02/04/2026
Uma das coisas que mais dão sentido à minha prática clínica é a possibilidade de oferecer aos pacientes aquilo que, na Terapia do Esquema, chamamos de reparentalização.
É poder acolher a criança que o paciente um dia foi, oferecendo a ela escuta sem julgamento, validação, acolhimento e o atendimento de suas necessidades emocionais — além de ajudá-lo a aprender, aos poucos, a atender essas necessidades por si mesmo.
É agir com o paciente como uma boa mãe ou um bom pai agiriam, oferecendo a ele aquilo que seus pais ou cuidadores falharam em oferecer.
Não se trata de julgar ou criticar os pais. Afinal, todos os pais falham em algum aspecto, porque são humanos — não existem pais perfeitos.
Muitas vezes, mesmo tentando fazer o seu melhor, os pais podem acabar se equivocando, e isso não deve ser motivo de julgamento.
O fato é que a criança que o paciente foi precisa ser atendida. Nesse sentido, o trabalho do psicoterapeuta é compreender o que faltou, acolher essa criança que precisou lidar com algumas — ou muitas — dores sozinha e ajudar o paciente a entender que, hoje, as coisas podem ser diferentes.
É auxiliar o paciente a perceber que ele não está mais sozinho para lidar com suas dores. A relação terapêutica, então, passa a ser um espaço em que o paciente se sente seguro. A partir dela, o terapeuta se torna um aliado no processo do paciente de fortalecimento — ou até mesmo de construção — de vínculos de apego seguro.