15/12/2025
Então, o dia chegou! Vinte e dois anos! O aniversário é dele, mas eu sinto que ganhei um presente que vale uma vida inteira de gratidão. Pela primeira vez, o Magnus compartilhou um sonho, do jeito dele, no vídeo que pedi para gravar ele contando. E o presente não é o conteúdo do sonho em si, mas o fato de ele ter conseguido narrar, do jeito dele, de ter acessado e compreendido esse universo abstrato e tão pessoal. Que conquista monumental!
Aliás, dezembro tem sido um mês de surpresas maravilhosas e revelações. A percepção do Magnus mudou de uma forma que me emocionou profundamente. Não apenas em ações, mas na sua maneira de interagir com o mundo e com as próprias emoções. Na primeira semana do mês, depois de um castigo e uma boa conversa que parecia ter ficado no ar, eu disse que faria uma lista de tarefas para ele em casa, para começar em janeiro, dando-lhe tempo para assimilar. Mas não foi preciso esperar! Ele percebeu que eu ainda estava chateada e, com uma maturidade surpreendente, decidiu tomar a iniciativa de começar as tarefas imediatamente. No final do dia, enquanto eu trabalhava, ouvi o som dele na cozinha, lavando a louça com uma dedicação silenciosa. E no dia seguinte? Ele lavou a louça, arrumou a cama, jogou o lixo fora, fez mate... tudo sem que eu pedisse, sem um lembrete sequer.
Ele me fez enxergar que eu estava, de alguma forma, prendendo-o dentro das minhas próprias expectativas e medos. Achei que precisaria parar constantemente para explicar cada detalhe, antecipando que ele sempre me chamaria para ver o que estava fazendo, para pedir validação ou ajuda. Por isso, queria adiar as tarefas até janeiro, numa tentativa de me preparar para o que eu imaginava ser um processo exaustivo. Uma expectativa, sim, equivocada e, admito, um tanto limitante da minha parte, de achar que ele precisaria de ajuda constante, que não seria capaz de agir por conta própria.
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