28/11/2018
Abubakaar Ibrahim encarou uma viagem de nove horas quando decidiu deixar a cidade de Acra, capital de Gana, rumo a São Paulo, no dia 8 de dezembro de 2014. No país africano, trabalhou durante quinze anos como editor de vídeos. “Eu trabalhava por conta própria, filmava festas, casamentos, e fazia a edição na minha casa mesmo. Cheguei inclusive a fazer um curso de cinema, que terminei em 2011”. Quando chegou, ficou aproximadamente um mês em São Paulo com alguns amigos onde fez a sua documentação. Depois, mudou para Treze de Maio, em SC, lugar onde conseguiu seus primeiros trabalhos em solo brasileiro. “Fiquei um ano e dois meses. Trabalhei com reciclagem, com costura. Eu gostei muito porque nunca tinha trabalhado com isso, aprendi tudo isso aqui”, conta.
Após esse período, Ibrahim mudou para Tubarão onde trabalhou durante três meses nos Correios. Foi transferido para Florianópolis onde trabalhou mais três meses na mesma empresa e retornou para a Cidade Azul, onde trabalhou por seis meses como ajudante em uma loja de costura. Desde abril deste ano, trabalha como gari na cidade.
Ibrahim mora sozinho em Tubarão. Deixou pai, mãe e três irmãos em Gana, mas não pensa em voltar. “Pretendo f**ar aqui em Tubarão, gostei muito do Brasil. Só voltaria para lá para visitar meus parentes ou passar férias”, explica. Ele diz ainda que deixou o país em razão dos problemas que ganeses estão passando. “A economia está muito ruim, não existem vagas nas escolas, muitas crianças estão na rua. Aí junta isso tudo e f**a muita ruim”, explica.
Embora fale sete idiomas (inglês, árabe, português, hausa, fante, ashante e ga), uma das dificuldades que Ibrahim tem é justamente com a língua, já que não entende algumas palavras em português. “É muito complicado, algumas pessoas também não têm muita paciência para entender o que eu falo. Até em computadores ou aplicativos eu tenho dificuldade porque é tudo escrito em português, e eu acabo não entendendo algumas coisas”. Outro problema é na hora de conseguir emprego. “É complicado porque aqui eles não costumam dar trabalho para pessoas que não têm experiência. Fora isso a aceitação foi boa”, afirma.
Ibrahim costumar jogar todo domingo pela manhã no campo da Unisul, onde estuda português e informática todas as quartas-feiras. “Gosto de jogar futebol, ver filmes, é o que costumo fazer. Minha vida aqui é boa, melhor do que era lá em Gana e pretendo f**ar aqui”, finaliza.
Textos: Barbara Girardi e Leonardo Costa
Foto: Alexandre Lenzi
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Abubakaar Ibrahim faced a 9-hour trip on his way from Accra, capital of Ghana, to São Paulo, on December 8, 2014. Back in his country he had worked as a film editor for fifteen years: “I worked on my own. I filmed parties, weddings and edited everything at home. I even got a degree in film in 2011”.
When he got to Brazil, he stayed in São Paulo for a month. He stayed in with friends, and sorted his papers there. After that, he went to Treze de Maio, where he got his first brazilian job: “I stayed in Treze de Maio for a year and a half. I worked with recycled sewing. I liked it a lot because I had never worked with that, I have learned it all here. Some time later, I came to Tubarão and Florianópolis, to work at the post office. I’ve been working as a street cleaner here in Tubarão since April”.
Ibrahim lives alone in Tubarão. He left his father, mother and three brothers in Ghana, but he doesn’t think about going back: “I intend to stay here in Tubarão, I really like Brazil. I would only go back to visit my relatives or on vacation”. He also said that he left his home country because of all the trouble the Ghanaians have been going through. “There are so many problems there. Economy is very bad, there aren’t enough schools, and so children remain on the streets. Put it all together and the result is not very bright”.
Although he speaks seven languages (English, Arabic, Portuguese, Hausa, Fante, Ashanti and Ga), one of his greatest challenges is precisely the language, since he can’t always understand the words: “It’s very complicated, because they’re not used to giving jobs to people with no experience, like me. Other than that, I have been well received here in Brazil”.
On Sunday mornings Ibrahim likes to play soccer at Unisul. He also studies Portuguese and computing at the university every Wednesday. “I like to play soccer and watch movies, it’s what I like to do best here. My life here is good, so much better than it was when I lived in Ghana. I intend to stay here”.