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Vor - Inteligência Coletiva Como construir relações no universo digital? Com um pé no mercado e o outro na academia.

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“Ceci n’est pas un maillot.”Isso não é uma camisa. É uma referência.A inscrição aparece discreta na gola do uniforme res...
10/07/2026

“Ceci n’est pas un maillot.”
Isso não é uma camisa. É uma referência.

A inscrição aparece discreta na gola do uniforme reserva da Bélgica para a Copa 2026. É uma citação direta a “A Traição das Imagens”, a obra mais famosa de René Magritte, o quadro que mostra um ca****bo com a frase “Ceci n’est pas une pipe”. Os céus azuis, as bolas flutuantes, as formas circulares que dominam o tecido são todos elementos do vocabulário visual do artista, reinterpretados pela Adidas num contexto completamente diferente.

Se você tem a referência, a camisa vira outra conversa. Se não tem, é só uma camisa.

A referência não é decoração. Ela é a camada que transforma um produto em comunicação. Que transforma uma estampa em argumento. Que transforma quem vê num cúmplice, porque para entender a piada, você precisa saber que existe uma piada.

Isso não é novo. Em 1969, Salvador Dalí estava tomando café com o fundador da Chupa Chups, Enric Bernat, que reclamava do logo da marca. Dalí pegou um jornal que estava por ali e rabiscou o que se tornaria um dos logos mais reconhecidos da história. Em menos de uma hora. O logo está lá até hoje, sem que a maioria das pessoas saiba que aquele desenho saiu da mão do mesmo cara que pintou os relógios derretidos.

Quem trabalha com criação e não tem repertório não está sem inspiração. Está sem munição. Originalidade não nasce do nada. Nasce de conexões entre coisas que já existem, vistas de um ângulo que ninguém havia tentado antes.

Conhecer a história para construir as histórias.

O problema nunca foi a ferramenta.Em janeiro de 2020, 97,84% do conteúdo publicado na internet era escrito por humanos. ...
01/07/2026

O problema nunca foi a ferramenta.

Em janeiro de 2020, 97,84% do conteúdo publicado na internet era escrito por humanos. Em novembro de 2024, essa proporção se inverteu pela primeira vez: a IA ultrapassou os humanos, respondendo por 51,08% dos novos artigos publicados na web. Em maio de 2025, o número chegou a 51,72%. Esses são os dados reais, mês a mês, de um estudo da Graphite que analisou 43.000 URLs do Common Crawl entre janeiro de 2020 e maio de 2025.

Mas a pergunta que importa não é sobre o volume. É sobre o que estamos perdendo quando a lógica produtivista convence as marcas de que conteúdo é frequência. Steven Johnson, em De Onde Vêm as Boas Ideias (2010), desenvolveu o conceito de slow hunch, a intuição lenta. O autor fala que as ideias mais importantes da história não nasceram de um momento “eureka”. Nasceram de um processo longo de incubação, de conexões improváveis, de pensamentos que amadureceram por meses, às vezes anos. Darwin levou décadas para articular a teoria da seleção natural, não porque era lento, mas porque a ideia precisava de tempo para se completar.

A pergunta que f**a é: onde foi parar esse tempo?

Numa internet em que mais da metade do conteúdo já é gerado por IA, e em que marcas são pressionadas a publicar diariamente, o tempo de incubação foi o primeiro a ser eliminado. Não pela ferramenta. Pela pressa. Pela suposta performance. Segundo o Edelman Trust Barometer 2025, 73% das pessoas dizem que sua confiança em uma marca aumentaria se ela refletisse autenticamente a cultura contemporânea. Não se ela publicasse mais. Se ela dissesse algo verdadeiro.

Dá para usar IA e continuar original e autêntico? A gente acha que dá, mas não podemos cair no circuito de produzir por produzir.

Pesquisa consegue adivinhar o futuro? Ou ela cria o futuro que depois afirma ter previsto?Essa pergunta ficou mais concr...
25/06/2026

Pesquisa consegue adivinhar o futuro? Ou ela cria o futuro que depois afirma ter previsto?

Essa pergunta ficou mais concreta nesta Copa. Nike, Adidas, Puma, New Balance, concorrentes, times diferentes e chegaram quase juntas à mesma cor de chuteira. Em 2024, a WGSN apontou “Electric Fuchsia” como tendência. Deu no que deu.

Ninguém errou. A pesquisa é real. O problema é o que o mercado faz com ela, quando todo mundo lê o mesmo relatório, todo mundo otimiza para o mesmo risco.

Tem uma ironia nisso: o McKinsey mostrou branding como prioridade nº1 dos CMOs para 2026, justamente pela diferenciação. Todo mundo concorda que ser diferente importa. Mesmo assim, a chuteira é rosa.

Mas a saída não é fingir que a tendência não existe. Saber que ela vai ser rosa não te obriga a fazer rosa, te dá o direito de subvertê-la com dados, não com palpite. Conhecer o lugar comum é o que te permite escolher, de olhos abertos, não ocupá-lo.

Texto completo no blog. Link na bio.

A gente recebe muito pedido de campanha de projetos que visam performance aqui na agência. E quase sempre o briefing che...
19/06/2026

A gente recebe muito pedido de campanha de projetos que visam performance aqui na agência. E quase sempre o briefing chega com uma promessa implícita: escolha o canal certo, deixe o algoritmo trabalhar, que o gráfico vai subir.

Só que a vida é muito dinâmica. E estamos falando de pessoas.

Quem já geriu uma conta sabe que o caminho até um lead ou uma venda se parece menos com uma escada e mais com um eletrocardiograma.

Teste de criativo que não converte.
Público que cansa antes do esperado.
Canal que satura sem aviso.
Isso não é a campanha falhando. É a campanha acontecendo.

O problema é que existe uma fantasia da linha reta. E quando a oscilação chega, não signif**a trocar de estratégia — signif**a que a estratégia está, de fato, acontecendo.

A gente não promete sucesso permanente. Promete leitura constante. E enquanto todo mundo se surpreende com a queda no meio do gráfico, a gente já está ajustando o público antes que ela aconteça de novo.

A oscilação não é imprevisto. É aprendizagem.

A publicidade tem uma tarefa que parece simples e é das mais difíceis: tornar algo comum. Não banal. Comum no sentido ma...
11/06/2026

A publicidade tem uma tarefa que parece simples e é das mais difíceis: tornar algo comum. Não banal. Comum no sentido mais preciso da palavra, aquilo que atravessa diferenças, que afeta no mesmo lugar emocional em pessoas completamente distintas, que não precisa explicar por que ressoa.

Existe uma conexão etimológica que poucos percebem. Comunicar e comunidade vêm do mesmo radical latino: communis = cm + munus, aquilo que se compartilha como dom entre pessoas.

Roberto Esposito, em Communitas (Stanford University Press, 1998), argumenta que comunidade não é um território a ser defendido, é um vínculo que nos conecta ao outro justamente porque reconhecemos nele algo de nós. Comunicar, na sua origem mais profunda, sempre foi um ato de construir esse comum.

Num tempo de discursos acirrados e identidades fragmentadas, essa capacidade virou ativo raro. E é exatamente aí que entra a Seleção Brasileira, talvez o signo mais poderoso da cultura popular do país. Um símbolo que cada pessoa preenche com o seu próprio signif**ado, mas que todos reconhecem como seu.

Essa é a lição que toda marca pode aprender, com ou sem Copa: o que torna uma mensagem poderosa não é o quanto ela surpreende, é o quanto ela reconhece. Mensagens que tornam comum o que as pessoas já sentem não brigam por atenção. Elas são recebidas como verdade. E verdade, em comunicação, é o começo de qualquer comunidade.

Uma marca não pode tratar essas construções como se fossem uma só. É muitas vezes por não enxergar a diferença entre ess...
03/06/2026

Uma marca não pode tratar essas construções como se fossem uma só. É muitas vezes por não enxergar a diferença entre essas palavras que as métricas essenciais de um projeto não caminham para o sucesso.

Impressão é exposição. Alcance é presença. Audiência é atenção. Comunidade é pertencimento.

Não são métricas equivalentes. São níveis de vínculo completamente diferentes e cada um exige uma estratégia diferente para ser construído.

Número não defende marca. Número só indica quando a estratégia direciona. Nenhum número salva uma marca das imprevisibilidades dos outros agentes do setor.

Garanta a mensagem da sua marca.
Preserve sua audiência.
Construa sua comunidade.
Seja dono dos seus dados.

Prefira menos o conforto de um número grande e mais as relações profundas que geram identif**ação.

Sucesso se mede pelo objetivo.

Tem uma pergunta que a gente não para de fazer aqui na VOR: o que acontece com a comunicação quando o humano sai da equa...
28/05/2026

Tem uma pergunta que a gente não para de fazer aqui na VOR: o que acontece com a comunicação quando o humano sai da equação?

Nosso CCO, Cássio Martinez, escreveu um texto que tenta responder isso, com dados, com referências e com a convicção de quem acredita que tecnologia sem pessoas não chega a lugar nenhum.

Vale a leitura. Link na bio.

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