09/10/2021
A população estimada em cerca de 85 mil indígenas Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, traz consigo cicatrizes profundas - inclusive físicas - da tentativa de extermínio a que seu povo é submetido há décadas. Muitos não conseguem aguentar a situação de miséria, perseguição e despejos motivados por pedidos de reintegração de posse que beneficiam grandes empresários do agronegócio do estado.
Além da violência constante, as famílias têm que lidar com o suicídio, boa parte deles, de jovens. Quadros de morte por desnutrição e contaminação por agrotóxico também fazem parte dessa triste realidade.
O estado concentrou 39,4% dos assassinatos de indígenas registrados no Brasil entre 2003 e 2019 (539 de 1.367). O Mato Grosso do Sul, onde foram registrados 894 suicídios de indígenas entre 2000 e 2019, responde por quase dois terços (63,7%) do total de suicídios registrados no Brasil (1.404) neste período, segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA), com base em dados do Conselho Indigenista Missionário.
A população Guarani Kaiowá segue resignada, na esperança de ter de volta suas terras. Não fiquemos alheios à luta deste povo que hoje, está confinado em territórios minúsculos enquanto áreas privadas ocupam 92% do território do Estado. A marcha pela retomada começa na década de 1980. E desde então, os governos vão f**ando cada vez mais insensíveis às suas demandas, e ao mesmo tempo, muito mais obedientes aos mandos e desmandos dos ruralistas.
Em nosso site, o casaninjaamazonia.org tem uma matéria especial contando um pouco do histórico de luta dos Guarani Kaiowá. Link nos stories.