03/12/2015
Carta aos Leitores dos Selos Demônio Negro e Edith
Caros amigos,
Muitas pessoas têm nos perguntado por que não encontram os livros dos selos que editamos em livrarias pelo País. A resposta é simples: por que as livrarias não nos pagam! Sim, temos que ficar cobrando! E as que pagam, quando pagam, é sempre em 90 dias. Para uma micro-editora é um custo muito maior que o sacrifício de editar poesia e boa prosa.
Nos três últimos anos tivemos três vencedores do Prêmio Jabuti consecutivamente, nas categorias Poesia e Contos, além de outros autores finalistas. Também tivemos um livro vencedor prêmio Fundação Biblioteca Nacional 2015 (Sem vista para o mar, de Caroline Rodrigues). Juntamente, outras micro-editoras também ganharam prêmios em diversas categorias. Tal reconhecimento, além de dar visibilidade aos autores que editamos, tem levado pessoas e livrarias a procurar cada vez mais nossos livros. Porém, os problemas com a distribuição continuam, isto é, os calotes das livrarias. E para dar nome aos bois, citamos algumas que nos últimos anos nos deram prejuízo, consignado nossos livros:
Livraria Paraty - Paraty (uma das livrarias da Flip 2015) que nem sequer retornam um telefonema.
Livraria Palavraria - Porto Alegre
Distribuidora Paralaxe e Distribuidora ParaTodos (que nunca devolveram nossos livros nem nos pagaram e fecharam quebrando alguns bons editores)
Não colocaremos a Livraria da Vila no rol de caloteiros, mas o sacrifício para receber é constrangedor.
Não cobraremos mais nenhuma dessas livraria. Os prejuízos que tomamos são um custo para nos livrarmos dessas "livrarias" para sempre. Seguimos editando e cada vez mais convictos de que o tempo é outro. E não há por que, em pleno séc XXI, um leitor não encontrar mais um livro. Temos recebido pedidos do Japão, da Suíça, EUA e de entidades e estudiosos de vários países, como do Museu Guggenhein, Galeria Maddox, de Londres, entre outros. E nem temos um site!
Muitos leitores não sabem, mas as livrarias ficam com 50% ou mais do valor de venda de um livro. Se há distribuidoras atravessando, o valor sobe para até 65%. Enquanto houver essa lógica com as livrarias controlando o processo de vendas de livros, menos literatura e poesia haverá nas mãos de quem lê. E menos editoras se sustentarão. E é por isso que projetos tão sólidos como o de Charles Cosac e sua Cosac & Naify naufragam.
A saída, para micro-editoras é vender diretamente ao leitor, nas diversas feiras e eventos literários que hoje se espalham pelo país. Ou em lojas virtuais. E qualquer pessoa pode nos encontrar no Facebook e em outras mídias, como acontece sempre, e encomendar livros, falar de projetos ou simplesmente conversar sobre poesia.
Vida longa aos livros!
www.livrariadoshussardos.com.br