18/04/2026
Quando decidi treinar para uma meia maratona, eu não sabia nem onde iria morar ainda. Estava na terceira série da Especialista e apaixonada pela corrida e pelo refúgio que ela me trazia diante da rotina maçante que eu vivia naquele lugar.
Todo mundo sabe que eu comecei a correr porque fraturei o quadril e passei a valorizar algo simples como poder correr, mas por que continuo correndo? Porque a corrida me liberta da minha mente acelerada que não para por 1 segundo.
Quando soube que viria para o extremo Nordeste, eu só conseguia chorar. Eu não sabia o que ia ser de mim e nem como eu ia conseguir tocar a minha vida longe de tudo e todos, mas eu sabia que onde quer que eu estivesse, eu poderia correr para espairecer.
Cheguei em Alcântara em Julho do ano passado e desde Janeiro desse ano estou realmente no ciclo de meia maratona, mas desde que cheguei não sei o que é ficar 1 semana sem correr aqui.
Quando a saudade de casa bate;
Quando o desespero pelo futuro me assusta;
Quando me encontro numa situação de dificuldade que ninguém pode superar além de mim mesma;
Quando me sinto perdida e confusa com quem quero ser…
quando a vida me assusta com as demandas, são nós três únicos quilômetros que essa vila tem, os quais eu transformo em 8, 10, 12 e às vezes até 16… que eu encontro paz e significado.
É na corrida “solitária” e difícil que o Senhor me diz: “sou Eu Quem cuido de você e fui Eu Quem te trouxe pra cá”.
É quando fico nervosa com um treino forte que o Senhor me lembra que a Alegria dEle é a minha força.
E em cada treino eu encontro uma Hellen que jamais pensei que encontraria.
Treino sozinha, treino cansada, treino sem vontade. Mas não deixo de treinar.
Porque não é sobre a linha de chegada da mas sobre quem eu estou me tornando até passar por lá.
Obrigada, Jesus. Por cuidar tão bem de mim e me lembrar sempre que não estou só.