23/04/2026
‼️Mandato com Bónus de Balas e Taxa de Portagem‼️
Epah, Moçambique não falha. Aqui a justiça tem imaginação e a polícia tem faro pra dinheiro.
Jotapachoneia fez aquela asneira de ser cidadão. Denunciou magistrados, juntou provas, entregou tudo. Pensou: "Pronto, fiz minha parte". Só que esqueceu que aqui denunciar grande é pedir chuva em época seca (vem, mas vem com trovoada e conta pra pagar).
Uma das juízas que ele denunciou não gostou da piada. Mandou logo um mandato de busca e captura. Até aí, normal. Problema é que na esquadra leram o papel com emoção a mais. Onde estava escrito “busca e captura”, eles entenderam “busca, captura, dispara e cobra”.
Resultado: a nossa polícia, sempre eficiente quando não deve, foi receber o Jotapachoneia com fogo de artifício. Só que o fogo vinha da boca da AK. Começaram a crivar o carro do homem. O vidro de trás partiu-se todo. Partiu-se de susto, coitado. Nem tempo de gritar “calma, chefes, eu já vou”.
Jotapachoneia, teimoso, não quis virar peneira. Pisou no acelerador. Isso é que foi o erro dele. Porque aqui fugir de bala é ofensa grave. É tipo dizer que a polícia não sabe apontar. E eles odeiam ser contrariados.
Chegando em Anchilo, a polícia resolveu ser criativa. “Já que o homem não para, vamos parar o carro”. Pum. Pneu da frente foi-se. O carro ficou a mancar, e Jotapachoneia teve que fazer o que todo moçambicano faz quando o Estado aperta: meteu-se na mata.
E aqui vem a parte nova do contrato: quando o carro parou, já todo esburacado, a polícia fez “revista de rotina”. Rotina deles, não nossa. Resultado? Sumiram com aproximadamente 20 mil meticais que estavam lá. Evaporou. Virou taxa de serviço. Chama-se “imposto de susto”.
É pacote completo: levas tiro, perdes pneu, foges pra mata e ainda patrocinas o matabicho da operação. Nem a Revimo tem portagem tão eficiente.
Agora o homem está em fuga. Sem carro, sem pneu, sem 20 paus. Mas com as provas que a própria justiça exigiu já entregues. Só que parece que o sector de “ler provas” fechou. Só funciona o sector de “ler saldo”.
E assim andamos. O denunciante a dormir com os mosquitos, a juíza a dormir no ar condicionado, e a polícia a contar notas manchadas de vidro partido. Depois dizem que não há investimento no país. Há sim: investimento em intimidação, com retorno garantido.
O mais bonito é a lógica: denuncias crime, viras criminoso. Foges de bala, viras foragido. Entregas prova, viras alvo. Tens dinheiro no carro, viras contribuinte. É o novo ciclo da cidadania.
Antigamente diziam “quem não deve não teme”. Agora é “quem não deve, corre e esconde o bolso”. Porque se ficar, leva chumbo. E se tiver nota, leva limpeza.
Enfim. Vamos só rir pra não chorar. Porque se formos chorar, ainda nos acusam de desperdício de água. E com mandato novo, a próxima taxa pode ser sobre lágrima.
Imagem: Cidade de Nampula, 22/04/2026