Paulo Silvestre

Paulo Silvestre LinkedIn Top Voice: um dos brasileiros mais influentes na rede.
3° brasileiro com mais seguidores no LinkedIn. Consultor, palestrante e professor

O futuro da inteligência artificial está muito mais perto dos agentes que da inteligência artificial geral.Na verdade, o...
31/10/2024

O futuro da inteligência artificial está muito mais perto dos agentes que da inteligência artificial geral.

Na verdade, os agentes, sistemas de IA autônomos ou semiautônomos para realizar tarefas específ**as a partir de observações do ambiente ou da análise de dados, já existem em grande quantidade e não param de aumentar: nas diferentes atividades das empresas, nos carros, nos aspiradores de pó!

Já a inteligência artificial geral, aquela cujo comportamento se assemelharia ao de seres humanos, com autonomia para realizar sem estímulo tarefas complexas, ainda é uma incógnita. Muitos pesquisadores sérios afirmam categoricamente que não chegaremos a ela. Outros afirmam que ela pode acontecer ainda nessa década.

Nessa quarta, durante evento promovido pela empresa Pipefy, a futurista Martha Gabriel, me disse que essa perspectiva se torna cada vez mais plausível, pelo avanço galopante da IA. Para ela, podemos ver mesmo a IA geral nos próximos anos.

Já Alessio Silva Alionco, CEO da Pipefy, conversou comigo sobre a importância dos agentes como ferramentas poderosas para levar a IA para a solução muito eficiente de problemas dos mais variados. Ele mencionou como a IA, apesar de entrar cada vez mais nas empresas, ainda está longe das equipes de negócios. Isso é algo que precisa ser corrigido para o posicionamento das mais diversas companhias, em um mundo acelerado e profundamente competitivo.

A IA geral se tornou o Santo Graal das empresas que desenvolvem essa tecnologia, e é realmente um troféu reluzente. Mas para trazer a IA para o cotidiano das empresas e das pessoas, os agentes são uma realidade ao alcance das mãos agora.

Agradeço a Luis Claudio Allan e a Isabela D. Allan pelo convite para o evento.

E você, como está usando a IA? Já criou algum agente para chamar de seu?

Qual é o papel dos pais na educação digital de seus filhos?Ele é decisivo! Mas infelizmente, em muitos casos, o que se v...
30/10/2024

Qual é o papel dos pais na educação digital de seus filhos?

Ele é decisivo! Mas infelizmente, em muitos casos, o que se vê é mais uma deseducação digital.

Crianças aprendem pelo exemplo. E se os pequenos observam seus pais abduzidos pelas telas, entenderão que isso é normal e até desejável. Portanto, esteja preparado para seus filhos usarem o celular à mesa, sem interagir com quem estiver a seu redor, se você costuma fazer isso.

Alguns pais também usam smartphones e tablets como “chupetas digitais”, para apaziguar crianças saudavelmente inquietas. Essa prática poderá criar adolescentes e adultos ansiosos, intolerantes e viciados em tecnologia.

Mas mesmo sem esses maus exemplos, os smartphones estão cada vez mais impregnados nas vidas infantis, desde muito cedo. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023, o primeiro contato com esses aparelhos de crianças e adolescentes brasileiros aconteceu até os 6 anos de idade para 24% deles!

Nos últimos meses, o Brasil vem discutindo intensamente a restrição de smartphones em salas de aula, pelo prejuízo pedagógico que causam. Pesquisas apontam que os pais defendem essa restrição, mas paradoxalmente muitos deles exigem poder falar com seus filhos a qualquer momento, mesmo durante a aula.

A escola ganha então um novo papel: o de educar os pais no convívio digital, uma habilidade que muitos deles não dominam.

Para isso, os professores precisam ter sua autonomia e autoridade resgatadas por boas políticas educacionais e pelas instituições de ensino. Quanto às famílias, devem trabalhar com as escolas para a criação de limites a seus filhos, respeitando e valorizando os educadores.

Para entender mais sobre o debate em torno da proibição de smartphones nas salas de aula, convido você a ler esse meu artigo. E depois conte nos comentários o que você acha dessa medida.

Confira em https://paulosilvestre.com.br/celular-na-sala-de-aula-nao-deve-ser-banido-e-sim-usado-com-orientacao/

Quando eu era head de conteúdo didático digital da Editora Saraiva, há cerca de 15 anos, pude me aprofundar em uma área ...
29/10/2024

Quando eu era head de conteúdo didático digital da Editora Saraiva, há cerca de 15 anos, pude me aprofundar em uma área ainda incipiente no país então: a da tecnologia educacional. E muito mais que equipamentos e programas, aprendi que o aspecto humano é fundamental para o sucesso de qualquer digitalização de escolas. Passados esses anos, isso continua valendo.

O Congresso Nacional deve votar, até o fim do ano, se smartphones devem ter seu uso restrito em salas de aula. O projeto de lei determina que esses equipamentos sejam permitidos apenas em atividades pedagógicas e sob orientação do professor.

Mas os professores estão prontos para desempenhar essa tarefa? Naturalmente todos usam smartphones em seu cotidiano, mas incluir criativamente esses equipamentos em seus planos de aula é outra história!

Um dos episódios mais marcantes daquela minha experiência profissional foi uma reunião com professores de algumas das melhores escolas de São Paulo. Nela, uma professora ainda jovem desabafou, aos prantos, dizendo que não conseguia usar a tecnologia digital em suas aulas e que se sentia muito ameaçada por ela.

Alguém pode dizer que, depois de tanto tempo, esse cenário evoluiu. Pode ser verdade para algumas ilhas de excelência, mas receio que não seja o caso para a maioria dos docentes.

Durante a pandemia, vimos professores heroicamente tentando encontrar maneiras de ensinar online. E foi um processo sofrido!

Outro exemplo importante foi o projeto One Laptop Per Child (foto), lançado em 2005 por Nicholas Negroponte, fundador do Media Lab, do MIT. Ele propunha o uso de notebooks de US$ 100 para crianças estudarem melhor. O projeto foi implantado em alguns países, mas em muitos casos (inclusive no Brasil) não evoluiu porque os professores não sabiam o que fazer com eles.

De volta ao projeto de lei em debate, não resta dúvidas de que o acesso livre aos próprios celulares prejudica a compreensão e a memorização dos conteúdos pelos alunos. Por outro lado, há uma demanda por uma educação mais digital.

Novamente esse trabalho recai sobre o professor, já sobrecarregado de atividades, que as realiza com pouco apoio e com reconhecimento social baixíssimo. Mas é ele o fio condutor do processo educacional!

Diante disso, o projeto de lei acerta ao restringir o acesso livre aos smartphones em sala de aula. Mas não deve se prestar ao simples banimento da tecnologia das escolas, pois vivemos em um mundo profundamente digital, e as crianças precisam aprender a usar a tecnologia de forma produtiva e responsável.

Governos, escolas e famílias devem se unir e apoiar os professores, nessa tarefa. Por mais tecnológica que seja, ela só será bem-sucedida com a humanidade dos mestres, capazes de ensinar, mas também de engajar e acolher seus alunos usando os recursos disponíveis.

“Vamos todos morrer uma morte horrível por causa da IA?”Quando o ChatGPT surgiu, no fim de 2022, muita gente ficou com m...
27/10/2024

“Vamos todos morrer uma morte horrível por causa da IA?”

Quando o ChatGPT surgiu, no fim de 2022, muita gente ficou com medo de sua incrível capacidade conversacional e produtiva, e me faziam principalmente duas perguntas: se perderiam seus trabalhos para o robô (o que pode acontecer) e o temor máximo acima.

Passados dois anos, podemos dizer que as máquinas não nos exterminarão. Mas de onde vem esse medo?

Certamente há uma fortíssima influência da ficção! E talvez a obra mais emblemática disso completou 40 anos nesse sábado: “O Exterminador do Futuro”.

Estrelados por Arnold Schwarzenegger, a franquia com seis filmes e duas séries criou um mundo distópico em que a inteligência artificial do supercomputador Skynet se torna autônoma. A máquina então conclui que os seres humanos seriam uma ameaça a sua “vida”, e decide matar todo mundo, primeiramente com um ataque nuclear em massa, e depois com um exército de robôs exterminadores.

O sucesso do filme dirigido por James Cameron foi tão grande, que influenciou decisivamente a indústria do entretenimento e o ideário popular. Desde então, o roteiro de máquinas inteligentes eliminando humanos foi copiado inúmeras vezes.

Espero que isso continue apenas na ficção, mas, na dúvida, é bom começar a tratar bem seu aspirador de pó robô!

“Facebook? Não uso mais!”Ouço muita gente dizendo que abandonou de vez a principal rede de Mark Zuckerberg (foto). E o m...
26/10/2024

“Facebook? Não uso mais!”

Ouço muita gente dizendo que abandonou de vez a principal rede de Mark Zuckerberg (foto). E o mercado corrobora que ela está efetivamente em declínio. Mas está muito longe de estar morta!

O Facebook ainda é a maior rede do mundo em usuários. E olhando para a meus contatos, ela ainda é consideravelmente ativa!

Mas podemos perguntar qual é a qualidade dessas atividades e como os mais jovens encaram a plataforma. Aí a coisa f**a realmente tensa!

Outras redes, especialmente o TikTok, vem ganhando enorme relevância com a Geração Z, levando uma fatia expressiva dos investimentos das marcas em publicidade.

Por isso, a Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) anunciou recentemente várias novidades no Facebook para tentar atrair esse público. Entre elas, estão uma aba Local, com publicações do Marketplace, Grupos e Eventos próximos à sua localização, e uma aba Explorar, semelhante à guia do Instagram com o mesmo nome, com postagens selecionadas a partir dos interesses dos usuários.

Alguns recursos também copiam ideias de outras redes, como uma aba Reels mais evidente na navegação, com um player de vídeo em tela cheia criado para rolagem contínua, e um recurso para começar relacionamentos.

A inteligência artificial também dá suas caras, em pesquisas em grupos, para ajudar os usuários a procurar publicações que respondam a perguntas feitas anteriormente em uma comunidade, e na edição e pesquisa de fotos, que permitirão que se encontre e se crie imagens com ajuda da IA.

As novidades serão liberadas gradativamente para os usuários ao longo dos próximos meses.

O mercado vem premiando os esforços da Meta. Suas ações subiram 23% desde que divulgou vendas acima do esperado no segundo trimestre e começou a investir em IA. Resta saber se os novos recursos tornarão essa rede mais atraente para os jovens.

E você, o que faz no Facebook? Tem usado mais ou menos a rede?

O clima fechou no evento Bloomberg New Economy at B20, que reuniu em São Paulo, na quarta, grandes nomes do mundo empres...
25/10/2024

O clima fechou no evento Bloomberg New Economy at B20, que reuniu em São Paulo, na quarta, grandes nomes do mundo empresarial: no palco, o publicitário Nizan Guanaes, CEO da agência N.ideas (à direita, na foto), bateu boca com Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil (à esquerda).

Durante o debate “O dilema digital”, Coelho dizia que o Google não pode remover por conta própria conteúdos, fazendo isso apenas quando há uma ordem judicial. Nesse momento, Guanaes o interrompeu: “Você está mentindo! Minha esposa ficou quatro anos tentando provar algo, que o Ministério Público já havia confirmado, e eu enviei a você.” E acrescentou: “Ódio não é conteúdo! Você não pode pôr isso na televisão, não pode pôr isso na imprensa. Então vocês não podem seguir outras regras!”

O publicitário se referia ao incidente relativo à festa de aniversário de 50 anos de sua esposa, Donata Meirelles, que aconteceu em 2019. Algumas pessoas consideraram a temática do evento ra***ta, e ela foi condenada pelo “tribunal da Internet”, o que a levou até a deixar seu trabalho.

Coelho se defendeu dizendo que, se houvesse uma liminar, o Google teria removido os conteúdos. Mas Guanaes insistiu: “desculpe, eu acho que eu não estou sendo muito gentil com você, mas você não está sendo gentil, de forma alguma, comigo, com minha esposa e com a democracia.”

“Eu sou um capitalista absoluto, mas tem que existir regras”, acrescentou. Disse ainda que o Google, não quer pagar direitos autorais à imprensa e a produtores de conteúdo, e usa seu poder para influenciar governos. “Se o Google está no Brasil, ele precisa de alguém para dizer ‘não’, ele não pode ser regulado de fora”, concluiu.

Esse é um debate quente! Governos do mundo todo, inclusive no Brasil, tentam criar regras para responsabilizar as plataformas digitais pelo conteúdo que existe nelas. Mas elas escapam usando legislações como o Marco Civil da Internet, no Brasil, e a Seção 230 do Communications Decency Act, nos EUA.

Essas leis foram criadas em um momento em que essas plataformas eram simples repositórios de conteúdos de terceiros, sem qualquer interferência no que seus usuários veriam. Aquelas regras faziam sentido então.

Mas isso não é mais verdade há muitos anos! A partir do momento em que essas empresas criaram algoritmos que determinam o que seus bilhões de usuários verão, para aumentar o engajamento e, com isso, seu lucro, elas abandonaram a posição de neutralidade que a legislação prevê. E como Guanaes deixou claro, o conteúdo de ódio é um dos mais promovidos por essas plataformas, pois ele engaja mais e, consequentemente, gera mais lucro para as big techs.

Será então legítimo que elas continuem usando essas legislações para se postar como defensoras da “liberdade de expressão”? Ou elas apenas querem se isentar de responsabilidades de algo que provoca muitos danos a sociedade, em nome de seu lucro?

Será que as pessoas são capazes de se defender da desinformação por seus próprios meios?Esse é um pilar da minha pesquis...
24/10/2024

Será que as pessoas são capazes de se defender da desinformação por seus próprios meios?

Esse é um pilar da minha pesquisa de doutorado, onde estudo o impacto da inteligência artificial nesse tema. Sobre isso, tive uma interessante conversa com o professor da Universidade de Oxford William Dutton (foto), que respondeu algumas perguntas minhas, diretamente do Global Cybersecurity Forum, que aconteceu em Riade, capital da Arábia Saudita.

O tema gera debates. Alguns dos maiores pesquisadores mundiais afirmam que a IA pode agravar a desinformação. Entre eles, está Geoffrey Hinton (Universidade de Toronto), recém-laureado como Nobel de Física e considerado o “padrinho da IA”, e o pioneiro em filosofia da informação Luciano Floridi (Universidade de Yale). Para eles, a IA pode identif**ar nossos desejos e medos e produzir conteúdos incrivelmente convincentes a partir deles, para que grupos de poder atinjam seus objetivos.

Dutton acredita que as mídias digitais podem ampliar a disseminação de informações enviesadas. Mas afirma que as pessoas não são passivas no processo, podendo encontrar a verdade em buscadores, sites oficiais ou de notícias, e conversando com amigos e familiares.

Ele até diminuiu a importância dos “filtros de bolha”, característica de todas as redes sociais, que envolve seus usuários em conteúdos que reforçam suas crenças, para manipulá-los. Para o professor, isso não passaria de um “mito tecnológico determinista”.

Dutton afirma que o problema não são as plataformas, e sim os usuários. “Se quiserem, então sabem que podem obter o que desejarem deste canal de televisão e deste site, e f**arão felizes”, acrescenta.

Ele faz coro àqueles que acreditam que a criação de regras de responsabilização das redes sociais pelo seu papel na desinformação seria nociva, levando à censura e ameaçando a liberdade de expressão.

Respeito a trajetória do Dutton, mas como pesquisador não posso concordar com ele nesses pontos, alinhando-me com Hinton e Floridi. Um dos maiores desafios dessa geração é escapar do controle dos algoritmos que aprisionam seus usuários em bolhas de pensamento único.

Chega a ser ingênuo acreditar que as pessoas podem simplesmente escapar dessa manipulação quando quiserem. Um dos aspectos mais graves da desinformação reside justamente no processo de degradação cognitiva que impede as pessoas de fazerem esses movimentos. E afirmar que família e amigos seriam recursos para a verdade é ainda mais grave, pois são reconhecidos vetores de confirmação de crenças.

Por fim, ser contrário a responsabilização das big techs demonstra uma grande permissividade diante do irrefutável papel dessas empresas na degradação social em que vivemos.

Uma das belezas da ciência é buscar a verdade pela observação e pelo debate. Agradeço ao professor Dutton por essa chance.

E você, acha que as pessoas podem se livrar da desinformação apenas querendo isso?

Como dizia um famoso comercial da Folha de S.Paulo de 1987, “é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade...
23/10/2024

Como dizia um famoso comercial da Folha de S.Paulo de 1987, “é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade”. Esse recurso vem sendo usado contra nós há muitos anos.

Muita gente acha que a desinformação acontece apenas com mentiras explícitas. Mas ela pode acontecer de muitas outras formas, até mesmo com verdades tiradas de seu contexto original. Outra prática é inundar o debate público com tantas informações, que as pessoas perdem a capacidade de discernir entre o verdadeiro e o falso.

É o que vem acontecendo quando as big techs tentam nos convencer a usar suas plataformas de inteligência artificial. Longe de mim dizer que essa tecnologia não deva ser usada, muito pelo contrário: sua capacidade de transformação social é imensa, e precisamos nos apropriar disso. Mas ela não é perfeita e um desenvolvimento descontrolado pode trazer sérios problemas sociais.

As big techs querem que vejamos só a parte boa. Por isso, praticam a desinformação com verdades ou meias-verdades, que são despejadas sobre nós por todos os meios. E isso tem surtido o efeito que desejam, com uma parcela signif**ativa da população apoiando a IA de forma irrestrita e até inconsequente.

Quando algumas dessas pessoas perdem o emprego porque sua função foi automatizada pela IA, f**am indignadas: afinal, já usavam a tecnologia! Mas não percebem que a usavam mal, “cavando a própria cova”.

Tudo isso cria uma visão pouco crítica sobre a IA, da mesma forma que muita gente não consegue ver os problemas das redes sociais. Precisamos de mais pesquisas independentes que abordem os benefícios e os riscos da IA. Caso contrário, esse processo de degradação cognitiva seguirá seu curso.

Temos que nos apropriar de tudo de bom que a IA nos oferece. Mas não podemos ter nossa opinião manipulada e nosso senso crítico achatado pela desinformação.

Nesse artigo, explico como isso acontece e por que alguns dos nomes mais importantes da IA, como Geoffrey Hinton, vencedor do Nobel de Física desse ano (à direita na imagem), trabalham nessa conscientização. Confira em https://paulosilvestre.com.br/a-ia-podera-curar-o-cancer-mas-nao-podemos-ignorar-seus-riscos-pelos-beneficios/

Você acha que as empresas são pouco claras sobre os riscos da IA?

Hoje compramos de tudo online! Mas nem sempre foi assim: quando o comércio eletrônico surgiu, as pessoas desconfiavam mu...
22/10/2024

Hoje compramos de tudo online! Mas nem sempre foi assim: quando o comércio eletrônico surgiu, as pessoas desconfiavam muito daquilo. O modelo só deu certo porque as primeiras empresas do setor –especialmente a Amazon (na foto, seu CEO, Jeff Bezos, em 1997)– trabalharam duro para convencer os clientes de sua conveniência, confiabilidade e segurança.

Quanto mais inovador for um produto ou tecnologia, mais ceticismo despertará nas pessoas, pela sensação de desconhecimento, falta de controle e impacto em suas vidas.

Passamos agora por outra disrupção tecnológica, com a inteligência artificial, que promete aumentar dramaticamente a nossa eficiência. Mas essa tecnologia também desperta desconfiança, pelos seus impactos no desemprego, na privacidade de dados, na vigilância em massa, na falta de transparência, na manipulação pública e no aumento da desigualdade social.

Está na hora das big techs convencerem a população de que a IA é tão segura, quanto poderosa. Há, entretanto, uma diferença fundamental entre aquela abordagem da Amazon e a dessas empresas. Enquanto a primeira ajustava seus processos para uma operação centralizada no benefício dos clientes, essas outras preferem minimizar os riscos que a IA pode causar.

Elas apresentam a IA como uma revolução inevitável, e que pessoas, empresas e até países que não a abraçarem serão inexoravelmente ultrapassados. Além disso, trabalham intensamente para que possam desenvolver a IA com regras mínimas ou nulas, argumentando que elas atrasariam decisivamente a inovação.

Não é uma estratégia nova. Durante o crescimento das redes sociais e dos smartphones, essas empresas adotaram uma postura semelhante, resistindo a regulamentações e a assumir responsabilidade pelo conteúdo publicado em suas plataformas. Isso levou a problemas graves, como a explosão de fake news e de discursos de ódio, polarização social e intolerância, manipulação de eleições e prejuízos à saúde mental dos usuários.

O histórico das big techs mostra que a falta de regras pode ter consequências para a sociedade muito negativas e de difícil correção. Essas empresas precisam de ações que realmente privilegiem os interesses dos clientes, mas insistem em adotar medidas paliativas e apenas quando são pressionadas.

O exemplo da Amazon em seus primórdios demonstra que os clientes abraçam um negócio que equilibra inovação com confiança. Mas como as big techs demonstram estar mais interessadas em seguir com as mesmas práticas das redes sociais, o necessário cuidado precisará vir de legislações como a europeia AI Act, que se baseia nos potenciais riscos dos diferentes usos da IA.

Poderia ser diferente. Deveria ser! Mas está faltando responsabilidade a muita gente no mercado.

Será que o termo “engenharia de prompt” define bem a nossa interação com a inteligência artificial generativa? Santaella...
20/10/2024

Será que o termo “engenharia de prompt” define bem a nossa interação com a inteligência artificial generativa? Santaella Lucia, orientadora de meu doutorado, e Kalynka Cruz Stefani propõem uma alternativa mais adequada, considerando a complexidade da comunicação entre humanos e máquinas: a “semiótica de prompts”.

E isso faz todo sentido! Usamos as diversas plataformas com a IA generativa de uma maneira inédita, diferente das interações que já tivemos com qualquer tecnologia até hoje. Afinal, apesar de esses sistemas não serem capazes de sentir ou sequer sabem verdadeiramente o que nos entregam, eles simulam isso com tal eficiência, que podemos crer que se trata de outro ser humano.

Por isso, o prompt não é apenas um comando, e sim parte de uma conversa que temos com a máquina. Não devemos, portanto, ser eficientes em gerar meros “comandos”, mas em criar conversas com essa entidade digital com quem interagimos.

Esse é o segredo para tirarmos bom proveito da IA generativa, mas pouquíssimas pessoas o dominam. Você acha que está fazendo isso bem?

Confira o artigo completo no site do grupo de pesquisa Sociotramas, disponível em https://sociotramas.wordpress.com/2024/10/19/da-engenharia-a-semiotica-dos-prompts-livre-de-temores-e-mistif**acoes/

After establishing the difference between Generative Artificial Intelligence and Predictive Artificial Intelligence, a necessary difference, to characterize the former not only as an AI capable of …

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