01/07/2026
Quando chegam as férias, eu percebo que muitos pais de crianças autistas ficam apreensivos.
“Será que meu filho vai perder o ritmo?”
“Será que vai regredir?”
E existe outra preocupação que escuto com frequência:
“Se eu não mantiver a rotina, ele vai ficar agitado.”
Eu entendo esse sentimento.
Mas, com o tempo, aprendi a olhar para as férias de um jeito diferente.
As férias também podem fazer parte do tratamento.
Uma pausa planejada, na maioria das vezes, não significa perda de evolução.
As crianças passam o ano inteiro entre escola, terapias, consultas e uma rotina cheia de compromissos. Elas também se cansam.
Descansar, brincar, acordar sem tanta pressa e viver experiências diferentes também faz parte do desenvolvimento.
Além disso, esse pode ser um momento valioso para trabalhar, de forma gradual e respeitosa, um pouco mais de flexibilidade na rotina. Nem tudo precisa acontecer exatamente da mesma maneira todos os dias.
E se a criança ficar mais agitada, vale lembrar que agitação é um comportamento, não um diagnóstico. Ela pode estar comunicando cansaço, desconforto, ansiedade, dificuldade com mudanças ou até uma necessidade que ainda não consegue expressar, principalmente nas crianças com comunicação limitada.
Por isso, antes de pensar que ela “precisa de mais atividades”, vale a pena tentar entender o que esse comportamento está querendo comunicar.
As férias também podem ser um excelente momento para organizar a alimentação, colocar em prática estratégias nutricionais, revisar suplementações quando indicadas, observar a criança com mais calma e, principalmente, treinar a pausa. Nem sempre precisamos preencher todos os espaços do dia.
E tem uma pessoa que também merece esse cuidado: quem cuida.
A rotina de uma família atípica exige muito, física e emocionalmente. Se existir a oportunidade de desacelerar um pouco, aproveite sem culpa.
Porque o desenvolvimento não acontece apenas dentro da terapia.
Ele também acontece na vida. 🤍