Veracidade RJ

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Quem procura a Verdade? Quem está preparado para a Verdade? A Verdade, muitas vezes, choca. Condena ou absolve. O jornalista é o mediador dessa ligação perigosa e libertadora entre leitor e conhecimento. Dizem que só a Verdade liberta. Mas é muito mais do que isso: a Verdade transforma. Aí estão as duas mais importantes missões do jornalismo. Verdade e Transformação.

01/06/2022

ALERJ APROVA RÁDIO NACIONAL COMO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL IMATERIAL
Comissão e Frente da Casa Legislativa lutam pela manutenção das rádios MEC e Nacional

A Alerj aprovou hoje (01/06), em segunda discussão, o PL 5.493/2022, de autoria da dep**ada estadual Mônica Francisco (PSol), presidente da Comissão de Trabalho, e do dep**ado estadual Waldeck Carneiro (PSB), presidente da Frente Parlamentar Pela Democratização da Comunicação da Alerj (FPDC), que transforma a Rádio Nacional em Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

Mônica e Waldeck lutam pela manutenção da emissora, além da Rádio MEC, que podem ser desligadas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Outro projeto, dos mesmos autores, que transformaria a Rádio MEC em Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro (PL 5.494/2022), foi vetado pelo governador Cláudio Castro no mês passado.

“Estamos lutando em defesa da radiofonia brasileira. A Rádio Nacional é símbolo da difusão da cultura e da música, principalmente na segunda metade dos anos 50 do século passado. É importante enaltecer o papel da comunicação na consolidação da democracia. Veículos de comunicação devem funcionar livremente, respeitando sua pluralidade", afirmou Waldeck.

“Essa rádio tem importante papel para a cultura fluminense. A Nacional foca em gêneros que têm pouco espaço no dial. Precisamos preservá-la como parte da nossa memória e história”, disse Mônica Francisco. (Ascom Waldeck Carneiro)

Foto: Reprodução/Internet

* A Rádio Nacional ocupava cinco andares no antigo prédio do Edifício "A Noite", no Centro do Rio.

21/01/2022

ELZA NÃO COMBINOU COM OS RUSSOS

Copa do Mundo de 1958, Suécia: o Brasil ganhou sem convencer o primeiro jogo e empatou o segundo. Se perdesse da Rússia, que chegou com fama de favorita, voltaria para casa.

Didi junta alguns jogadores e vai procurar o técnico, Vicente Feola: “Professor, Garrincha e Pelé têm que jogar contra a Rússia, senão a gente não ganha.” Feola concordou. No vestiário, diz pra Garrincha: “Você faz isso, faz aquilo”, sugere várias jogadas. Garrincha concorda, mas pergunta: “O senhor já combinou com os russos?” Todos riem porque na sua simplicidade ele via o que o erudito Feola não enxergava. Você joga CONTRA o Outro, que também tem suas jogadas, seu estilo.

Mas não é do Garrincha que eu quero falar.

Quero falar de Elza Soares, que sempre se recusou a combinar com os russos. Eu tinha uns 12 anos, Elza e Garrincha foram morar juntos e a mídia, a classe média, setores populares massacraram Elza Soares, que “roubou o marido de dona Nair”. O marido de dona Nair era Garrincha, tiveram acho que sete filhas. Elza era a piranha, a p**a. Algum tempo depois, Garrincha disse que chegava tarde em Raiz da Serra, depois de treinar o dia inteiro em Botafogo, e tinha que fazer comida porque a mulher não deixou nada pronto para a janta. (Sim, era machista, nunca foi perfeito.)

Apesar do moralismo que desabou sobre o casal, o casamento durou quase 20 anos. Garrincha assinava contratos em branco; quando chegou a velhice, que no futebol da época significava trinta e poucos anos, cheio de injeções no joelho para jogar de “qualquer maneira”, começou a beber e não parou mais.

Cansada das agressões físicas de Garrincha, Elza rompeu o casamento e desfecharam nova campanha: “Ela abandonou Garrincha.” Tal como o personagem machadiano, preso por ter cão, preso por não ter cão. Ela persistiu, namorou homens mais novos (“que sem-vergonha!”), e em 2019 lançou Deus é mulher, uma guinada para outros gêneros, letras antirracistas, uma Elza de esquerda.

Quanto aos pseudomoralistas da época, hoje seriam bolsonaristas, com certeza.

Elza faleceu hoje. Se eu fosse religioso, diria que foi pro céu. Já não diria o mesmo de seus detratores.

Wendell Setubal

31/08/2021

EU FICO. E ELE?

Por Wendell Setubal

COMECEI a escrever textos semanais em 2019, ano em que saí da editora em que trabalhei por 30 anos. Agora, minha contribuição para Fato e Ideias será mensal, pois estrearemos, eu e Cecilia, administradora da página, se possível no dia 8 de setembro, um programa de rádio às quartas-feiras, de 17:30 às 18:30, na Web Rádio Censura Livre, do amigo e lutador social Antônio Figueiredo.

ADMITO que o horário é o de volta para casa e muitos terão dificuldade para ouvir, mas o programa é transmitido no YouTube e poderá ser acessado a qualquer hora.

ELE se chamará DIVERSIDADE e tem lado: será de esquerda, mas, sendo fiel ao título, entrevistará também quem não pensa como a gente.

SERÃO minientrevistas, com pessoas comuns, sem celebridade, uma entrevista maior, um resumo dos últimos dias, um comentário sobre política, intervenções da jornalista Cecilia Setubal e um papo sobre futebol.
Gostaria que tivesse música, mas no YouTube teria de pagar direitos autorais, o que é inviável.

DE 2019 para cá, fiz a chamada análise de conjuntura. Como se faz? Qual o método?

PRIMEIRO, o recorte temporal: analisa o que aconteceu na semana anterior, no mês ou no semestre, no ano etc.

COMPONENTES de uma análise conjuntural: como estão as classes sociais fundamentais, a burguesia e a classe trabalhadora. Como está a economia.

MEUS textos começaram a sair em maio de 2019, e o tema quase sempre foi o governo Bolsonaro. Não se trata de um governo qualquer, é o pior que já tivemos. Sem acúmulo cultural, seus ministros são tão boçais quanto ele. O pastor do MEC. A ridícula Damares. A Coisa que dirige a Fundação Palmares. O estúpido da Cultura. Olavistas. Generais. Vai por aí.

BOLSONARO quer transformar o 7 de Setembro num confronto contra os poderes legislativo e judiciário, e seus asseclas incentivam que venham armados para a manifestação de Brasília.

A MANIFESTAÇÃO de esquerda no Rio, pedindo o Fora Bolsonaro!, será na parte da manhã. Falta menos de um mês para a chegada da primavera, a primeira verdade, o renascer. Quem sabe se esse renascer não vai aparecer no Brasil, cheio de apagões, miséria e exploração? Há muito trabalho a fazer para viabilizar esta primavera. Mãos à obra.

Foto: Ipê-amarelo, árvore símbolo do Brasil. Reprodução/Internet

FERNANDO AMAVA FELIPEPor Wendell SetubalFERNANDO era pernambucano e estudava Direito na Universidade Federal Fluminense ...
08/07/2021

FERNANDO AMAVA FELIPE

Por Wendell Setubal

FERNANDO era pernambucano e estudava Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF). Eu também era da UFF só que estudava Sociologia. Fernando era da Ação Popular (AP) e eu do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ele não tinha emprego fixo e fazia pesquisas, tipo as do Censo do IBGE.

DEPOIS das aulas, às vezes nos encontrávamos na barca que saía de Niterói às 22 horas. Um dia, mencionei que estavam jogando no Chile Botafogo X Colo Colo. Com alguma ingenuidade, ele respondeu que torceria pelo Colo Colo, “time do socialismo”. Vivíamos os tempos de Allende, socialista que presidia o Chile. Fernando era benquisto por toda a esquerda da universidade.

COMO tinha parentes em São Paulo, conseguiu um emprego no Departamento de Águas e mudou-se para lá. Em fevereiro de 1974, veio ao Rio e foi visitar um amigo, Eduardo Collier. Ao chegar ao apartamento, foi preso e levado com Collier, que também era da AP, para o DOI-Codi. Os dois foram assassinados e o corpo nunca devolvido aos familiares. Há uma versão de que teria sido queimado numa casa em Petrópolis.

FERNANDO amava Felipe. Seu filho, nascido em 1972. Às vezes, levava o bebê para as reuniões do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

FERNANDO Santa Cruz era de esquerda. Felipe, atual presidente nacional da OAB, pode sair candidato a governador do Rio pelo PSD de Kassab, apoiado por Eduardo Paes, atual prefeito. Felipe caminha para a direita. No meio do caminho talvez encontre Alexandre Frota, dep**ado federal, que afirmou ter se desligado da direita e se definiu como de centro-esquerda!!!

ESTRANHO país.

***

O PORTEIRO DE PASSEATA

COMOÉQUEÉ? Existe isso?

NA Manifestação de sábado, em São Paulo, militantes da Causa Operária queriam expulsar da passeata militantes do PSDB, do PDT e do PSB. A Causa Operária quer decidir quem pode ou não fazer oposição a Bolsonaro. Quem lhe deu esse poder? A Organização do ato? Não. A Causa é uma organização sectária, que acha o PSOL e o PSTU linha auxiliar do imperialismo norte-americano! Não ganha eleição nem pra síndico com essa posição.

O PROBLEMA é que essa postura espanta trabalhadores que acabam não indo, temendo confusão. Levar na brincadeira esta leviandade, como foi feito em 2013 com os black bloc, idealizando-os, favorece a direita que critica a “intolerância” da esquerda.

PASSEATA não precisa de porteiros. Gostaríamos que os verdadeiros porteiros fossem às manifestações, desde que contra Bolsonaro. Sem patrulhas ideológicas. Que a Causa Operária vá às manifestações e deixe o radicalismo em casa.

*

Fotos: Fernando Santa Cruz e documentos secretos sobre seu desaparecimento em 1974 durante a ditadura militar. Reprodução/Internet (br104.com.br).

02/06/2021

💻 📺 📱 NESTA quarta-feira (02/06), às 9h, numa nova edição do quadro Opinião, o revisor de texto com pós-graduação pela PUC Minas Wendell Setubal destaca...

19/04/2021

Rio de Janeiro na campanha contra o feminicídio!

A partir do dia 29 de abril o Rio de Janeiro entra oficialmente no Levante Feminista Contra o Feminicídio. O lançamento estadual da campanha “Nem Pense em Me Matar” contará com várias atividades, na sua maioria, virtuais, dado o agravamento da pandemia. Entre as cidades fluminenses que participam da campanha, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Niterói compõem uma mobilização regional. No país, são 24 estados envolvidos.

O aumento das taxas de feminicídio ocorrido durante a pandemia de Covid-19 reforçou a necessidade de uma campanha que chame a atenção da sociedade para este fenômeno social. “Nem pense em me matar!” é o grito das mulheres que constroem o Levante, movimento nacional suprapartidário que busca conscientizar, fortalecer as vítimas de violência doméstica para que denunciem o agressor e exigir políticas públicas para a proteção da vida.

O que é o Levante?
O Levante é formado por mulheres negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, das águas, das florestas, antiproibicionistas, parlamentares, dos movimentos LBTQIA+ e de outros segmentos das organizações populares e da sociedade civil.

O movimento pretende manter a campanha por dois anos, com monitoramento de casos, pressão e sensibilização da sociedade para, assim, conter a violência contra as mulheres.



Cartaz com fundo branco. Na parte superior está a figura de um girassol pela metade com folhas verdes. Abaixo, do lado esquerdo, está o texto em letra preta: EU SOU FLUMINENSE E FAÇO PARTE, com a palavra fluminense grifada em amarelo. Do lado direito está a imagem de um calendário com o texto em letra preta: Faltam 10 dias. Logo abaixo, texto em preto e amarelo: Lançamento no Rio. 29 de abril. Fique ligada! No canto esquerdo inferior está a logo da campanha, composta pelo desenho vertical de metade de um girassol com pétalas em tons de amarelo e laranja com miolo marrom, ao lado do qual está a frase: LEVANTE FEMINISTA CONTRA O FEMINICÍDIO, em letra de forma preta.

Fim da descrição.





[SEGUIR NA LUTA E AGRADECER ] Chega ao fim 2020, um ano de desafios e obstáculos nunca enfrentados pela maioria das atua...
22/12/2020

[SEGUIR NA LUTA E AGRADECER ] Chega ao fim 2020, um ano de desafios e obstáculos nunca enfrentados pela maioria das atuais gerações.

Primeiramente, nos solidarizamos com todas as famílias que perderam seus entes queridos para a Covid-19.

Até aqui, apesar dos duros ataques aos direitos da classe trabalhadora, conseguimos superar algumas dificuldades.

O mais duro deles, sem dúvidas, foi noticiar a perda de vidas e a inoperância da maioria das autoridades diante da pandemia.

Disponibilizamos espaço na rádio para especialistas debaterem sobre a doença, mostramos ações solidárias para atender os mais afetados pela crise e cobramos medidas das autoridades para minimizar a situação da maioria da população diante do desemprego e do caos sanitário.

Nossos próximos desafios serão ainda maiores, entre os quais: cobrar dos governos que a vacina contra a Covid-19 chegue para todo(a)s.

Por fim, agradecemos a vocês, ouvinte/internautas, que confiaram no nosso trabalho até aqui.

Também somos gratos aos mantenedores do projeto voluntário da Web Rádio Censura Livre e coladoradore(a)s, que mantiveram acesa a chama do nosso lema que é de ser "A voz da classe trabalhadora".

Um Ano Novo com Saúde!

https://www.facebook.com/149688861907827/posts/1463612513848782/

[SEGUIR NA LUTA E AGRADECER ] Chega ao fim 2020, um ano de desafios e obstáculos nunca enfrentados pela maioria das atuais gerações.

Primeiramente, nos solidarizamos com todas as famílias que perderam seus entes queridos para a Covid-19.

Até aqui, apesar dos duros ataques aos direitos da classe trabalhadora, conseguimos superar algumas dificuldades.

O mais duro deles, sem dúvidas, foi noticiar a perda de vidas e a inoperância da maioria das autoridades diante da pandemia.

Disponibilizamos espaço na rádio para especialistas debaterem sobre a doença, mostramos ações solidárias para atender os mais afetados pela crise e cobramos medidas das autoridades para minimizar a situação da maioria da população diante do desemprego e do caos sanitário.

Nossos próximos desafios serão ainda maiores, entre os quais: cobrar dos governos que a vacina contra a Covid-19 chegue para todo(a)s.

Por fim, agradecemos a vocês, ouvinte/internautas, que confiaram no nosso trabalho até aqui.

Também somos gratos aos mantenedores do projeto voluntário da Web Rádio Censura Livre e coladoradore(a)s, que mantiveram acesa a chama do nosso lema que é de ser "A voz da classe trabalhadora".

Um Ano Novo com Saúde!

BONITINHA, MAS ORDINÁRIA  Por Wendell SetubalESTE é o título de uma peça teatral de Nelson Rodrigues, que conta a histór...
25/10/2020

BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

Por Wendell Setubal

ESTE é o título de uma peça teatral de Nelson Rodrigues, que conta a história de um personagem apaixonado por sua namorada, mas que acaba casando com a filha do patrão, que sofreu um estupro coletivo e não é mais virgem. Além disso, o patrão lhe dá, como recompensa, muito dinheiro. Mas não vou falar de teatro. A bonitinha a que me refiro é a cidade onde nasci, o Rio de Janeiro.

AS PRAIAS, as montanhas, o Aterro do Flamengo, o sol, o Maracanã, a festa de Ano-Novo, a lista é infindável. Ela é bonitinha, mas ordinária: 40% dos seus bairros são controlados pelas milícias, que cobram taxa de proteção, vendem botijão de gás, alugam TV por assinatura, ligada de forma clandestina, e ainda se dedicam à atividade política em favor da extrema-direita. Na área que controlam, só entram panfletos de seus candidatos.

O RIO de Janeiro já teve a classe média mais “do contra” do país. Em 1966, com dois candidatos ao Senado ditos de oposição, o MDB na verdade não tinha nenhum. Benjamin Farah era ligado a Chagas Freitas, dono de dois jornais de grande vendagem, O Dia e A Notícia, mas ligado à ditadura militar. Farah era mais situacionista que Venâncio Igrejas, candidato pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que apoiava a ditadura. O outro candidato da oposição era contra a ditadura, mas moderadíssimo, o jornalista Danton Jobim.

FALTAVAM 15 dias para a eleição e o PCB convenceu Mário Martins a se candidatar. Em 15 dias, ganhou.

(O filho de Mário Martins, Franklin, foi um dos organizadores do sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, que, em troca da libertação do embaixador, exigia liberdade para dezenas de presos políticos e um avião para levá-los ao exterior. Franklin Martins foi assessor de imprensa do governo Lula.)

EM 1962, vindo de Porto Alegre, Brizola se candidatou no Rio a dep**ado federal. Mais de 200 mil votos o elegeram. Em 1984, 1 milhão de pessoas no Comício das Diretas Já! Em 1989, 1 milhão no último comício de Lula.

COMO chegamos à atual situação? A extrema-direita se elegendo com apoio das milícias, e os últimos governadores e candidatos a prefeito presos ou enfrentando processos (Garotinho, Sérgio Cabral, Pezão; Eduardo Paes, Marcelo Crivella e Benedita da Silva).

DEPOIS da redemocratização de 1946, pela influência de Getulio Vargas, o PTB sempre foi forte no Rio, era o partido dos pobres. Sua política era um populismo de esquerda.

HÁ POPULISMO na Rússia, também na Argentina. E aqui no Brasil, o que foi este populismo? Com o deslocamento da população rural, fugindo da seca para as grandes cidades, milhares de pessoas foram incorporadas ao processo político. Lembremos que até 1932 as mulheres não exerciam o direito ao voto; os analfabetos só passaram a votar a partir de 1988, depois da Constituinte. No Rio, o populismo de esquerda e progressista de Brizola, herdado do PTB getulista, decaiu, chegando ao populismo evangélico de Garotinho.

A DESINDUSTRIALIZAÇÃO do Rio foi profunda e a crise da Petrobras, maior compradora de navios, fulminou o setor naval, aumentando o desemprego. Por ter vocação turística, devido às belezas naturais, cresceu a indústria hoteleira, predominando, na economia carioca, o setor de serviços. É uma das cidades mais caras do mundo e com alto índice de trabalhadores na informalidade, com parte dos jovens nos bairros periféricos chamados de Juventude Nem/Nem, nem estuda nem trabalha.

SE FOI sempre difícil para as forças progressistas a organização popular, agora há outro complicador: lideranças de comunidades e pastores evangélicos veem como saída o empreendedorismo, que por aqui significa a uberização e a pejotização, disfarçando precárias relações de trabalho em supostas relações entre iguais. É o que acontece com os motoristas de aplicativos, entregadores por delivery e os serviços prestados por PJs e MEIs às grandes empresas, e são elas que determinam os preços.

POR fim, no início dos anos 1980, foi malsucedida a pretensão do Comando Vermelho de fazer um trabalho político nas favelas. As antigas lideranças, criadoras do CV, que se conheceram no presídio da Ilha Grande, foram presas ou assassinadas, e as novas lideranças, despolitizadas, optaram por entrar no comércio de co***na.

QUANTO às milícias, têm um padrinho poderoso, a família Bolsonaro.

SÓ a ação humana pode destruir as belezas naturais do Rio de Janeiro.

SÓ a ação direta da classe trabalhadora pode destruir o lado sórdido da cidade, o lado ordinário do domínio miliciano. Voltar às ruas que ainda não são dominadas pelo fascismo miliciano é o primeiro passo. Uma vacina contra a inércia.

Foto: Reprodução/Internet

VAI PASSARPor Wendell SetubalA  palavra que ronda a esquerda e os demais setores progressistas é impeachment. Motivos nã...
23/05/2020

VAI PASSAR

Por Wendell Setubal

A palavra que ronda a esquerda e os demais setores progressistas é impeachment. Motivos não faltam no campo jurídico, mas após a pandemia, quando voltarmos ao que chamamos de “normalidade” – ônibus, trens e metrôs cheios, congestionamentos – será essa a preocupação maior da classe trabalhadora?

Em 1992, houve o impeachment de Collor, que indicava ilusoriamente que o ascenso das lutas populares voltara, depois da derrota de Lula para Collor em 1989. As vitórias a partir do fim da ditadura militar impediram que olhássemos o resto do mundo: o capitalismo venceu e a derrubada do Muro de Berlim, a desagregação da União Soviética e a guinada capitalista na China materializaram a derrota histórica da esquerda. A vitória de FHC sobre Lula em 1994 trouxe para o Brasil a nova maneira de o capitalismo aumentar sua taxa de lucro, o neoliberalismo.

Há os que pensam que o neoliberalismo está na UTI, mas, para retomar a economia, os planos dos economistas do governo são de suspender vários encargos trabalhistas, permitindo que os patrões diminuam seus gastos, e retirar direitos sociais dos trabalhadores, com o “nobre” objetivo de gerar empregos e evitar mais demissões.

Em relação aos trabalhadores informais – os que não têm dinheiro, poupança e Netflix, por isso furam o isolamento social, se arriscando, mas tentando garantir o almoço de amanhã – bem, continuarão à deriva.

Com menos recursos por causa das desonerações, o governo arrochará os servidores públicos e tirará da cartola algo parecido com a CPMF, com outro nome, é óbvio.

Alternativa a esse ultraliberalismo seria uma retomada da economia com maior presença do Estado. Se Bolsonaro saísse, esta alternativa não seria o projeto de Mourão, com certeza. Quanto ao impeachment, além dos votos do Centrão, Bolsonaro tem duas milícias: a digital, voltada para os setores elitistas da classe média e o setor popular ligado às grandes igrejas evangélicas, e a milícia armada, que defende o fascismo e o extermínio dos opositores. Caso seu Comandante perca no parlamento, reagirão com violência.

Nada contra o impeachment, mas a luta de classes pós-pandemia é mais importante. Derrotar o Projeto Liberal altera a correlação de forças; priorizar nossos esforços em derrotar o desequilibrado executor do projeto é repetir a ilusão de 1992.

VAI PASSAR, dizem. Se errarmos na tática, vai passar sim, como desenhou o chargista Jaguar, COMO UM TRATOR PELA NOSSA CABEÇA.

Foto: Reprodução/Internet

16/05/2020

IMPEACHMENT PARA FREIXO E BOLSONARO

Por Wendell Setubal

Não, não estou pedindo o impeachment de Marcelo Freixo. Ele desistiu da candidatura a prefeito do Rio impedido pela miopia política de parte da esquerda, inclusive do PSOL.

O Brasil é, de fato, um país bizarro. Na época do nazismo, Stálin impediu que os comunistas alemães formassem uma frente com a social-democracia, elegendo-a como inimigo principal, facilitando a ascensão de Hi**er. Do exílio, Trotsky criticou este sectarismo.

Aqui, no PSOL, setores trotsquistas recusam compor com o PT, exemplo maior de nossa social-democracia tardia. Como Freixo toma posições às vezes sem consultar a direção, foi o pretexto para que surgissem duas candidaturas para disp**ar a convenção: Renato Cinco, vereador e um dos promotores da Marcha pela Liberalização da Maconha, e David Miranda, dep**ado federal, que ocupou o espaço LGBT de Jean Wyllys. Gente boa (conheço Renato desde 2002, na Campanha Contra a Alca), mas suas candidaturas não têm sentido, opondo-se a uma aliança com o PT. Aqui, trotsquista tem a posição estalinista. Somos ou não bizarros?

Fora do PSOL, o PSTU rejeita compor com o PT e os partidos que votam juntos no Congresso também não querem se aliar a Freixo: PCdoB vai de candidatura própria e PDT lança Marta Rocha (você conhece?).

O Rio de Janeiro, que tem tradição de ser “do contra”, vai assistir no segundo turno ao embate entre direita (Eduardo Paes) e extrema-direita (Crivella).

Quanto à crítica a Freixo por se colocar acima da direção, em uma bancada de dez, três resolveram entrar com o pedido de impeachment de Bolsonaro, à revelia dos demais e da direção nacional, que defendia o pedido assinado pelos partidos de centro-esquerda e esquerda. David Miranda foi um desses três.

A esquerda carioca caminha para mais uma derrota, mas, seguindo Geraldo Vandré, “a certeza na mente, a história na mão”.

E sobre Bolsonaro? F**a pra próxima.

Foto: Reprodução/Internet

Endereço

São Gonçalo, RJ

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