10/09/2026
devido à emigração massiva.
Rodrigo Martins alertou que a falta de trabalhadores já se sente em vários sectores e a explicação, na sua leitura, está em parte na procura por melhores condições de vida.
A seu ver, Portugal e Espanha, por exemplo, continuam a apresentar oportunidades para profissionais de várias áreas, enquanto em Cabo Verde uma parcela significativa dos trabalhadores continua a receber salários baixos.
“Não se consegue reter um funcionário com um salário mínimo”, afirmou.
Para o autarca, a questão coloca um desafio ao país para criar condições em que ficar seja uma opção tão atractiva quanto partir.
Edilson Silva, trabalhador da construção civil, conhece esse dilema.
Reconhece que emigrar pode representar uma oportunidade para quem procura melhorar a vida, mas também sente, no dia a dia, os efeitos da saída de profissionais experientes.
“Estamos a perder pessoas que estão com mais formação, com mais tempo de trabalho aqui”, lamentou.
Contudo, o apontador admitiu que, perante uma boa oportunidade no estrangeiro, ele próprio poderia considerar partir, embora com olhos postos numa outra área, a música.
Para quem parte, contudo, a emigração não é necessariamente encarada como uma perda, mas como uma oportunidade. Quem o diz é António Jorge Mota, canalizador, que deixou São Vicente há cerca de cinco anos e vive actualmente em Portugal.
Quando decidiu partir, trabalho não lhe faltava em Cabo Verde, mas procurava por outra coisa, melhores condições de vida e um futuro diferente para os filhos.
“Procura de novas aventuras, um futuro melhor para os meus filhos”, resumiu.
Em Portugal, garante que a sua profissão é melhor valorizada e além do salário fixo, realiza trabalhos extras que, por vezes, chegam a ultrapassar o vencimento base.
A diferença, garantiu, é significativa.
“É muito mais do que ganhava aqui em Cabo Verde. De longe”, afiançou.
António Mota confirmou que quer regressar um dia, mas não para simplesmente retomar a vida profissional que deixou, mas sim a intenção é voltar depois de reunir condições para criar a própria empresa.
Em termos de políticas governamentais, deixa a dica de que uma maior valorização salarial poderia fazer diferença na decisão de muitos jovens.
“Se aumentarem o salário, dá mais condições para os jovens. Nem todos iam sair daqui”, acredita.
Uma medida que parece estar a ser ponderada pelo actual Governo, uma vez que o ministro revelou recentemente à imprensa que se pretende realizar, em parceria com o Instituto Nacional de Estatística (INE), um estudo para determinar o défice quantitativo e qualitativo de mão de obra no sector da construção civil.
Para o ministro Carlos Tavares, conhecer as necessidades concretas do sector permitirá ao país formar os profissionais certos, no momento certo, e preparar melhor os recursos humanos necessários para acompanhar o desenvolvimento das infraestruturas e da habitação em Cabo Verde.
Mas, por enquanto mantém-se uma questão mais profunda, como construir o futuro de Cabo Verde quando parte dos trabalhadores necessários para o construir decide fazê-lo fora do país?