para atender necessidades humanas, mas para manter taxas de lucro. Produz-se descartável, obsolescente, excessivo. Recursos são extraídos como se fossem infinitos, ecossistemas são destruídos, o clima é alterado. Tudo para sustentar um modelo que depende de crescimento permanente num planeta finito. Não é apenas socialmente injusto, mas ecologicamente suicida.

Chamar isso de liberdade é uma farsa bem embalada pela ideologia. Acreditar que o celular que você comprou é graças ao capitalismo simplesmente ignora o principal. Que você o comprou não porque o sistema é generoso e te deu. Você comprou porque trabalhou, vendeu sua força de trabalho e agora usufrui do que lhe rendeu. Mas o dono da fábrica não te vende porque gosta de você, mas porque isso o torna mais rico. Assim roda gira com os ricos cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. Mas o pobre ideologicamente doutrinado defende o capitalismo acreditando que se trabalhar muito se tornará um bilionário. Ele não só não calculou que pelo que ele recebe teria que trabalhar por milênios para chegar a isso.

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