29/05/2026
Hoje eu lixei minhas unhas.
Pode parecer uma frase banal. Afinal, é uma tarefa simples, dessas que passam despercebidas no dia a dia. Mas, curiosamente, esse pequeno gesto me trouxe uma grande reflexão.
Tudo começou porque minha operadora de internet informou que eu f**aria algumas horas sem conexão. Mais tarde, cheguei à escola da minha filha com cerca de meia hora de antecedência. Como fazemos quase automaticamente, peguei o celular para passar o tempo. Mas não havia internet.
Foi então que surgiu uma pergunta simples: o que fazer agora?
Enquanto procurava alguma ocupação, encontrei uma lixa de unhas. E me lembrei de um hábito antigo. Durante minha adolescência e início da vida adulta, eu não apenas cortava as unhas às pressas; eu dedicava alguns minutos para cuidar delas, acertar os detalhes, observar minhas próprias mãos.
Com o passar dos anos, porém, fui abandonando esse costume. Não porque ele deixou de ser importante, mas porque meu tempo passou a ser disputado por notif**ações, redes sociais e pela necessidade constante de estar conectado.
Naquele estacionamento, sem sinal de internet e sem distrações digitais, resolvi simplesmente lixar minhas unhas.
Foram apenas alguns minutos. Mas bastaram.
Observei minhas mãos com calma. Cuidei de algo que estava precisando de atenção. E percebi que, sem querer, havia trocado muitos pequenos momentos de autocuidado pelo hábito de preencher qualquer intervalo livre com uma tela.
Não se trata de condenar a tecnologia. Ela é indispensável. Vivemos em um mundo em que estar conectado é uma necessidade. A informação nos ajuda, nos aproxima e impulsiona nossas profissões e projetos.
Mas existe uma diferença entre estar conectado ao mundo e estar permanentemente distraído dele.
Talvez um dos maiores desafios do nosso tempo seja justamente esse: continuar acompanhando o que acontece lá fora sem perder a conexão com o que acontece aqui dentro.
Porque, às vezes, tudo o que precisamos não é de mais uma atualização, mais um vídeo ou mais uma notícia.
Às vezes, precisamos apenas de alguns minutos para olhar para nós mesmos.
E a minha lembrança disso veio através de uma simples lixa de unhas esquecida no porta-luvas.