04/05/2026
Amar, na experiência psíquica, vai muito além do sentir intenso. Não é sobre a emoção que transborda no início, mas sobre o que se sustenta quando o encanto diminui e a realidade aparece.
Diferente do que muitas vezes se acredita, o amor não nasce de um encaixe perfeito, mas da falta — desse espaço interno que nos move em direção ao outro. Não amamos porque o outro nos completa, mas porque, de alguma forma, ele nos toca, nos atravessa… e ainda assim permanece sendo ele, separado de nós.
No começo, é comum amar a imagem que criamos: idealizamos, projetamos, esperamos. Mas o amor verdadeiro começa quando essa imagem se quebra. Quando o outro falha, frustra, não corresponde — e, ainda assim, é reconhecido como alguém real, com limites e imperfeições.
Amar exige abrir mão do controle, da fantasia de perfeição, da ideia de que o outro existe para nos satisfazer. É aceitar a diferença, sustentar o vínculo mesmo diante das falhas, construir algo possível — não perfeito.
Por isso, amar não é só intensidade. É escolha. É presença. É responsabilidade afetiva.
Não é a ausência de dor, mas a disposição de atravessar, juntos, o que for necessário — com verdade e consciência.