26/02/2026
Hoje é um dia marcante para a Justiça brasileira.
A Justiça não traz de volta Marielle Franco.
Nada pode trazer. Mas é fundamental que a violência que tentou silenciar sua voz não fique sem resposta — e que atrocidades como essa nunca mais se repitam.
Há exatamente dez anos, tive a honra de trabalhar com Marielle, quando eu estava à frente da Vila Sésamo no Brasil.
Em 2016, desenvolvemos o projeto Vivendo Juntos, em parceria com a Fundação Bernard van Leer, voltado à prevenção da violência doméstica no Complexo da Maré. Marielle foi nossa coordenadora local.
Foi ela quem tornou possível que estivéssemos ali.
Conversou com lideranças, construiu confiança, abriu caminhos para que pudéssemos filmar na Maré, com crianças da própria Maré. Sem essa articulação, o projeto não teria acontecido.
Lembro da sua escuta atenta, da firmeza tranquila, da clareza com que defendia direitos sem jamais perder o vínculo com o território. Marielle entendia que transformação social começa na infância, começa na dignidade, começa no pertencimento.
Das oficinas nasceram histórias em animação criadas com as crianças — e um personagem foi inspirado nela. Porque aquelas meninas precisavam se reconhecer em alguém que vinha do mesmo lugar e mostrava, com naturalidade, que era possível ocupar qualquer espaço.
Hoje trago essa memória com carinho e respeito.
Do trabalho que realizamos juntos.
Da ponte que ela foi.
Da confiança que construiu.
Que a Justiça avance sempre.
Que a memória permaneça viva.
Marielle presente.
.sati