04/06/2026
🔴 O Turismo Virou Artigo de Luxo? Conheça os "Culpados" pelas Taxas que Pesam no Seu Bolso
Viajar pelo Brasil está cada vez mais caro, e não estamos falando apenas de passagens aéreas ou hospedagem. Uma nova barreira financeira vem se espalhando pelas cidades mais bonitas do país: as taxas de turismo e preservação ambiental.
Criadas sob a justificativa de proteger a natureza e bancar a infraestrutura local, essas cobranças geram revolta. Para muitos, a conta está sendo repassada de forma injusta para o turista — que já paga impostos altíssimos o ano inteiro —, transformando paraísos naturais em destinos exclusivos para os mais ricos e barrando o cidadão comum de baixa renda.
Para entender como chegamos a esse cenário, levantamos a origem das taxas nos quatro destinos mais famosos do Brasil. Quem inventou e assinou essas leis? Confira:
1. Fernando de Noronha (Pernambuco)
A Taxa: Taxa de Preservação Ambiental (TPA). Custa R$ 105,79 por dia de permanência (um total de R$ 520,50 para 5 dias), além da taxa do Parque Nacional controlada pelo governo federal.
Quem Criou: O arquipélago é um distrito estadual pertencente a Pernambuco. A TPA foi instituída originalmente pela Lei nº 10.403, de 29 de dezembro de 1989, sancionada pelo então governador do estado, Miguel Arraes. Ao longo dos anos, diversos governadores subsequentes mantiveram e reajustaram os valores de forma progressiva.
2. Morro de São Paulo (Cairu - Bahia)
A Taxa: Tarifa por Uso do Patrimônio do Arquipélago (TUPA). O valor saltou recentemente para R$ 70,00 por pessoa apenas para entrar na vila, com previsão de subir para R$ 90,00.
Quem Criou: A taxa é de responsabilidade do município de Cairu. Ela foi atualizada e teve o aumento aprovado no fim de 2025 pela Câmara de Vereadores, sob a gestão do atual prefeito Hildécio Meireles, que justificou a cobrança pelo alto custo de manutenção do lixo e segurança pública gerados pelos mais de 280 mil turistas anuais.
3. Vila de Jericoacoara (Jijoca de Jericoacoara - Ceará)
A Taxa: Taxa de Turismo Sustentável. Custa R$ 41,50 para uma estadia de até 10 dias por pessoa.
Quem Criou: A lei complementar (nº 107/2015) foi de autoria do ex-prefeito Lindomar Filomeno, mas enfrentou forte resistência popular e não foi aplicada de imediato. A taxa só passou a ser cobrada na prática em 2017, após o prefeito seguinte, Lindbergh Martins, assinar um termo de compromisso com moradores e empresários locais para garantir o repasse de parte do dinheiro para melhorias diretas na Vila.
4. Bombinhas (Santa Catarina)
A Taxa: Taxa de Preservação Ambiental (TPA). Cobrada por veículo a cada entrada na cidade durante a alta temporada (novembro a abril). Carros de passeio pagam R$ 38,00.
Quem Criou: Foi instituída através da Lei Complementar nº 185/2013, criada e defendida na época pela prefeita Ana Paula da Silva (Paulinha). O tributo é alvo constante de disputas judiciais e projetos de deputados estaduais que tentam derrubar a cobrança, mas a prefeitura segue aplicando a taxa sob a justificativa de custear a limpeza das praias no verão.
💬 Você Sabia? O Debate Está Lançado
O Brasil é um dos maiores potenciais mundiais em créditos de carbono e arrecada bilhões anualmente com o Imposto de Renda e outros tributos nacionais. Diante disso, o cidadão se pergunta: por que esse dinheiro não retorna para os estados cuidarem do meio ambiente? Por que o turista é quem precisa pagar o custeio dessas prefeituras?
Se cidades gigantescas e altamente turísticas como São Paulo decidissem cobrar taxas por visitante, o impacto econômico e a revolta seriam imediatos. No entanto, nos paraísos litorâneos e isolados, os políticos locais encontram o caminho livre para criar barreiras financeiras que sufocam o bolso do trabalhador brasileiro.
O Turista Já Paga o Custeio da Cidade no Consumo
O argumento de que a taxa serve para cobrir os custos com o lixo e a infraestrutura gerados pelos visitantes cai por terra quando analisamos a realidade do comércio local. O turista já paga mais caro por tudo quando viaja. Seja no restaurante, na hospedagem, no passeio ou no simples consumo de água e alimentação, o preço cobrado nos destinos turísticos já é inflacionado e traz embutido uma carga altíssima de impostos locais (como o ISS e o ICMS). Ou seja: o visitante já financia a coleta de lixo, a segurança e a manutenção da cidade através do seu consumo diário. Cobrar uma taxa extra na entrada é uma clara rodada dupla de cobrança (bitributação disfarçada), punindo quem já sustenta o comércio e os empregos da região.
E você, concorda com a cobrança dessas taxas turísticas? Acha que elas realmente ajudam a preservar a natureza ou são apenas uma forma de exclusão social e arrecadação fácil para os governantes? Deixe o seu relato nos comentários!