17/12/2025
Joaquim esqueceu ou talvez escolheu não dizer o verdadeiro motivo da minha ida embora. Para todos, ficou a versão rasa, incompleta, como se a decisão tivesse sido repentina ou sem explicação. Mas a verdade é que nada aconteceu de uma hora para outra.
Os sinais já estavam ali havia algum tempo. Silêncios longos, conversas interrompidas, olhares que evitavam os meus. Mesmo assim, eu insistia em acreditar, em juntar pedaços, em salvar o que ainda parecia existir. Até o dia em que descobri as mensagens.
Não foi curiosidade, foi intuição. Algo dentro de mim já gritava que havia mais coisas escondidas do que ditas. Quando li cada palavra, cada troca de afeto que não me pertencia, algo se quebrou de um jeito definitivo. Não era apenas traição — era a confirmação de que eu já não estava mais ali, mesmo estando presente.
Confrontei Joaquim esperando ao menos a verdade inteira, um pedido de desculpas sincero, alguma tentativa real de assumir a responsabilidade. Mas encontrei desculpas, meias verdades e silêncio. Ele preferiu omitir, minimizar, fingir que nada era tão grave assim. Para ele, talvez fosse mais fácil me deixar ir do que encarar o que havia feito.
Foi nesse momento que entendi: não havia mais volta. Não porque faltasse amor da minha parte, mas porque faltava respeito da dele. Ir embora não foi um impulso, foi um ato de sobrevivência. Ficar signif**aria aceitar menos do que eu merecia, aceitar uma história contada pela metade.
Hoje, quando perguntam por que fui embora, poucos sabem a verdade. Joaquim nunca contou o motivo real. Mas eu sei. E isso basta. Algumas despedidas não precisam ser explicadas ao mundo — apenas sentidas por quem teve coragem de partir.