07/09/2026
Enxergo as Zabumbas como os instrumentos mais versáteis do forró, que através da inspiração de tambores de diferentes origens (africanas do magrebe, indígenas deste território), formou os Ternos de Zabumba (muito antes do trio de forró), acompanhando pifes e violas nos festejos do nordeste rural do século 19. No início da indústria fonográfica, é por causa de Luiz Gonzaga que a Zabumba chega às rádios, nos anos 1940, quando institui-se o Regional Sanfonado.
Ao ouvir as gravações de 1947 pra cá, é possível perceber uma variedade de sonoridades, tanto nos timbres quanto nos toques. Muitos zabumbeiros desenvolvem estilos próprios, identidades sonoras que ficam registradas na memória. A partir dos anos 1970, o forró passa a ser gravado com baterias, contrabaixo e guitarra, e isso abre um leque de possibilidades para que zabumbeiros desenvolvam seus setups adaptando cada instrumento para a música que se faz.
Adan Oliveira é uma referência contemporânea na Zabumbatera, e lembro bem que durante muito tempo ouvi as críticas do que chamo de “os conservadores do forró”, aqueles que defendem que “forró tem que ser trio” (ignorando que até o próprio Rei do Baião tinha bateria em suas gravações). Mas estudando forró entendo que a inovação sonora é o caminho para a permanência e continuidade. Neste vídeo ouvimos Adan executando forró e maracatu, e sobretudo neste segundo, a atuação das caixas e dos pratos é fundamental pro efeito sonoro. Muito antes de tecer críticas, é fundamental ouvir e compreender a escolha criativa e artística dos músicos do forró.
Que saibamos abraçar e acolher todas as inovações sonoras que respeitem a identidade nordestina!