07/06/2026
“A gente tá junto, mas ninguém se encosta. A sociedade virou isso.” Sabe o que a pandemia fez com a gente? Escancarou o teatro. O casamento que acabou? Não foi o vírus. Foi a verdade. Porque, pela primeira vez, não tinha mais escritório, barzinho, viagem. Era só o outro. Ali. Cru. Sem filtro. E aí, mulher, você descobriu: você não casou com um homem real. Casou com um personagem. E a tecnologia que a gente achou que ia salvar... só afundou. Zoom, meet, live. A gente virou ícone. Bolinha verde. Cadê o abraço? Cadê o cheiro? A gente trocou presença por notif**ação. Dopamina imediata. Rola a tela, dá like, acabou. Não precisa mais sentir. Só consumir. Aí eu te pergunto: isso é solidão ou soliitude? Solidão é quando a cidade inteira te ignora. Soliitude é quando você escolhe f**ar só. Mas a sociedade não escolhe mais nada. A sociedade reage. Curte, comenta, compartilha. Vício. Ninguém para pra pensar: eu realmente conheço alguém ou só conheço o que ela posta? O Instagram virou praça. Açaí, academia, viagem, casal feliz. Só que por trás da foto... briga, traição, remédio controlado. A gente não aguentou o pós-pandemia porque a gente nunca aprendeu a conviver sem plateia. Sem like. Sem edição. E o pior: a sociedade criou um apartheid virtual. Separou quem tem bolinha azul de quem responde de verdade. Separou quem posta textão de quem sente calado. E a mulher? A mulher foi ensinada a performar. Sorriso no story, choro no banho. Cadê o outro como ele é? Sem idealização? A gente matou o outro. Botou ele dentro de uma tela. E agora a tela manda na gente. Sabe o que falta? Desligar. Olhar no olho. Sentar no silêncio. Porque enquanto a dopamina mandar, ninguém vai curar a solidão. A gente só vai anestesiar. E anestesia não é vida. É enrolação até o próximo colapso.
Vida de Mulher