04/05/2026
Quantas versões suas já f**aram pelo caminho? Quantos sentimentos lindos, quantas formas de ser você precisou deixar ir? E, junto delas, também f**aram sintomas e dores que um dia te atravessaram, mas hoje já não têm o mesmo peso.
Ter carinho por aquilo que se foi não signif**a não gostar de quem você é hoje. Signif**a respeitar cada versão sua que precisou se sacrif**ar para que você chegasse até aqui.
Amar seus méritos — e, principalmente, suas derrotas. Foram elas que te ensinaram que você é capaz de suportar, de atravessar tempestades que você jurava que não aguentaria. E ainda assim… você está aqui, não está?
Às vezes f**a a sensação de que faltam pedaços. E faltam mesmo. Mas é justamente nesses vazios que habita algo profundamente humano: a beleza de sobreviver em fragmentos, de se despedir do que amamos e, ainda assim, continuar.
Não se trata de substituir o que foi perdido. É aprender a viver com o vazio que ficou — e, ao mesmo tempo, com o prazer do que ainda existe no presente. Uma espécie de harmonia estranha, que por vezes parece desordem, mas que talvez só esteja além do que conseguimos compreender.
Às vezes, confiar em si e seguir já é suficiente.
Então chore suas mortes. Ame os “eus” que te trouxeram até aqui. Sinta saudade deles. Mas não deixe de plantar flores no agora — porque terras que já se foram não voltam a dar colheita.
Texto: Carlos Marcato
Imagem da IA