20/07/2026
A reputação de quem lidera não se constrói nos momentos fáceis.
É quando algo sai do script que ela aparece de verdade.
Há muitos anos, trabalhei em uma empresa que cultuava regras de pontualidade. Uma colaboradora começou a se atrasar com frequência e a cada dia, uma desculpa diferente. Para mim, que sempre coloquei resultado acima do horário, não era um problema. Ela entregava. Até que o gerente da área me pediu que a repreendesse.
Eu a chamei, sim, mas antes de pedir qualquer coisa, perguntei o que estava acontecendo.
Ela me disse que a pessoa que f**ava com seus filhos estava de licença médica e a substituta não conseguia chegar mais cedo.
Propus um novo horário com compensações, porque eu sabia que, sem esse ajuste, o gerente chamaria a solução de dádiva. E com isso, inauguramos o horário flexível na empresa. Para todos.
(Por que ela não tinha falado logo no início? Essa parte f**a para o próximo post.)
Em artigo publicado pela HBR, Michael J. Gill, da Universidade de Oxford, reuniu evidências de mais de 250 estudos e mostrou que funcionários quebram regras por razões muito diferentes, como ganho pessoal, pressão do ambiente ou vontade de ajudar alguém.
Três motivações possíveis. Três respostas diferentes.
Um julgamento rápido não chega perto de dar conta de nenhuma delas.
Punir antes de entender resolve o sintoma. A causa f**a intacta, e vai voltar em algum momento.
Entender a razão de determinadas ações é o começo de uma liderança que de fato funciona, pois tem a confiança como base.
E, para quem quer ter sua marca pessoal forte, há um detalhe a mais: as pessoas que trabalham com você não vão lembrar de você pelas regras que você as fez cumprir. Vão lembrar de como você reagiu quando alguém as quebrou.
Curiosidade e interesse pelo outro são uma escolha da liderança. E também, escolhas de reputação.
Você já viveu um momento assim? Como reagiu?