nefro.esposito

nefro.esposito Médico Nefrologista
Atuação em clínica médica, nefrologia geral, transplante e diálise. Prof. Adj. do curso de medicina da Univ. do Estado do Pará.

HIPERTENSÃO NÃO É SÓ “PRESSÃO ALTA”. E TOMAR REMÉDIO NÃO É O MESMO QUE ACOMPANHAR A DOENÇA.Esta semana recebi um caso qu...
27/08/2026

HIPERTENSÃO NÃO É SÓ “PRESSÃO ALTA”. E TOMAR REMÉDIO NÃO É O MESMO QUE ACOMPANHAR A DOENÇA.

Esta semana recebi um caso que traduz bem a importância da prevenção da Doença Renal Crônica (DRC).

Paciente de 41 anos, hipertenso desde os 20 anos, em tratamento medicamentoso, porém com acompanhamento irregular.

Procurou atendimento após cerca de 3 semanas de falta de apetite, náuseas, emagrecimento e cansaço aos esforços.

Os exames mostraram:

🔴 Creatinina: 18 mg/dL
🔴 Ureia: 374 mg/dL
🔴 Bicarbonato: 8 mEq/L 🔴 Hemoglobina: 7,4 mEq/L

No POCUS, os rins já estavam bastante reduzidos, medindo aproximadamente 7,1 e 7,3 cm, com alterações estruturais compatíveis com doença renal crônica avançada — estágio 5.

No coração, outro sinal dos anos de hipertensão: importante hipertrofia do ventrículo esquerdo.

O diagnóstico mudou completamente a vida daquele paciente e de sua família.

Foi necessária uma longa conversa sobre doença renal avançada, terapia renal substitutiva, diálise e transplante renal. Na sequência, foi implantado um cateter para início urgente de hemodiálise.

E aqui está a mensagem principal:

Não basta tomar remédio para pressão. É preciso saber se a hipertensão está lesionando silenciosamente seus rins, coração, cérebro e vasos.

Quem tem hipertensão — principalmente desde jovem — precisa de acompanhamento regular, controle adequado da pressão e avaliação periódica da função renal e da albuminúria.

A doença renal crônica pode permanecer silenciosa durante anos. Quando surgem náuseas, perda de apetite, emagrecimento, fraqueza e sintomas urêmicos, muitas vezes já estamos diante de uma doença muito avançada.

Hipertensão pode destruir os rins silenciosamente.
Prevenção ainda é o melhor tratamento.

Cuide muito da sua saúde, o preço de não fazê-lo é muito alto, e Mastercard nenhum paga. Cuide da sua pressão.
Cuide dos seus rins.
Faça acompanhamento médico regular.

Procure um nefrologista.

Mais do que celebrar uma especialidade, celebramos uma nova era da nefrologia.Durante muitos anos, convivemos com poucas...
03/08/2026

Mais do que celebrar uma especialidade, celebramos uma nova era da nefrologia.
Durante muitos anos, convivemos com poucas opções terapêuticas para retardar a progressão da doença renal. Hoje, vivemos uma verdadeira revolução.

O nosso “quarteto” de inovação já faz parte da prática clínica:
🟢 Inibidores de SGLT2
🟢 Inibidores da ECA
🟢 Agonistas do receptor de GLP-1 e suas novas gerações (e sucessores)
🟢 Antagonistas não esteroidais do receptor mineralocorticoide

Mas a nefrologia não para aqui — e talvez o mais empolgante seja justamente isso: já estamos indo além do quarteto que, até pouco tempo atrás, já era considerado uma grande novidade.

🟣 Terapias-alvo para glomerulopatias (como budesonida direcionada, inibidores do complemento e outras terapias específicas)
🟣 Xenotransplante renal, que já deixa o campo experimental e se aproxima de uma possível realidade clínica nos próximos anos, com potencial de redefinir o transplante de órgãos
Ou seja: ainda estamos celebrando o impacto do quarteto… e já surgiram novas fronteiras terapêuticas.
São avanços que não apenas retardam a progressão da doença renal — eles mudam o curso da história natural da doença e ampliam o horizonte do que é possível oferecer aos nossos pacientes.
Ao mesmo tempo, o POCUS (ultrassom à beira do leito) fez algo que a medicina não via há décadas: transformou o exame clínico.
Ele não substitui o exame físico — ele o expande, o aprofunda e o torna dinâmico.
Hoje, o nefrologista não apenas palpa e ausculta: ele vê.
Em poucos minutos, conseguimos avaliar volemia, congestão, pulmões, coração, rins, bexiga e acessos vasculares, tornando o raciocínio clínico mais rápido, mais preciso e mais seguro.
A nefrologia nunca foi apenas sobre creatinina.
É sobre enxergar o paciente por inteiro.
Neste Dia do Nefrologista, celebramos a ciência, a inovação e todos os profissionais que acreditam que sempre é possível cuidar melhor.

E deixamos um recado importante:

Você é diabético?
Hipertenso?
Tem pedra nos rins?
Seu filho tem anemia?
Tem lúpus?
Cistos renais?
Tem Nefrite?

Já procurou um nefrologista?
Feliz Dia do Nefrologista!

Foi mais uma terça-feira no Pronto-Socorro Municipal.Corredores cheios. Pacientes esperando. Pouco tempo para decidir. R...
15/07/2026

Foi mais uma terça-feira no Pronto-Socorro Municipal.

Corredores cheios. Pacientes esperando. Pouco tempo para decidir. Recursos limitados.

Mas, em meio a esse cenário, uma certeza me acompanha todos os plantões: o conhecimento e a tecnologia podem mudar completamente a forma como cuidamos das pessoas.

Hoje o ultrassom de bolso não foi apenas um equipamento. Foi uma extensão do exame físico.

Em poucas horas ele me ajudou a responder perguntas que antes levariam horas — ou talvez nunca fossem respondidas.

Examinei pulmões em busca de congestão antes mesmo da falta de ar aparecer.

Avaliei a veia cava, as veias hepática e porta para entender se o problema era excesso de volume ou não.

Investiguei hidronefrose, descartei retenção urinária, identifiquei cálculos biliares que simulavam cólica renal.

Guiei acessos vasculares com mais segurança.

Avaliei derrames pleurais, coração, rins, bexiga e tantos outros sistemas, sempre à beira do leito, sem tirar o paciente do seu lugar.

Cada imagem significou uma decisão mais rápida.

Cada decisão mais rápida significou menos sofrimento, menos exames desnecessários e maior segurança para quem estava ali esperando uma resposta.

É claro que o POCUS não substitui a experiência clínica.

Ele potencializa a clínica.

Ele transforma dúvidas em respostas.

Transforma minutos em oportunidades.

Transforma um atendimento sobrecarregado em um cuidado mais preciso e mais humano.

No fim do dia, o que mais me marcou não foram as imagens que vi na tela.

Foram os pacientes que puderam receber um diagnóstico mais cedo, uma conduta mais segura e um atendimento mais digno.

É nisso que acredito.

Que mesmo em hospitais lotados, onde muitas vezes faltam recursos, o estudo contínuo, a dedicação e a inovação ainda são capazes de mudar desfechos.

Porque enxergar melhor é, acima de tudo, cuidar melhor.

O melhor e mais querido ultraportátil do mundo agora está, de vez, no Brasil. 🇧🇷🦋Para quem faz POCUS, isso não é só uma ...
02/07/2026

O melhor e mais querido ultraportátil do mundo agora está, de vez, no Brasil. 🇧🇷🦋

Para quem faz POCUS, isso não é só uma novidade tecnológica.
É um recado claro: o futuro da beira-leito chegou mais perto.

Menor que o jaleco.
Mais útil que muito exame pedido “só para garantir”.
E capaz de transformar dúvida clínica em decisão — ali, na hora, com o paciente na frente.

A região Norte está de braços abertos.
A nefrologia está pronta.
E quem vive POCUS sabe: quando a imagem aparece, a medicina muda de marcha.

E sim… teremos surpresa. 👀
Porque quando a borboleta pousa por aqui, a mucura também aparece. 🐭🦋

Agora é oficial: Butterfly no Brasil.
E o Norte não vai só assistir. Vai protagonizar.

Hoje, durante avaliação ultrassonográfica cervical, encontrei uma imagem muito didática: uma provável válvula venosa na ...
27/06/2026

Hoje, durante avaliação ultrassonográfica cervical, encontrei uma imagem muito didática: uma provável válvula venosa na veia jugular interna.

Esse achado é mais importante do que parece.

Na prática, durante o implante de um cateter venoso central ou cateter de hemodiálise, o fio-guia pode encontrar resistência ao passar por essa região. E aí mora o perigo: insistir, empurrar ou “forçar um pouquinho” pode levar a dobra do fio, looping dentro da veia, trauma vascular, falsa via, sangramento ou mal posicionamento do cateter.

A mensagem é simples:

Fio-guia com resistência não se força.

Pare.
Reavalie.
Use o ultrassom.
Confirme o trajeto.
Redirecione com segurança.

O POCUS não é apenas uma ferramenta para encontrar a veia. Ele permite entender a anatomia, reconhecer obstáculos e tomar melhores decisões durante o procedimento.

Porque no acesso venoso central, não basta entrar na veia.
É preciso saber para onde estamos indo.

POCUS é segurança!

Título: Você ainda tem “Nefrofobia” na hora de prescrever um exame com contraste? 👇Quantas vezes um exame de imagem cruc...
14/06/2026

Título: Você ainda tem “Nefrofobia” na hora de prescrever um exame com contraste? 👇
Quantas vezes um exame de imagem crucial foi atrasado na emergência ou na enfermaria pelo medo de “parar o rim” do paciente?
Durante décadas, o contraste iodado foi o grande vilão das interconsultas. Mas a ciência evoluiu. Ao analisarmos a fundo as diretrizes mais recentes do KDIGO 2026 e o Manual do ACR 2026, a mensagem é clara: precisamos separar o mito histórico da realidade fisiopatológica.
A verdadeira Lesão Renal Induzida por Contraste (CI-AKI) por via intravenosa (como na Tomografia) é um evento raríssimo em pacientes com função renal preservada. Na grande maioria das vezes, estamos diante de uma CA-AKI – onde o rim sofre por causa da instabilidade do paciente (sepse, nefrotoxinas, choque), e o contraste estava apenas no lugar errado, na hora errada.
💡 O que você precisa levar para o seu próximo plantão:
1️⃣ A via importa: Tomografia (diluição venosa) é muito diferente de Cateterismo (injeção intra-arterial direta).
2️⃣ O corte de ouro é a eGFR de 30 mL/min. Acima de 45? O risco é irrisório.
3️⃣ Prevenção se faz com Soro Fisiológico 0,9%. Esqueça a N-acetilcisteína.
4️⃣ Metformina não causa lesão renal. Só suspendemos se a eGFR for < 30 pelo risco de acúmulo da droga, e não para proteger o rim do contraste.
5️⃣ Foque nas verdadeiras nefrotoxinas.
Atrasar um diagnóstico de Tromboembolismo Pulmonar ou Isquemia Mesentérica por medo do contraste é um erro que custa vidas.
Compartilhe esse post no grupo da sua equipe e vamos juntos elevar o padrão da nossa prática clínica! 🚀
📌 Salve para consultar quando surgir a davida na prescrição.

O melhor início de diálise não acontece na emergência.Acontece meses — e às vezes anos — antes, durante o acompanhamento...
06/06/2026

O melhor início de diálise não acontece na emergência.

Acontece meses — e às vezes anos — antes, durante o acompanhamento regular com o nefrologista.

A nefrologia moderna também evoluiu seus conceitos.

Primeiro veio o “Fístula em Primeiro Lugar” (Fistula First), quando a prioridade era criar uma fístula arteriovenosa para todos os pacientes.

Depois avançamos para um conceito mais individualizado:

➡️ “O acesso certo, para o paciente certo, no momento certo.”

Entendemos que nem todo paciente precisa da mesma estratégia de acesso vascular.

Mas hoje podemos ir além:

➡️ “O preparo certo, para o paciente certo, no momento certo.”

Porque o verdadeiro sucesso da terapia renal substitutiva não depende apenas do acesso vascular.

Depende de um paciente preparado.

✅ Preparado psicologicamente para a nova etapa da vida.

✅ Preparado clinicamente, com doenças controladas.

✅ Com exames atualizados.

✅ Com avaliação vascular realizada.

✅ Com ultrassonografia e POCUS auxiliando as decisões.

✅ Com a fístula pronta e madura quando necessária.

✅ Com um plano definido para o futuro.

O objetivo é evitar que a diálise comece na urgência, através de um cateter, em meio a uma internação.

O ideal é que ela comece de forma planejada, segura e no momento adequado.

Menos improviso.

Menos complicações.

Menos mortalidade.

Mais qualidade de vida.

Mais segurança.

Mais tempo.

Porque o sucesso da diálise não começa na máquina.

Ele começa muito antes, no consultório do nefrologista.

📚 Certificação concluída!Hoje recebi meu certificado em VExUS 360° – Protocolo VExUS e Venocongestão, mais uma ferrament...
02/06/2026

📚 Certificação concluída!

Hoje recebi meu certificado em VExUS 360° – Protocolo VExUS e Venocongestão, mais uma ferramenta que passa a integrar minha prática em ultrassonografia à beira do leito (POCUS).

O protocolo VExUS permite avaliar, por meio do ultrassom, sinais de congestão venosa sistêmica, auxiliando na identificação precoce de alterações que podem impactar órgãos importantes, como rins, fígado e coração.

Na prática, essa capacitação agrega ainda mais precisão à avaliação clínica, contribuindo para:
✔️ Diagnóstico mais completo;
✔️ Avaliação do estado volêmico do paciente;
✔️ Monitorização de pacientes com insuficiência cardíaca e doenças renais;
✔️ Tomada de decisão mais segura e individualizada.

Acredito que a medicina evolui quando unimos conhecimento, tecnologia e cuidado centrado no paciente. Por isso, sigo investindo em atualização constante para oferecer avaliações cada vez mais precisas e resolutivas.

Imagens:
1- Veia cava inferior
2- Linhas B
3- Derrame pleural
4- Veia hepática
5- Veia porta
6- Veia Renal

Endereço

Santarém, PA

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