São Simão-SP Estamos de Olho

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13/08/2026

𝗔 𝗡𝗲𝗰𝗿𝗼𝘀𝗲 𝗱𝗮 𝗔𝘀𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮: 𝗖𝗮𝗿𝗻𝗲 𝗣𝗼𝗱𝗿𝗲, 𝗟𝗲𝗶𝘁𝗲 𝗤𝘂𝗲𝗶𝗺𝗮𝗱𝗼 𝗲 𝗮 𝗜𝗻𝘁𝗼𝘅𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗠𝗶𝘀𝗲́𝗿𝗶𝗮 𝗲𝗺 𝗦𝗮̃𝗼 𝗦𝗶𝗺𝗮̃𝗼

Se até agora a gestão do prefeito-médico era acusada de negligência, omissão e má gestão, a denúncia revelada pela vereadora Soraia e veiculada pelo SBT eleva o patamar do colapso moral da administração. Não estamos mais falando apenas de buracos nas ruas, de ônibus quebrados ou de sistemas de informática em manutenção. Estamos falando de𝗶𝗻𝘁𝗼𝘅𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗮𝗹𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗶𝗻𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹. Estamos falando de carne podre e leite vencido sendo deliberadamente escondidos, descartados em rios e queimados, enquanto a população mais vulnerável de São Simão bate nos portões da assistência social pedindo um mísero saquinho de leite para tomar seus remédios.

O escândalo é dantesco e revela a anatomia de uma "quadrilha" administrativa, como bem diagnosticou a parlamentar em plenário. 100 kg de carne estragada e 70 litros de leite do programa "Viva Leite" estocados na assistência social. Mas o que torna esse caso criminoso não é apenas o armazenamento do alimento impróprio; é o que foi feito depois para esconder o crime.

𝗔 "𝗤𝘂𝗲𝗶𝗺𝗮 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝗾𝘂𝗶𝘃𝗼" 𝗲 𝗼 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲 𝗔𝗺𝗯𝗶𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹

Diante da iminência da fiscalização, a orientação dada aos funcionários foi clara e cruel: jogar a carne no rio e queimar as embalagens do leite. Isso não é um erro administrativo; é 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗮𝘀. É a chamada "queima de arquivo" que transforma uma falha de gestão em um ato doloso, típico de organização criminosa.

Além do crime contra a administração pública e contra a saúde pública, soma-se aqui o 𝗰𝗿𝗶𝗺𝗲 𝗮𝗺𝗯𝗶𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹. Jogar 100 kg de carne em decomposição no rio que banha a cidade é envenenar a água, matar a fauna e agredir o meio ambiente. O prefeito-médico, que deveria zelar pela saúde do corpo social, está literalmente contaminando os rios do município para proteger a própria pele. A ordem para queimar e jogar no rio é o sintoma clínico de uma gestão que age não como um ente público, mas como um sindicato do crime, onde o funcionário público é coagido a ser cúmplice de atos ilegais.

𝗢 𝗘𝘀𝗰𝘂𝗱𝗼 𝗜𝗻𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹: 𝗔 𝗣𝗼𝗿𝘁𝗮 𝗧𝗿𝗮𝗻𝗰𝗮𝗱𝗮 𝗲 𝗮 𝗩𝗶𝗴𝗶𝗹𝗮̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗾𝘂𝗲 "𝗗𝗲𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲"

A forma como a administração reagiu à denúncia inicial, em novembro do ano passado, é um manual de como o sistema imunológico da prefeitura foi programado para proteger o patógeno, e não o povo. A responsável pelo local se recusa a abrir a porta. Exige a presença do "setor jurídico". Aciona a Guarda Municipal. E, o mais grave: a Vigilância Sanitária, após ser acionada, supostamente "desiste" da fiscalização.

O que está acontecendo em São Simão? A Vigilância Sanitária, órgão técnico que deveria ser a barreira sanitária contra doenças, foi domesticada? Foi intimidada? A porta trancada da assistência social é a metáfora perfeita desta gestão: ela se fecha para a fiscalização, se fecha para a imprensa, se fecha para a verdade, e só se abre para distribuir o "pão e circo" do marketing político.

𝗔 𝗛𝗶𝗽𝗼𝗰𝗿𝗶𝘀𝗶𝗮 𝗖𝗹𝗶́𝗻𝗶𝗰𝗮: 𝗔 𝗖𝗮𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗤𝘂𝗲𝗶𝗺𝗮 𝗼 𝗟𝗲𝗶𝘁𝗲

Aqui reside o ponto mais visceral e desumano de toda essa tragédia. A vereadora Soraia relatou, com a dor de quem vive o dia a dia da cidade, que há senhoras doentes, que tomam remédios controlados, que vão até o portão da assistência e pedem: "Me dá um saquinho de leite? Eu tomo remédio, preciso de alimento". E a resposta é não. O leite é negado à mulher doente, mas é jogado no vaso sanitário ou queimado no quintal.

Como conciliar isso com o prefeito-médico que posa de Ministro da Eucaristia, que distribui o pão sagrado na igreja e fala de "𝗰𝗮𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲" e "𝗮𝗺𝗼𝗿 𝗮𝗼 𝗽𝗿𝗼́𝘅𝗶𝗺𝗼" nas redes sociais? É a hipocrisia em seu estado mais puro. Um médico que joga fora o remédio e o alimento do paciente terminal, enquanto o paciente agoniza na porta do consultório, não é um médico; é um sá**co. A caridade desta gestão é uma fraude. O amor ao próximo é queimado junto com as caixinhas de leite.

𝗢 𝗗𝗶𝗮𝗴𝗻𝗼́𝘀𝘁𝗶𝗰𝗼 𝗙𝗶𝗻𝗮𝗹: 𝗢 𝗠𝗶𝗻𝗶𝘀𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗼 𝗣𝘂́𝗯𝗹𝗶𝗰𝗼 𝗲́ 𝗼 𝗕𝗶𝘀𝘁𝘂𝗿𝗶 𝗡𝗲𝗰𝗲𝘀𝘀𝗮́𝗿𝗶𝗼

A vereadora Soraia agiu como o anticorpo necessário, identificando a infecção e levando o caso à luz do dia. Agora, a denúncia já está no Ministério Público. E é exatamente aí que o bisturi da Justiça precisa cortar.

Não basta uma nota de esclarecimento da prefeitura. Não basta demitir o funcionário que cumpriu ordens superiores sob coação. É preciso investigar a cadeia de comando. Quem deu a ordem de jogar a carne no rio? Quem autorizou a queima do leite? Quem orientou a trancar a porta e chamar o jurídico? Quem intimidou a Vigilância Sanitária?

A população de São Simão não pode mais ser tratada como cobaias de uma gestão que prescreve carne estragada para quem tem fome. O caso da assistência social é a prova cabal de que o colapso desta administração não é apenas financeiro ou estrutural; ele é, acima de tudo, uma podridão ética que já atingiu o osso.

Que o Ministério Público abra o prontuário dessa gestão e aplique a única cura possível para esse tipo de necrose moral: a responsabilização criminal, cível e administrativa de todos os envolvidos. O povo de São Simão está com fome, está doente e está cansado. E não aceita mais comer a podridão que sobra da mesa dos "homens de confiança" do prefeito-médico.

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SÃO SIMÃO ESTAMOS DE OLHOHá pessoas que acompanham a política.Há pessoas que estudam a administração pública.E há quem t...
12/08/2026

SÃO SIMÃO ESTAMOS DE OLHO

Há pessoas que acompanham a política.
Há pessoas que estudam a administração pública.
E há quem transforme informação em conhecimento para que a sociedade possa acompanhar, questionar e participar.

Sou JOÃO BUTOH, jornalista, gerontólogo e especialista em Administração Pública.

À frente do São Simão Estamos de Olho, venho utilizando comunicação, análise e conhecimento técnico para abordar políticas públicas, orçamento público, gestão municipal, transparência, responsabilidade fiscal, cultura e questões de interesse da população.

A proposta da página é simples:

informar para que as pessoas possam compreender;
compreender para que possam participar;
e participar para que possam cobrar melhores decisões públicas.

Não se trata apenas de olhar para o que o poder público faz.
É também entender como, por que, com quais recursos e com quais consequências essas decisões são tomadas.

SÃO SIMÃO ESTAMOS DE OLHO

Informação. Análise. Cidadania. Controle Social.

— JOÃO BUTOH
Jornalista • Gerontólogo • Especialista em Administração Pública

11/08/2026

𝗔 𝗥𝗘𝗔𝗕𝗜𝗟𝗜𝗧𝗔𝗖̧𝗔̃𝗢 𝗗𝗢 𝗣𝗔𝗖𝗜𝗘𝗡𝗧𝗘: 𝗢 𝗗𝗜𝗔𝗚𝗡𝗢́𝗦𝗧𝗜𝗖𝗢 𝗗𝗢 𝗘̂𝗫𝗢𝗗𝗢 𝗘 𝗔 𝗥𝗘𝗖𝗘𝗜𝗧𝗔 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝗥𝗘𝗔𝗡𝗜𝗠𝗔𝗥 𝗦𝗔̃𝗢 𝗦𝗜𝗠𝗔̃𝗢
Até agora, nesta série de textos, fizemos a autópsia do colapso. Dissecamos a negligência, a terceirização da responsabilidade, o nepotismo, o placebo digital e a destruição da memória. Mas a medicina não serve apenas para diagnosticar a doença e descrever a agonia; seu propósito final é a cura. Diante do laudo clínico mais cruel que São Simão já recebeu, a pergunta que se impõe é: como vislumbrar a reabilitação deste paciente? Como tirar a cidade da UTI e devolver-lhe a vitalidade?
O último censo do IBGE não é apenas uma planilha de números; é um eletrocardiograma mostrando a bradicardia de uma cidade que está parando o coração. Mais de 2.500 imóveis vazios não são apenas "casas fechadas"; são células mortas no tecido urbano, janelas cegas que não enxergam futuro. A queda populacional — de 14.346 habitantes em 2010 para 13.442 em 2022, com projeção de sangria contínua — é o sintoma de um organismo que está perdendo sangue.
E para onde vai esse sangue? A metástase do êxodo é clara: Cravinhos recebe a maior parte da força de trabalho expulsa; Santa Rosa de Viterbo e Luiz Antônio completam o pódio da fuga. São Simão está se tornando uma "cidade dormitório". E o que é uma cidade dormitório na anatomia urbana? É um corpo que não tem metabolismo próprio. É um organismo que não gera energia, não produz, não cria. Ele apenas serve de leito para que o trabalhador descanse entre as viagens para trabalhar em outro lugar. Uma cidade que só serve para dormir é uma cidade que já desistiu de viver.
O cidadão simonense paga impostos altíssimos, mas não recebe o retorno social. O dinheiro é drenado para o buraco negro da incompetência. Para reverter esse quadro e vislumbrar uma qualidade de vida real, não bastam promessas de palanque. É necessário um 𝗣𝗹𝗮𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗥𝗲𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗨𝗿𝗯𝗮𝗻𝗮 𝗲 𝗦𝗼𝗰𝗶𝗮𝗹, baseado em quatro intervenções cirúrgicas urgentes:

𝟭. 𝗘𝘀𝘁𝗮𝗻𝗰𝗮𝗿 𝗮 𝗛𝗲𝗺𝗼𝗿𝗿𝗮𝗴𝗶𝗮 𝗙𝗶𝘀𝗰𝗮𝗹 𝗲 𝗗𝗲𝘃𝗼𝗹𝘃𝗲𝗿 𝗼 𝗗𝗶𝗻𝗵𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗮𝗼 𝗣𝗮𝗰𝗶𝗲𝗻𝘁𝗲
O primeiro passo de qualquer reanimação é parar o sangramento. A prefeitura precisa de um choque de austeridade real. Isso significa extinguir a legião de cargos comissionados, cortar o marketing de autoelogio, demitir os parentes e os "homens de confiança" que drenam a folha de pagamento. O dinheiro que hoje alimenta o nepotismo e os contratos superfaturados deve ser imediatamente realocado para a ponta: a saúde, a educação e a infraestrutura. A transparência não pode ser um post no Instagram; tem que ser um portal onde cada centavo do imposto pago pelo cidadão seja rastreável. O povo precisa saber para onde vai o seu dinheiro para poder cobrar o seu retorno.

𝟮. 𝗧𝗲𝗿𝗮𝗽𝗶𝗮 𝗢𝗰𝘂𝗽𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗨𝗿𝗯𝗮𝗻𝗮: 𝗢𝗰𝘂𝗽𝗮𝗿 𝗼 𝗩𝗮𝘇𝗶𝗼 𝗲 𝗥𝗲𝘀𝘁𝗮𝘂𝗿𝗮𝗿 𝗮 𝗔𝗹𝗺𝗮
Como lidar com 2.500 imóveis vazios e um centro histórico em ruínas? A prefeitura precisa usar a caneta para incentivar, não para demolir. É preciso criar uma legislação de incentivo fiscal (IPTU progressivo e diferenciado) para quem reforma e ocupa os casarões do centro, e penalizar quem mantém imóveis abandonados especulando com a degradação. O patrimônio histórico não é um peso; é o maior ativo imobiliário e turístico da cidade. Transformar os casarões em pousadas, restaurantes, ateliês e centros culturais gera emprego, atrai o turista de verdade e devolve a alma à cidade. O centro não pode ser um cemitério de fachadas; tem que voltar a ser a sala de estar de São Simão.

𝟯. 𝗘𝘀𝘁𝗶𝗺𝘂𝗹𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼 𝗦𝗶𝘀𝘁𝗲𝗺𝗮 𝗡𝗲𝗿𝘃𝗼𝘀𝗼 𝗘𝗰𝗼𝗻𝗼̂𝗺𝗶𝗰𝗼: 𝗙𝗶𝗺 𝗱𝗮 𝗖𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗗𝗼𝗿𝗺𝗶𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗼
Para que o jovem não precise pegar o ônibus das 5h da manhã para trabalhar em Cravinhos, a cidade precisa gerar o seu próprio metabolismo. O comércio local, os negócios de família que hoje são ignorados pelo prefeito, precisam ser tratados como a espinha dorsal da economia local. A prefeitura tem uma secretaria ou departamento dedicado exclusivamente ao empreendedor local, deveria desburocratizando alvarás, oferecendo microcrédito e criando feiras e eventos que circulem o dinheiro dentro do próprio município. Além disso, deveria atrair empresas de verdade, por meio de uma gestão técnica e séria, e não através de favorecimentos a empresários amigos do rei. O objetivo é claro: fazer com que o simonense trabalhe, viva e realize o seu lazer na sua própria terra. Mas, isso acontece?

𝟰. 𝗖𝘂𝗶𝗱𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗣𝗿𝗶𝗺𝗮́𝗿𝗶𝗼𝘀: 𝗢 𝗕𝗮́𝘀𝗶𝗰𝗼 𝗕𝗲𝗺 𝗙𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗡𝗮̃𝗼 𝗲𝘅𝗶𝘀𝘁𝗲 𝗾𝘂𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝘃𝗶𝗱𝗮 𝘀𝗲𝗺 𝗼 𝘁𝗿𝗶𝗽𝗲́ 𝗳𝘂𝗻𝗱𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹: 𝗦𝗮𝘂́𝗱𝗲, 𝗘𝗱𝘂𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗲 𝗠𝗼𝗯𝗶𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲.
A reabilitação exige que a farmácia básica tenha remédios, que o posto de saúde tenha médico, que a escola municipal tenha estrutura e que o transporte urbano funcione como um sistema circulatório eficiente, e não como uma artéria entupida. O lazer e a cultura não são "extras"; são vitaminas sociais, são leis federais com processos rígidos. Praças limpas, quadras esportivas abertas, eventos culturais gratuitos e um meio ambiente preservado são o que fazem as pessoas quererem criar seus filhos em um lugar. O cidadão só se enraíza onde se sente cuidado.

𝗢 𝗣𝗿𝗼𝗴𝗻𝗼́𝘀𝘁𝗶𝗰𝗼 𝗲𝘀𝘁𝗮́ 𝗻𝗮𝘀 𝗠𝗮̃𝗼𝘀 𝗱𝗼 𝗘𝗹𝗲𝗶𝘁𝗼𝗿
São Simão não está em coma irreversível. A cidade tem história, tem geografia, tem um povo trabalhador e um potencial econômico e turístico adormecido. O que falta não é o remédio; falta o médico.
A atual gestão provou, em dois mandatos, que não possui o conhecimento técnico, a ética ou a vontade política para aplicar esse tratamento. O prefeito-médico está mais interessado em posar para as fotos do que em reanimar o paciente.
Vislumbrar uma melhor qualidade de vida para São Simão exige, antes de tudo, a coragem de trocar a equipe médica. A população precisa entender que o voto não é apenas um direito cívico; é o bisturi com o qual o povo opera o seu próprio destino. Enquanto o eleitor continuar anestesiado pelo "pão e circo" digital, a cidade continuará encolhendo, esvaziando e virando um dormitório de almas cansadas.
Mas o dia em que o povo acordar, olhar para os 2.500 imóveis vazios, para as filas da saúde e para o patrimônio destruído, e decidir que não aceita mais o diagnóstico de morte, São Simão poderá, sim, ser reanimada. A receita para a cura existe. O que falta é a vontade de aplicá-la. E essa vontade, meu caro leitor, não virá da cadeira do prefeito. Virá do seu voto, da sua voz e da sua recusa em deixar a sua cidade morrer na maca.

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𝗢 𝗠É𝗗𝗜𝗖𝗢 𝗘 𝗢 𝗠𝗢𝗡𝗦𝗧𝗥𝗢: 𝗔 𝗤𝗨𝗜𝗠𝗘𝗥𝗔 𝗔𝗗𝗠𝗜𝗡𝗜𝗦𝗧𝗥𝗔𝗧𝗜𝗩𝗔 𝗘 𝗔 𝗙𝗨𝗚𝗔 𝗗𝗔 𝗥𝗘𝗦𝗣𝗢𝗡𝗦𝗔𝗕𝗜𝗟𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘Em 1818, Mary Shelley publicou Frankenstein; ...
05/08/2026

𝗢 𝗠É𝗗𝗜𝗖𝗢 𝗘 𝗢 𝗠𝗢𝗡𝗦𝗧𝗥𝗢: 𝗔 𝗤𝗨𝗜𝗠𝗘𝗥𝗔 𝗔𝗗𝗠𝗜𝗡𝗜𝗦𝗧𝗥𝗔𝗧𝗜𝗩𝗔 𝗘 𝗔 𝗙𝗨𝗚𝗔 𝗗𝗔 𝗥𝗘𝗦𝗣𝗢𝗡𝗦𝗔𝗕𝗜𝗟𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘
Em 1818, Mary Shelley publicou Frankenstein; ou o Moderno Prometeu, uma obra que a cultura popular consagrou sob o título "O Médico e o Monstro". A história narra a trajetória de Victor Frankenstein, um médico e cientista obcecado que, movido pela vaidade e pelo desejo de br**car de Deus, costura um ser humano a partir de pedaços de cadáveres. Ao dar vida à sua criação, ele se depara com uma quimera grotesca. Aterrorizado com o próprio feito, o médico foge, abandona sua criatura e se recusa a assumir a responsabilidade pelos horrores que ela passará a cometer.
Dois séculos depois, longe dos laboratórios góticos da literatura, a prefeitura de São Simão tornou-se o palco de uma reencenação macabra desse enredo. O prefeito-médico, em sua segunda gestão (2025-2028), não costurou um ser de carne e osso. Ele costurou uma quimera administrativa. E, tal qual Victor Frankenstein, ao ver o monstro ganhar vida, ele não o enfrentou. Ele fugiu. Ele terceirizou a culpa. Ele escondeu-se atrás de assessores e paramentos religiosos, deixando a criatura solta para devorar a cidade.

𝗔 𝗔𝗻𝗮𝘁𝗼𝗺𝗶𝗮 𝗱𝗼 𝗠𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗼: 𝗖𝗼𝘀𝘁𝘂𝗿𝗮𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗡𝗲𝗽𝗼𝘁𝗶𝘀𝗺𝗼 𝗲 𝗖𝗼𝗻𝗳𝗹𝗶𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘀𝗲𝘀
Como toda quimera, o monstro da gestão atual foi montado com pedaços desconexos, roubados de onde não deveria. O corpo dessa aberração foi costurado com os tendões do nepotismo, violando a Súmula Vinculante nº 13 do STF, preenchendo a folha de pagamento com parentes e afins que não possuem o DNA da competência técnica. O sistema nervoso do monstro é alimentado pelo conflito de interesses, ignorando a Lei nº 12.813/2013, permitindo que ocupantes de cargos de confiança usem a caneta pública para irrigar suas empresas privadas.
A pele que recobre essa estrutura é feita de marketing digital e placebo, o "Pão e Circo" dos algoritmos, desenhada para esconder a podridão dos órgãos internos. E o sangue que mantém o monstro vivo é o erário municipal: os 30 milhões de dívida com o INSS, os aditivos contratuais da Santa Casa, os recursos do MIT mal empregados e os salários de vereadores cúmplices. O prefeito-médico pegou as partes mais nobres do corpo social de São Simão e as uniu para criar uma máquina de extração de recursos e perpetuação de poder.

𝗔 𝗙𝘂𝗴𝗮 𝗱𝗼 𝗖𝗿𝗶𝗮𝗱𝗼𝗿: 𝗔 𝗧𝗲𝗿𝗰𝗲𝗶𝗿𝗶𝘇𝗮çã𝗼 𝗱𝗮 𝗖𝗮𝗻𝗲𝘁𝗮 𝗲 𝗼 "𝗡ã𝗼 𝗦𝗮𝗯𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗡𝗮𝗱𝗮"
O traço mais covarde de Victor Frankenstein não foi criar o monstro; foi abandoná-lo. O prefeito-médico replicou essa covardia com perfeição cirúrgica. Quando a criatura administrativa começou a causar estragos — quando o Caso Castellucci estourou, quando a Santa Casa colapsou, quando o transporte urbano parou —, o gestor não assumiu o bisturi para corrigir o erro.
Ele aplicou a "terceirização da caneta". Colocou um "assessor" na linha de frente, criando um laranja administrativo para servir de escudo humano. Ele ensaiou a defesa do "não sabia de nada", a mesma tese esfarrapada que o absolveu no tribunal da lei, mas que o condena no tribunal da ética. O prefeito-médico olha para o monstro que ele mesmo criou e diz: "Não fui eu, foi ele". Ele abdicou do papel de gestor para se tornar um mero espectador do caos, um médico que observa o paciente em parada cardiorrespirática e alega que o monitor é que está quebrado.

𝗢 𝗠𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗼 à 𝗦𝗼𝗹𝘁𝗮: 𝗔 𝗗𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝗶çã𝗼 𝗱𝗼 𝗖𝗼𝗿𝗽𝗼 𝗨𝗿𝗯𝗮𝗻𝗼
Na literatura, o monstro de Frankenstein, rejeitado e sem guia, torna-se violento e destrutivo. Em São Simão, a quimera administrativa faz exatamente o mesmo. Sem a mão firme da fiscalização, sem o cérebro do planejamento técnico e sem o coração da ética pública, o monstro saiu do controle e começou a estraçalhar a cidade.
Ele devorou o patrimônio histórico, derrubando os casarões da rua principal e substituindo a memória por "caixas" de concreto, provocando um Alzheimer urbano na cidade de 202 anos. Ele estrangulou a circulação, deixando os ônibus quebrados e os bairros distantes como o Bento Quirino e o Jardim dos Imigrantes isolados e necrosados. Ele infectou o sistema imunológico da democracia, transformando a Câmara Municipal em um órgão acessório, onde vereadores lenientes mudam as leis para proteger os privilégios do criador.
O monstro não poupa ninguém. Ele ataca o doente na fila da Santa Casa, o trabalhador no transporte precário, o comerciante local ignorado e o turista que é repelido pelo mato e pelo lixo. A cidade é o laboratório onde a criatura faz suas experiências cruéis, e o povo é a cobaia.

𝗢 𝗖𝗼𝗺𝗽𝗹𝗲𝘅𝗼 𝗱𝗲 𝗗𝗲𝘂𝘀 𝗲 𝗮 𝗤𝘂𝗲𝗱𝗮 𝗜𝗻𝗲𝘃𝗶𝘁á𝘃𝗲𝗹
Victor Frankenstein acreditava que poderia transcender as leis da natureza. O prefeito-médico acredita que pode transcender as leis da administração pública. Ele veste o manto sagrado de Ministro da Eucaristia, achando que a bênção divina o torna imune à fiscalização. Ele posa de "bom moço", achando que os "likes sociais" o absolvem da negligência. Ele br**ca de Deus com o dinheiro e o destino de São Simão, cercado por uma corte de privilegiados que o aplaude enquanto o abismo se abre.
Mas a lição final de Mary Shelley é clara: não se pode br**car de criar vida — ou no caso, gerir uma cidade — sem arcar com as consequências da própria criação. O monstro sempre acaba encontrando o seu criador.
Em São Simão, o monstro já não está mais escondido no laboratório escuro da prefeitura. Ele está nas ruas, nas filas, nos buracos, nas demolições e nas contas impagáveis. Ele está visível, fedorento e faminto. O prefeito-médico pode tentar fugir, pode tentar se esconder atrás de assessores, de vereadores cúmplices ou de altares religiosos, mas a quimera que ele costurou está prestes a cobrar o seu preço.
A população de São Simão não pode mais esperar que o médico tenha a decência de assumir o erro e aplicar a cura. O criador já provou que não tem coragem de olhar para a sua obra. Cabe agora ao povo — o verdadeiro protagonista desta história — pegar as tochas, invadir o laboratório e desmontar, peça por peça, o monstro que está devorando o futuro da cidade. Porque enquanto a quimera respirar, São Simão continuará morrendo.
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𝗢 𝗦𝗜𝗦𝗧𝗘𝗠𝗔 𝗜𝗠𝗨𝗡𝗢𝗟Ó𝗚𝗜𝗖𝗢 𝗙𝗔𝗟𝗛𝗢: 𝗔 𝗖Â𝗠𝗔𝗥𝗔 𝗠𝗨𝗡𝗜𝗖𝗜𝗣𝗔𝗟 𝗖𝗢𝗠𝗢 Ó𝗥𝗚Ã𝗢 𝗔𝗖𝗘𝗦𝗦Ó𝗥𝗜𝗢 𝗗𝗢 𝗘𝗫𝗘𝗖𝗨𝗧𝗜𝗩𝗢Na anatomia de um corpo humano, o siste...
04/08/2026

𝗢 𝗦𝗜𝗦𝗧𝗘𝗠𝗔 𝗜𝗠𝗨𝗡𝗢𝗟Ó𝗚𝗜𝗖𝗢 𝗙𝗔𝗟𝗛𝗢: 𝗔 𝗖Â𝗠𝗔𝗥𝗔 𝗠𝗨𝗡𝗜𝗖𝗜𝗣𝗔𝗟 𝗖𝗢𝗠𝗢 Ó𝗥𝗚Ã𝗢 𝗔𝗖𝗘𝗦𝗦Ó𝗥𝗜𝗢 𝗗𝗢 𝗘𝗫𝗘𝗖𝗨𝗧𝗜𝗩𝗢
Na anatomia de um corpo humano, o sistema imunológico tem a função vital de identificar ameaças, atacar patógenos e manter a homeostase, impedindo que o organismo colapse. Na anatomia de uma democracia municipal, o Poder Legislativo — a Câmara de Vereadores — desempenha exatamente esse papel. É o sistema de freios e contrapesos, o órgão fiscalizador que deve rejeitar as "infecções" administrativas e proteger o corpo social. No entanto, em São Simão, sob a gestão do prefeito-médico, o sistema imunológico da cidade está severamente comprometido. A maioria dos vereadores não atua como defesa; atua como uma doença autoimune, protegendo o patógeno e atacando o próprio povo.
O que se vê no plenário da Câmara Municipal não é um exercício de fiscalização, mas um espetáculo de inércia, corporativismo e leniência. Os vereadores, em sua maioria, abdicaram de sua função de representantes do povo para se tornarem meros apêndices do Executivo. Eles não servem ao município; servem ao prefeito. E a prova mais recente e escandalosa dessa submissão ocorreu quando a gestão municipal tentou emplacar seus "cargos de confiança" na máquina pública.
O fato é de uma gravidade institucional alarmante. Os apadrinhados do prefeito, nomeados para posições estratégicas, não possuíam as qualificações técnicas, a escolaridade ou a expertise exigidas pela legislação vigente para ocupar tais cargos. Em uma cidade com um Legislativo saudável, a reação seria imediata: o projeto seria barrado, as nomeações, questionadas, e o prefeito, obrigado a recuar e nomear técnicos capacitados. Mas o que aconteceu em São Simão foi o oposto. Diante da incompatibilidade legal dos indicados, os vereadores não exigiram a mudança dos nomes; eles mudaram a lei.
A Câmara Municipal alterou a legislação para que ela se encaixasse nos perfis dos apadrinhados do prefeito. O princípio da impessoalidade foi atropelado. A lei, que deveria ser um parâmetro abstrato e igual para todos, foi transformada em um molde sob medida, costurado a quente para privilegiar os "homens de confiança" do Executivo. O Legislativo não fiscalizou o Executivo; o Legislativo se curvou para lamber as botas do Executivo, validando a incompetência e blindando o nepotismo.
Essa manobra não é apenas um "jeitinho" político; é um ato que carrega o peso de graves ilícitos. Modificar uma lei para beneficiar pessoas específicas fere frontalmente a Constituição e a Lei Orgânica do Município. Mais do que isso, muitos desses vereadores que aprovam tais aberrações são, eles próprios, funcionários públicos municipais. Ao acumularem o salário de servidor com a verba indenizatória ou o subsídio de vereador, eles incorrem em acumulação ilegal de cargos e recebimento de salários indevidos.
Quando um vereador, que é funcionário público, usa o seu mandato para aprovar leis que beneficiam o prefeito em troca de manutenção de privilégios, ele cruza a linha tênue da política e entra no terreno do crime. Estamos falando de atos que configuram corrupção passiva, improbidade administrativa e, em casos de desvio ou uso indevido de recursos e cargos, peculato. A legislação é clara: tais condutas são passíveis não apenas de processo judicial, mas da cassação imediata do mandato. O vereador que age dessa forma não é um legislador; é um cúmplice de malpraxis (ou erro médico) administrativa.
O prefeito-médico, que deveria saber que nenhuma cirurgia complexa dá certo sem uma equipe que questione e valide cada passo, opera a cidade com a tranquilidade de quem sabe que sua "equipe legislativa" apenas entrega os instrumentos e fecha os olhos para o erro. Ele governa sem oposição porque a oposição foi domesticada. A Câmara de São Simão transformou-se em um órgão acessório, um apêndice inflamado que não digere as demandas do povo, mas apenas engole as vontades do prefeito.
A população precisa compreender que a inércia da Câmara Municipal é tão letal quanto a incompetência do Executivo. O vereador que não fiscaliza, que muda a lei para proteger o incompetente e que acumula salários indevidamente, é tão responsável pelo colapso da saúde, pelo sucateamento do transporte e pela demolição do patrimônio histórico quanto o próprio prefeito. Eles são coautores do desastre.
Não há remédio, não há placebo digital e não há manto sagrado que possa curar um corpo político cujo sistema imunológico foi desligado de propósito. A única intervenção cirúrgica capaz de remover essa metástase do Legislativo está nas mãos do eleitor. O voto de consciência, a cobrança nas ruas e a recusa em reeleger quem traiu o povo são o bisturi necessário. Enquanto a Câmara continuar sendo um balcão de negócios e um carimbo de aprovação para as ilegalidades do prefeito-médico, São Simão continuará sangrando. E o povo, infelizmente, continuará pagando a conta dessa cirurgia malfeita.
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𝐎 𝐀𝐏𝐀𝐆Ã𝐎 𝐃𝐀 𝐈𝐌𝐏𝐑𝐄𝐍𝐒𝐀 𝐄 𝐀 𝐑𝐄𝐒𝐈𝐒𝐓Ê𝐍𝐂𝐈𝐀 𝐃𝐎 𝐏𝐈𝐗𝐄𝐋: 𝐐𝐔𝐀𝐍𝐃𝐎 𝐎 𝐏𝐀𝐏𝐄𝐋 𝐌𝐎𝐑𝐑𝐄, 𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐃𝐀𝐃𝐄 𝐌𝐈𝐆𝐑𝐀 𝐏𝐀𝐑𝐀 𝐀 𝐑𝐄𝐃𝐄Na anatomia de uma democ...
03/08/2026

𝐎 𝐀𝐏𝐀𝐆Ã𝐎 𝐃𝐀 𝐈𝐌𝐏𝐑𝐄𝐍𝐒𝐀 𝐄 𝐀 𝐑𝐄𝐒𝐈𝐒𝐓Ê𝐍𝐂𝐈𝐀 𝐃𝐎 𝐏𝐈𝐗𝐄𝐋: 𝐐𝐔𝐀𝐍𝐃𝐎 𝐎 𝐏𝐀𝐏𝐄𝐋 𝐌𝐎𝐑𝐑𝐄, 𝐀 𝐕𝐄𝐑𝐃𝐀𝐃𝐄 𝐌𝐈𝐆𝐑𝐀 𝐏𝐀𝐑𝐀 𝐀 𝐑𝐄𝐃𝐄
Na anatomia de uma democracia, a imprensa local funciona como o nervo óptico da sociedade: é ela que capta a luz da realidade e a transmite ao cérebro coletivo, permitindo que o povo enxergue onde pisa. Em São Simão, o prefeito-médico, em sua ânsia de controlar a narrativa e evitar o diagnóstico de sua própria incompetência, tentou cortar esse nervo. O fim dos jornais impressos na cidade não foi um acidente de mercado; foi uma asfixia deliberada. Ao eliminar o veículo que ousava denunciar os desmandos, a gestão tentou impor um apagão da verdade, deixando o munícipe no escuro.
É preciso fazer uma ressalva clínica sobre o ambiente digital. A internet é um organismo selvagem, um faroeste onde a desinformação circula com a velocidade de um vírus. A manipulação de dados e a fake news são riscos reais. É exatamente por isso que a figura do jornalista tradicional é insubstituível: diferente de um perfil anônimo, o jornalista responde civil e criminalmente pela notícia que veicula. O jornalismo impresso ou digital profissional carrega o peso da responsabilidade, da checagem e da ética. A ausência desse filtro profissional deixa a cidade vulnerável.
No entanto, o prefeito-médico subestimou a imunidade e a resiliência do povo simonense. Ele pensou que, ao matar o jornal de papel, a população aceitaria a cegueira. Mas o que aconteceu foi uma mutação adaptativa. Sem o papel, a população pegou o celular. A internet, com todos os seus perigos, tornou-se o único canal de sobrevivência da verdade. Não houvesse a rede, a maioria dos munícipes viveria na utopia fabricada pelo marketing da prefeitura, completamente alheia ao colapso que os cerca.
São as redes sociais e os grupos de WhatsApp que funcionam hoje como o verdadeiro plantão de denúncias. É pela tela do smartphone que a realidade nua e crua vaza, sem a maquiagem da assessoria de imprensa. É a internet que mostra a fila interminável no posto de saúde; é o vídeo viralizado que expõe a prateleira vazia da farmácia básica; é a foto no grupo do bairro que denuncia o lixo acumulado na porta de casa, fermentando sob o sol.
E é a rede que registra o momento mais cruel dessa gestão: a ambulância quebrada na beira da estrada, com o paciente agonizante a caminho de Ribeirão Preto, enquanto o motorista e os acompanhantes esperam o socorro que não vem. Sem a internet, essa cena seria apenas mais um "acidente" isolado, abafado nos corredores da prefeitura. Com a internet, ela se torna a prova irrefutável da negligência estatal, compartilhada, comentada e eternizada na memória digital da cidade.
Mas a obstrução da informação por parte da gestão não se limita à saúde e ao saneamento. Ela se infiltrou na própria burocracia do Estado, em um movimento de sabotagem silenciosa. O município utiliza sistemas de softwares de gestão digital para organizar dados financeiros, lançamentos fiscais e a emissão de tributos. Teoricamente, a era digital deveria trazer transparência e agilidade. Na prática, o que o simonense enfrenta é uma "obstrução digital". O sistema está sempre "em manutenção" ou "em processo de substituição".
Essa falha técnica crônica, que se arrasta por meses, não é um simples bug de programação; é uma tática de guerra. Ao manter o sistema de gestão fiscal e financeira fora do ar, a prefeitura impede que o cidadão, o comerciante e o contador acessem seus próprios dados, emitam guias ou fiscalizem a aplicação dos recursos. É como se o hospital trancasse o prontuário do paciente e dissesse que o computador está quebrado para esconder o erro médico. O caos no software prejudica severamente quem precisa acessar essas informações, paralisando o comércio local e blindando os números obscuros da prefeitura contra o escrutínio público.
O prefeito-médico tentou limar o jornal impresso que o denunciava, acreditando que, sem a tinta no papel, o seu poder seria absoluto. Ele errou. Ele não entendeu que a verdade, quando comprimida, explode. A população de São Simão provou que a melhor ferramenta para se manter informado, na ausência de uma imprensa tradicional forte, é a própria cidadania armada com a tecnologia.
O povo é resiliente. O munícipe cansado, que não aguenta mais a falta de remédios, o transporte sucateado e a arrogância do poder, transformou a sua indignação em pixels. O prefeito pode demitir o jornalista, pode fechar a redação, pode deixar o sistema da prefeitura "em manutenção" pelo tempo que for. Mas ele não consegue desligar a rede. Ele não consegue impedir que a câmera do cidadão filme o buraco, o lixo, a fila e a ambulância parada.
O papel morreu, mas a verdade migrou. E enquanto houver um simonense com um celular na mão e a coragem de apertar o botão de "enviar", o apagão da verdade será, no fim das contas, apenas mais uma ilusão de ótica de um gestor que já perdeu o controle da sua própria sombra.
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𝐀 𝐀𝐌𝐏𝐔𝐓𝐀ÇÃ𝐎 𝐃𝐀 𝐌𝐄𝐌Ó𝐑𝐈𝐀: 𝐎 𝐀𝐋𝐙𝐇𝐄𝐈𝐌𝐄𝐑 𝐔𝐑𝐁𝐀𝐍𝐎 𝐄 𝐀 𝐃𝐄𝐌𝐎𝐋𝐈ÇÃ𝐎 𝐃𝐀 𝐈𝐃𝐄𝐍𝐓𝐈𝐃𝐀𝐃𝐄Há uma doença neurodegenerativa cruel que apaga, l...
31/07/2026

𝐀 𝐀𝐌𝐏𝐔𝐓𝐀ÇÃ𝐎 𝐃𝐀 𝐌𝐄𝐌Ó𝐑𝐈𝐀: 𝐎 𝐀𝐋𝐙𝐇𝐄𝐈𝐌𝐄𝐑 𝐔𝐑𝐁𝐀𝐍𝐎 𝐄 𝐀 𝐃𝐄𝐌𝐎𝐋𝐈ÇÃ𝐎 𝐃𝐀 𝐈𝐃𝐄𝐍𝐓𝐈𝐃𝐀𝐃𝐄
Há uma doença neurodegenerativa cruel que apaga, lentamente, quem somos. Ela se chama Alzheimer. Leva as memórias, desfaz os laços, apaga a história de uma vida até que reste apenas um corpo vazio, sem passado e sem identidade. Em São Simão, o prefeito-médico não está tratando dessa doença; ele está, ativamente, provocando um Alzheimer urbano em escala monumental. Aos 202 anos de idade, a cidade que foi Berço da Proclamação da República está tendo sua memória amputada, tijolo por tijolo, casarão por casarão, sob o olhar conivente de quem deveria ser o guardião do patrimônio.
A contradição é tão escandalosa que beira o absurdo teatral: a cidade ostenta o título de Município de Interesse Turístico (MIT) e possui uma Casa de Cultura tombada pelo patrimônio histórico do Estado, documentos que atestam sua relevância e impõem o dever legal e moral de preservação. No entanto, na prática, o que se assiste é um verdadeiro genocídio arquitetônico. A gestão municipal não preserva; ela demole. Não restaura; ela descaracteriza. Não protege; ela vende.
O centro histórico, o coração pulsante da memória de São Simão, está sendo esvaziado de sua alma. Os casarões seculares, aquelas estruturas de tijolos maciços feitos de argila prensada em fôrmas de madeira e cozidos em fornos rústicos a lenha e telhas feitas nas coxas ou com material vindo da França ou Inglaterra compunham a alvenaria que contavam a saga dos nossos antepassados, que viram o nascimento da República e que testemunharam dois séculos de história, estão sendo destruídos. E não se trata de ruína natural, do tempo implacável que tudo consome. Trata-se de destruição ativa, deliberada, com o aval explícito de quem detém a caneta e o poder.
A prova mais cabal dessa negligência criminosa está na rua principal da cidade. O artério central, o local que deveria ser a vitrine da nossa história, já perdeu dois imóveis de valor inestimável em menos de um ano. Eles não caíram sozinhos; foram derrubados. E em seu lugar, o que vemos surgir não é a reconstrução respeitosa da memória, nem uma arquitetura que dialogue com o passado. O que vemos são "caixas". Construções retangulares, sem graça, sem ornamentos, sem alma, feitas de concreto e vidro barato, que poderiam estar em qualquer periferia de qualquer cidade do país. São caixas de sapato gigantes que apagaram a caligrafia dos nossos avós para escrever, com a grosseria do lucro imediato, a mediocridade do presente.
O prefeito-médico, que deveria saber que um corpo sem memória é apenas um amontoado de carne, trata a arquitetura histórica como se fosse um tumor a ser extirpado. Ele não entende — ou finge não entender — que a preservação do patrimônio não é "coisa do passado"; é a única moeda de valor que uma cidade turística possui. O turista não viaja milhares de quilômetros para ver uma "caixa" de alvenaria; ele viaja para ver a história, para tocar o passado, para respirar a atmosfera de uma época que não volta mais. Ao permitir a demolição dos casarões, o gestor não está apenas derrubando paredes; ele está sabotando o próprio turismo que diz fomentar. Ele está matando a galinha dos ovos de ouro e vendendo a carcaça por trocados.
A destruição do patrimônio é a face mais visível da "terceirização da responsabilidade" que já denunciamos em outros aspectos da gestão. A prefeitura terceirizou a memória. Deixou nas mãos de especuladores imobiliários e de proprietários negligentes o destino do acervo histórico da cidade. Quando um casarão é demolido ilegalmente ou descaracterizado por uma reforma sem critério, a fiscalização municipal não age. O "não sabia de nada" do Caso Castellucci se repete aqui: o prefeito alega ignorância sobre as demolições, enquanto a cidade perde, irreversivelmente, pedaços de sua identidade.
O tombamento da Casa de Cultura pelo patrimônio do Estado é um documento que existe no papel, mas que é ignorado na prática, pois a mesma também está abandonada na prática. É como ter uma receita médica para um antibiótico vital e decidir tomar um placebo. O tombamento impõe restrições, exige projetos de restauro, proíbe demolições. Mas, em São Simão, a lei do tombamento é tratada como sugestão. O poder público, que deveria ser o fiscal, é o primeiro a violar a norma, seja por omissão, seja por conivência ativa com quem quer "modernizar" a cidade, lendo-a de sua história.
A população assiste, impotente, à transformação da sua cidade em um não-lugar. As ruas que um dia foram cenários de revoluções e de festas populares hoje são apenas corredores de passagem ladeados por construções genéricas. A arquitetura que um dia emoldurou a nossa história está sendo substituída pelo vazio estético. E o pior: isso é irreversível. Um casarão demolido não pode ser reerguido com a mesma alma. A memória apagada não pode ser desformatada.
O prefeito-médico deveria lembrar que a função de um gestor público é análoga à de um médico de família: cuidar do paciente ao longo do tempo, preservar sua saúde, prevenir doenças e tratar com respeito o corpo que lhe foi confiado. O que ele está fazendo é a amputação desnecessária de um membro saudável. Ele está cortando a própria história da cidade para vender a madeira como lenha.
São Simão, aos 202 anos, não precisa de "caixas". Ela precisa de cura. Precisa que seus casarões sejam restaurados, que suas fachadas sejam limpas, que suas histórias sejam contadas. O turismo só existirá quando a cidade tiver orgulho de mostrar o seu rosto. Hoje, o prefeito-médico está cobrindo esse rosto com uma máscara de concreto, e quando a máscara cair — ou quando o último casarão for derrubado —, não haverá mais ninguém para visitar, nem nada para ver. Restará apenas o esquecimento, e a culpa de quem, podendo salvar a memória, escolheu assassiná-la.

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