Psicóloga Elise Vilas Boas

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11/05/2026

Algumas pessoas se tornam abrigo.
E, quando isso acontece, não importa mais o lugar.

Porque há presenças que transformam qualquer espaço em pertencimento, calma e afeto.

Às vezes, o lugar favorito da nossa vida não é um destino.
É alguém.

10/05/2026
04/05/2026

Amar, na experiência psíquica, vai muito além do sentir intenso. Não é sobre a emoção que transborda no início, mas sobre o que se sustenta quando o encanto diminui e a realidade aparece.

Diferente do que muitas vezes se acredita, o amor não nasce de um encaixe perfeito, mas da falta — desse espaço interno que nos move em direção ao outro. Não amamos porque o outro nos completa, mas porque, de alguma forma, ele nos toca, nos atravessa… e ainda assim permanece sendo ele, separado de nós.

No começo, é comum amar a imagem que criamos: idealizamos, projetamos, esperamos. Mas o amor verdadeiro começa quando essa imagem se quebra. Quando o outro falha, frustra, não corresponde — e, ainda assim, é reconhecido como alguém real, com limites e imperfeições.

Amar exige abrir mão do controle, da fantasia de perfeição, da ideia de que o outro existe para nos satisfazer. É aceitar a diferença, sustentar o vínculo mesmo diante das falhas, construir algo possível — não perfeito.

Por isso, amar não é só intensidade. É escolha. É presença. É responsabilidade afetiva.
Não é a ausência de dor, mas a disposição de atravessar, juntos, o que for necessário — com verdade e consciência.

“Quando você aguenta tudo, o outro não precisa melhorar nada.”Às vezes, sem perceber, a gente vai se adaptando… vai rele...
16/04/2026

“Quando você aguenta tudo, o outro não precisa melhorar nada.”

Às vezes, sem perceber, a gente vai se adaptando… vai relevando, silenciando, suportando além do que deveria. Não porque quer sofrer, mas porque deseja manter o vínculo, evitar conflitos, não perder o outro. E, nesse movimento, acaba ocupando um lugar onde tudo é permitido — até aquilo que machuca.

O problema é que, quando tudo é tolerado, nada precisa mudar. O outro se acomoda, e quem vai se afastando de si é você.

Ser compreensivo é bonito, mas se anular não é cuidado — é desgaste. Relacionamentos saudáveis também precisam de limites, de trocas, de responsabilidade compartilhada. Você não precisa carregar tudo sozinho para que algo funcione.

Aprender a se posicionar não é egoísmo. É respeito por si.
Porque, quando você começa a se escutar, algo muda: ou o outro se transforma… ou você percebe que merece mais do que vinha aceitando.

Eu gosto de imaginar que há coisas boas me esperando.Lá na frente… talvez logo depois da próxima curva.Nem sempre é fáci...
09/04/2026

Eu gosto de imaginar que há coisas boas me esperando.
Lá na frente… talvez logo depois da próxima curva.

Nem sempre é fácil sustentar esse pensamento. Há dias em que tudo parece incerto, em que o caminho cansa e a esperança f**a mais silenciosa. Mas, ainda assim, existe algo dentro que insiste em acreditar — mesmo que de forma tímida — que a vida pode surpreender.

Pensar assim não é ignorar as dificuldades, é escolher não se fechar para o que ainda pode acontecer. É permitir que a esperança exista, mesmo sem garantias. Porque nem tudo precisa estar resolvido agora para que algo bom esteja a caminho.

Às vezes, o que esperamos não chega do jeito que imaginamos. Mas chega de um jeito que nos encontra mais preparados, mais conscientes, mais inteiros.

E talvez seja isso: continuar caminhando, mesmo sem saber exatamente o que vem depois… mas confiando que, em alguma curva, a vida também pode nos acolher com algo bonito

“Não deixe ninguém fazer você se sentir como se não merecesse o que quer.”Às vezes, sem perceber, a gente vai diminuindo...
02/04/2026

“Não deixe ninguém fazer você se sentir como se não merecesse o que quer.”

Às vezes, sem perceber, a gente vai diminuindo os próprios desejos para caber no olhar do outro. Vai aceitando menos, silenciando vontades, duvidando do próprio valor. E, aos poucos, começa a acreditar que talvez não mereça mesmo.

Mas merecer não é algo que alguém de fora define. Não é sobre validação, aprovação ou permissão. É sobre reconhecer, com gentileza, que seus desejos também têm lugar, que suas necessidades são legítimas e que você não precisa se encolher para ser aceito.

Nem sempre é fácil sustentar isso. Principalmente quando já fomos levados a acreditar no contrário. Mas, aos poucos, é possível reaprender a se olhar com mais respeito, a colocar limites e a não aceitar aquilo que fere a própria dignidade emocional.

Você não precisa provar o seu valor o tempo todo.
Você só precisa, com calma e verdade, começar a reconhecê-lo dentro de você

Muitas vezes, esperamos o medo passar para então agir. Como se fosse preciso se sentir totalmente seguro para começar. M...
26/03/2026

Muitas vezes, esperamos o medo passar para então agir. Como se fosse preciso se sentir totalmente seguro para começar. Mas, na experiência humana, raramente é assim. O medo não é um sinal de incapacidade — é, muitas vezes, um sinal de que algo é importante, de que estamos diante de um movimento que pode nos transformar.

A coragem não nasce da ausência de medo, mas da decisão de não se paralisar por ele. É esse pequeno passo, ainda inseguro, ainda tremido, que inaugura mudanças profundas. E tudo bem se for devagar. Tudo bem se houver dúvidas no caminho.

Em um olhar mais acolhedor, não se trata de vencer o medo, mas de aprender a caminhar com ele, sem deixar que ele conduza todas as escolhas. Porque crescer também é isso: sustentar o desconforto de sair do lugar conhecido e, ainda assim, seguir.

Você não precisa estar pronto.
Você só precisa começar — do jeito que for possível hoje.

Muitas vezes, nos apegamos não apenas ao outro, mas ao que ele representa: histórias, expectativas, faltas antigas que t...
19/03/2026

Muitas vezes, nos apegamos não apenas ao outro, mas ao que ele representa: histórias, expectativas, faltas antigas que tentamos, inconscientemente, reparar. E é aí que o vínculo pode se confundir com necessidade.

Há amores que tocam profundamente, mas não são sustentáveis. Não porque não sejam verdadeiros, mas porque não encontram espaço para existir de forma saudável. Reconhecer isso exige um trabalho interno delicado: elaborar a perda do que foi idealizado, aceitar os limites da realidade e permitir que o desejo se reorganize.

Soltar, nesse sentido, não é desamor — é cuidado psíquico. É entender que nem tudo que nos atravessa pode permanecer. Que algumas relações cumprem uma função, despertam algo, ensinam… e depois precisam ser elaboradas para que não se tornem fonte de sofrimento contínuo.

Amadurecer emocionalmente também é isso: sustentar o afeto, sem precisar aprisioná-lo. É permitir que o amor exista — mas não às custas de si mesmo. Porque, às vezes, deixar ir é a forma mais profunda de se preservar. 🤍

Existe uma coisa chamada “sua parte”.E isso ninguém pode fazer por você.Na vida emocional, essa é uma das verdades mais ...
05/03/2026

Existe uma coisa chamada “sua parte”.
E isso ninguém pode fazer por você.

Na vida emocional, essa é uma das verdades mais difíceis — e mais libertadoras — de aceitar. Podemos receber apoio, amor, orientação, colo… mas existe um movimento interno que é intransferível. É aquele passo que só você pode dar. Aquela decisão silenciosa de se responsabilizar pelo próprio processo.

Muitas vezes esperamos que o outro mude, que o tempo resolva, que a vida organize tudo por nós. Mas há um ponto em que o crescimento começa justamente quando assumimos a nossa parte: olhar para dentro, rever padrões, colocar limites, sustentar escolhas mais conscientes.

Isso não é peso — é potência.

Porque quando você faz a sua parte, algo se move de verdade. Não é sobre perfeição, nem sobre dar conta de tudo sozinho. É sobre se implicar com a própria história com mais maturidade e gentileza.

O que é seu, só você pode atravessar.
Mas a boa notícia é: quando você se movimenta por dentro, a vida ao redor também começa a responder diferente.

“Nós sempre encontramos — ou somos encontrados — por aquilo que admiramos.”Na clínica, é comum perceber como nossas esco...
26/02/2026

“Nós sempre encontramos — ou somos encontrados — por aquilo que admiramos.”

Na clínica, é comum perceber como nossas escolhas afetivas não são tão aleatórias quanto parecem. Muitas vezes, aquilo que nos encanta no outro toca partes muito profundas da nossa própria história — desejos antigos, faltas silenciosas, necessidades emocionais que nem sempre sabemos nomear.

Admirar alguém pode ser bonito e inspirador. Mas, às vezes, também revela dores invisíveis: a busca por reconhecimento, a esperança de finalmente ser visto, o anseio por sentir o que um dia faltou. Sem perceber, podemos nos aproximar repetidamente de pessoas e situações que conversam com essas marcas internas.

A psicanálise nos convida a olhar para isso com gentileza, não com culpa. Não se trata de “escolher errado”, mas de compreender o que, dentro de nós, está sendo chamado quando algo ou alguém nos atrai tão profundamente.

Quando esse olhar se amplia, algo importante acontece: deixamos de nos mover apenas pela repetição inconsciente e começamos a fazer escolhas mais alinhadas com quem estamos nos tornando — e não apenas com aquilo que um dia nos faltou.

Porque, sim, somos encontrados pelo que admiramos…
mas também podemos aprender a admirar aquilo que nos faz bem, que nos respeita e que nos permite existir com mais verdade e menos dor.

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