03/09/2026
EXCLUSIVO: A São Paulo Digital teve acesso a documentos referentes a outras três propostas que o SPFC recebeu entre os meses de março e abril no que tange a concorrência do edital da nova tiqueteira.
As empresas que encaminharam tais propostas foram:
- Imply (Eleven Tickets);
- Ingresse;
- Ingresso S.A.
Sobre as propostas:
Imply:
- R$ 200 milhões ao longo do contrato (5 anos), CDI + 8% de juros ao ano, com dois detalhes: Primeiro que o SPFC determinaria o valor que gostaria de receber em caráter imediato, e o segundo é que a data do INICIO DA AMORTIZAÇÃO desse valor, por parte do São Paulo, seria definido entre as partes. Ou seja, sem data determinada na proposta.
Além disso, a Imply pagaria um patrocínio ao clube de R$ 23.750.000,00 por todo o período contratual (R$ 4.750.000,00 por ANO) e, se sua proposta fosse aceita, já teria condições de iniciar a operação e pagar o valor determinado no dia 16 de Julho deste ano.
A taxa que a Imply ganharia sobre venda física e online seria de 10% sobre cada ingresso. O custo com a biometria facial seria de 0,99% no valor bruto da bilheteria de cada jogo. As transações por PIX, o repasse seria imediato, com uma taxa de R$ 0,29 por ingresso comprado via PIX. Também haveria possibilidade, tanto de repasses para as vendas ONLINE, como de antecipação de valores por esse mecanismo, caso o SPFC necessitasse, sob alinhamento das partes.
Ingresse:
- R$ 200 milhões, sendo R$ 100 milhões antecipados para esse ano, e, após amortização desse valor, 50% do volume de venda de ingressos (por ano) em cada um dos demais anos de contrato. A operação funcionaria com CDI + juros de 5,75% a 6% ao ano. O investimento seria feito pela própria empresa, sendo que, caso essa proposta fosse aceita, os valores de patrocínio seriam acertados entre as partes. Importante destacar, neste caso, que a Ingresse, segundo a proposta, não quer ocupar propriedades tradicionais do clube, atualmente rentabilizadas pelo São Paulo. Haveria 50% de taxa de conveniência cobrada nas vendas online direcionada 100% para o CLUBE, com uma estimativa de ganho anual de R$ 4,5 milhões, com outro detalhe: Caso a direção quisesse antecipar esses valores, ela poderia, com condições a serem negociadas. A taxa que a Ingresse ganharia sobre venda física e online seria de 10% sobre cada ingresso. Para transações em Cartão de Crédito, PIX ou boleto, o repasse seria feito de forma imediata, com taxa de 1,9% sobre o valor total.
Ingresso S.A.:
- R$ 150 milhões de antecipação nos três primeiros anos do contrato (26, 27 e 28), f**ando dividido no primeiro ano R$ 60 milhões, no segundo ano R$ 50 milhões, e no terceiro ano R$ 40 milhões. A cada antecipação haveria uma carência de 4 meses de amortização, que obrigatoriamente teria que ser feita em 10 meses, com CDI + 0,75% ao mês (7,5% nos 10 meses somados). Além de R$ 16 milhões em patrocínio nos 5 anos de contrato, sendo feito o repasse em parcelas anuais de R$ 3.2 milhões. A taxa sobre a venda ONLINE seria de 12,5% por ingresso. Não haveria nenhuma cobrança de taxa sobre biometria facial e renda total do borderô.
Detalhes:
- A UNICA empresa que abordou uma proposta sobre aquisição do camarote corporativo, inserido no edital, foi a Imply, oferecendo o pagamento ANUAL de R$ 3.5 milhões (R$ 17,5 milhões ao todo no contrato de 5 anos), sendo esses valores pagos mediante amortização de qualquer pedido de antecipação que o SPFC faça sobre a receita das VENDAS de ingressos ONLINE. Nem Ingresse e Ingresso S.A. apresentaram propostas sobre esse tópico.
- NENHUMA DESSAS TRÊS PROPOSTAS ABORDOU SÓCIO TORCEDOR. Motivo: No edital, não tinha nenhum tópico falando do tema e da necessidade de inserir o programa para o bojo da proposta. Segundo apurações, o São Paulo não procurou as empresas para oferecer uma nova possibilidade de proposta com esse incremento, após a NewC coloca-la SIM na sua abordagem. Na leitura de especialistas procurados pelo canal, a colocação desse produto poderia melhorar, signif**ativamente, as três propostas citadas nesse texto.
- O diretor de marketing que recebeu essas propostas, a época, não era o Andre Marques, atual diretor do segmento no clube. As três propostas citadas foram recebidas enquanto Eduardo Toni era diretor de marketing do SPFC (ele pediu para sair no dia 30 de abril). As negativas dela ocorreu depois de sua saída, em maio, sem identif**ação de pessoas que tomaram a ação até o fechamento dessa matéria. Existe a suspeita de que o ato tenha sido tomado por um integrante ligado ao conselho de administração do São Paulo.
- A principal negativa por parte do clube para as três propostas, segundo fontes ouvidas pelo canal, foi o não cumprimento da clausula 6.1, que determina a aquisição do camarote 29A (corporativo), com capacidade de 595 lugares e 4 vagas de garagem, pelo valor de R$ 30 milhões, onde a aquisição e seu uso seria EXCLUSIVO para jogos de futebol. Para usar o camarote em outros eventos no estádio, como shows, a tiqueteira vencedora do processo precisaria conversar diretamente com a LIVENATION. E é aqui que mora o grande problema. Para os especialistas procurados pela São Paulo Digital, o valor pedido por esse camarote visando seu uso só em jogos de futebol INVIABILIZA qualquer proposta, pois a empresa teria PREJUÍZO, ao invés de LUCRO. Além disso, o fato dessa clausula ser condição si-ne-qua-non para um aceite por parte do clube, coloca em questionamento a lisura do edital, já que a Ticketmaster é subsidiária da Livenation, ou seja, não teria nenhuma perda com o uso desse camarote. Ao contrario, LUCRARIA. Segundo contas, bastaria 5 shows (5 dias) para a empresa americana recuperar os R$ 30 milhões investidos. Nos demais, ela lucraria limpamente. Esse tópico, na leitura do mercado, MACULOU o processo.
Sobre as empresas:
A IMPLY (Eleven Tickets) existe desde 2007, tendo trabalhado ou trabalhando para clubes como Vasco, Athletico-PR, Internacional, Sport, Juventude, Seleção Venezuelana, além de já ter atuado em outros segmentos de tiquetagem em eventos específicos, como Fórmula E, Copa América 2019, Copa do Mundo, Libertadores, Sul-Americana, Oktoberfest, entre outros. O foco da empresa é trabalhar com tecnologia em venda de ingressos, controle de acessos, gestão de sócios-torcedores, sendo uma das líderes do segmento no país.
Já a INGRESSE foi fundada em 2013, criada por Gabriel Benarrós, na cidade de Manaus, Amazonas, atuando com plataforma de venda de ingressos. Sua atuação no futebol se destaca na tiquetagem de Botafogo e Grêmio, onde a empresa cuida também dos programas de sócio-torcedor para ambos os clubes. Além disso, a empresa atua em outras áreas do segmento, como shows, eventos corporativos, cruzeiros, entre outros. A empresa foi uma das que mais teve crescimento em capital de investimento da área nos últimos 5 anos.
Por fim, a INGRESSO S.A. foi criada em 2000, tendo mais de 25 anos de experiência no segmento de tiquetagem. Atualmente, ela tem atuação em clubes com MANDO DE JOGOS de Flamengo, Corinthians e Fluminense, além do sistema de tiquetagem e sócio torcedor para clubes como Vitória, Mirassol, Remo, além dos eventos do Instituto Neymar Junior. Os seus serviços se resume a venda de ingressos, plataforma de sócio-torcedor, reconhecimento facial, aplicativo de celular para clubes e ativação de vendas com mídias pagas. Atualmente, a empresa tem como sócios Roni Santos, Leandro Franco, Sadi Neto e Mayara Teodoro.
A São Paulo Digital f**a a disposição das empresas e pessoas citadas no corpo dessa matéria para maiores esclarecimentos.