17/02/2026
"O Silêncio do Desapego"
Desapego já foi privilégio só masculino. Mas não é mais.
Acabou o tempo em que mulheres de valor se gladiavam por migalhas de afeto,
acreditando que perder ou ganhar um homem era a medida do próprio valor.
Essa eterna disputa,
onde a mais jovem se sentia superior por ser a substituta, já não faz sentido. É coisa de mulher incompetente.
Hoje, escolho a solitude.
Percebi minha mudança quando algumas ausências deixaram de doer.
Não corri atrás de respostas, não implorei retorno.
O "tanto faz" que você me ofereceu encontrou em mim um "tudo bem".
Amadureci não porque deixei de sentir, mas porque compreendi que nem tudo merece resposta.
Antes, talvez eu gritasse, batesse portas, exigisse explicações que nunca viriam.
Dessa vez, guardei o barulho dentro de mim e segui em direção ao meu horizonte.
Não foi orgulho, foi cansaço.
O cansaço de carregar sozinha algo que já não tinha peso nenhum para você.
Então te libertei sem cerimônia, como quem abre a gaiola de um pássaro que já não canta.
Não houve drama, nem cena final de cinema.
Apenas deixei a vida te levar, enquanto eu respirava fundo e descobria, no meu peito, uma paz que parecia terra fértil.
Talvez, um dia, a gente se cruze em outras estações.
Mas hoje sei: amar também é virar a página sem rasgá-la.
E no silêncio do desapego, encontrei a forma mais pura de respeito.
Por você.
Por mim.
E por tudo que já nao nos cabe mais...
Vida de Mulher