24/08/2023
Familia de Guenkiti Taira. (Pedro de Toledo)
Por Flavio Tayra - neto
Na casa de madeira e de sapé cheia de vãos que deviam deixar passar
um vento gelado no tempo frio do Vale do Ribeira, mas que permitiam
arejar bem a casa no tempo normal de muito calor, redescubro a família
ainda nos seus primórdios no Brasil. Vejo meu pai ainda menino
(Kazuo, o segundo da esquerda para a direita) e os tios e tias vestindo
as suas melhores roupas; mas ainda assim, com os pés no chão, pois
sapatos eram então um luxo. O sério Guenkiti era ainda um pai moço,
cheio de sonhos e brilho no olhar, fumando seu cigarrinho, movido a
esperança. Quando o conheci, e foi por muito pouco tempo, pois ele
faleceu quando eu ainda não tinha completado cinco anos (em 1974),
me lembro apenas de um senhor velho e cansado. Naquela época, eu
ainda não tinha a dimensão do que ele já tinha enfrentado na vida.
O velho "Odí de Toledo" era muito trabalhador, junto com os filhos
conseguiu sair rápido da posição de peão e meeiro e logo se tornou um
proprietário de terras. Era mesmo necessário muito esforço, coragem e
determinação para vencer os desafios que precisou enfrentar naqueles
dias duros e difíceis: uma terra e língua estranhas, numa região ainda
hoje pobre, em um país ainda em construção. E sem capital algum.
Olhando para essa foto da família de quase 80 anos atrás, só posso
sentir orgulho e gratidão por todo o esforço feito que nos permitem
hoje uma vida que parecia ser inimaginável naquela época, mas que,
com certeza, fazia parte dos seus sonhos. RECONHECIMENTO e
GRATIDÃO é apenas uma síntese de tudo o que eu poderia dizer a eles