28/08/2026
Sim, a maternidade atípica pode ser leve.
Não porque os desafios sejam pequenos. E muito menos porque a gente aprendeu a dar conta de tudo.
Eu, pelo menos, não dou. 🫠
Tem dias em que eu canso. Tem coisas que me preocupam muito. Tem momentos em que penso no futuro mais do que deveria. Tem burocracias que me tiram do sério, decisões que pesam e aquela sensação de que sempre existe alguma coisa que eu deveria ter feito e não fiz.
Mas, com o tempo, fui aprendendo algumas coisas para tornar a nossa vida mais leve.
Eu não faço da vida da Mari uma eterna sessão de terapia.
Tem terapia, claro. Tem médico, exercícios, adaptações e tudo aquilo que faz parte da nossa realidade. Mas também tem passeio, bagunça, música, risada, preguiça, vontade atendida, vontade contrariada e dias absolutamente comuns.
Eu não quero passar a infância dela inteira preocupada em prepará-la para o futuro e, quando perceber, ter perdido o presente.
Também parei de achar que preciso resolver tudo hoje.
Tem coisa que é para agora. Tem coisa que pode esperar. E tem coisa que talvez nunca aconteça do jeito que imaginei, e tudo bem.
Tento pedir ajuda quando preciso. Tento continuar tendo meus sonhos, meu trabalho, meus momentos e as coisas que fazem de mim quem eu sou. Afinal, além de ser mãe eu também sou esposa, sou filha, sou neta, ela irmã, sou mulher.
Imagino que assim a Mari conseguirá se enxergar, se reconhecer e se sentir pertencente do espaço que ela merece ter.
Porque a deficiência faz parte da nossa vida, mas ela não precisa ocupar todos os espaços dela.
Tem dias difíceis? Muitos.
Mas também tem uma menina incrível crescendo, uma mãe aprendendo todos os dias, um pai que é incrivelmente incrível e uma vida acontecendo agora.
E eu não quero passar por ela apenas sobrevivendo.
Quero viver. E quero que ela viva também.