10/05/2022
O melhor amigo dos invisíveis
Nada que vivencio nas ruas é tão ruim quanto a solidão que corta como o vento frio da madrugada.
Por mais humilde que seja a casa, por mais que os familiares não se dêem bem, o simples fato de ter um lugar, de ter um rosto conhecido por perto é reconfortante.
É por esse motivo que muitos dos habitantes do País dos Invisíveis tem sempre consigo um cachorro. Eles são a família que perderam, os amigos que se foram. É para eles que são destinados todo o amor que antigos companheiros renegaram. Seus animais são filhos, irmãos e amigos.
Vivem por e para eles.
Muitos deixam de comprar a própria comida para comprar-lhes ração, outros tantos dividem as quentinhas com seus pets, os colocam dentro de suas barracas, embaixo de seus cobertores.
Sofrem na pele todas as vicissitudes, mas evitam que os seus amigos sofram qualquer coisa no pelo.
E se sentem recompensados pelo amor que recebem. O olhar sem julgamentos. Os beijos em forma de lambidas. E sorriem como se tudo estivesse na mais perfeita ordem.
Uma senhora resumiu essa dedicação:
" Meu jovem, quando estou doente, ele não sai do meu lado, se estou triste ele me chama para brincar, se estou com frio, ele chega bem perto como se estivesse me abraçando me aquecendo com seu corpo. Ninguém nunca olhou para mim como ele me olha, ninguém nunca me protegeu como ele me protege, ninguém nunca me amou como ele me ama. E eu também nunca vivi por pessoa alguma, como vivo para ele. Isso só pode ser amor. E é recíproco".
"Quem dera um dia as pessoas pudessem ser puras como são os animais".
Alek Honse é jornalista filósofo e escritor autor de Dani, um mosaico de Canções em volta do fogo, Amor é Solidão, Marquises entre outros.