20/11/2025
A nossa história não começa na dor.
Começa no afeto.
Começa no continente onde o mundo nasceu,
onde nossos ancestrais dançavam, nomeavam o tempo,
cuidavam uns dos outros antes que o Brasil existisse.
E mesmo depois de mais de 300 anos de escravidão
e mais de 130 anos de uma abolição sem reparo,
a gente segue inteiro.
Seguimos porque o amor foi o que restou quando tudo faltou.
Foi o afeto que atravessou o Atlântico acorrentado
e ainda assim chegou vivo nas rezas, nos batuques, nas mãos que ergueram outras mãos.
Hoje, 20 de novembro, feriado nacional pelo segundo ano,
não é só sobre Zumbi e Dandara.
É sobre cada pessoa preta que reinventou futuro
quando o país insistia em negar possibilidades.
É sobre as mulheres que curaram feridas com ervas e canto,
sobre os homens que guardaram histórias na memória,
sobre as crianças que aprenderam a sonhar sem terem sido autorizadas.
Somos cura que sobreviveu ao impossível.
Somos o abraço que ampara gerações.
Somos a fé que ninguém apagou.
Olhar pra essa data é lembrar que existimos muito além da violência.
É sobre amor, ancestralidade e reconstrução.
É sobre tomar de volta o que tentaram quebrar em nós.
E que quem escute, entenda:
ser negro no Brasil é transformar ausência em futuro,
é fazer do afeto a nossa força,
é curar o passado enquanto abrimos novos caminhos.
Seguimos.
Pretos.
Negros.
Inteiros.
Poema feito por 💙