09/02/2026
A Editora 34 lamenta profundamente a morte do tradutor, ator, diretor e dramaturgo Vadim Nikitin, ocorrida no último sábado (7/2). Nascido em Moscou em 7/9/1972, Vadim se mudou para São Paulo aos quatro anos. Formado em Letras pela FFLCH-USP, traduziu obras de Anton Tchekhov, William Shakespeare, Federico García Lorca, Lev Tolstói, Marguerite Duras. Colaborou nas dramaturgias de “O idiota”, de Dostoiévski (dir. Cibele Forjaz), e “O duelo”, de Tchekhov (dir. Georgette Fadel), dirigiu peças, escreveu críticas e textos sobre teatro. Vadim atuou em diversas peças no Teatro Oficina de 1996 a 2005 e trabalhou com artistas como Cibele Forjaz, Georgette Fadel, Bia Lessa, Renato Borghi, Cacá Machado, José Miguel Wisnik, Zé Celso, entre outros. Entre 1997 e 2021, escreveu e dirigiu as peças “Canção de cisne”, variação sobre Tchekhov; “2497 rublos e meio”, série de lazzi dostoievskianos; “A voz que resta”, monólogo para Gustavo Machado (adaptado para o cinema em 2025) e o monólogo-média-metragem “Stavrôguin, eu mesmo”, adaptação de “Os demônios”, de Dostoiévski, para Luah Guimarãez. Para a Editora 34, traduziu os livros “Duas narrativas fantásticas: A dócil e O sonho de um homem ridículo” (2003), de Fiodor Dostoiévski; e “Zoo, ou Cartas não de amor”, de Viktor Chklóvski (2025).
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“Gosto mesmo é de fazer dramaturgia, ou seja, traduzir uma obra, teatral ou literária, para as minhas próprias palavras, que brotam por sua vez da ação do ator e da máquina orgânica do palco. É essa, para mim, a tradução essencial, a palavra transformada em corpo, memória, saudade, ofensa, ação contracenando com o mundo. [...] Quando me entrego a um texto e tento trazê-lo para o português, é sempre uma questão de vida ou morte. Cada palavra, cada expressão, cada vírgula — com o perdão da hipérbole — são náufragos a serem resgatados em mar aberto. No entanto, posso dizer que as traduções do russo são sempre mais espinhudas para mim, porque mexem com o russo que eu poderia ter sido e que não fui. Vim de Moscou para São Paulo aos 4 anos, e acho que nunca acabei de chegar.”
Vadim Nikitin, entrevista à Folha de S. Paulo, 02/08/2010
Foto de Cacá Bernardes, dezembro de 2008