08/09/2026
Mudam as roupas, o cabelo, o telefone sobre a mesa, a forma de trabalhar, as palavras que usamos para explicar o comportamento humano. Mas continuam ali o medo de não ser suficiente, a necessidade de pertencer, a dificuldade de dizer o que se sente, os conflitos entre aquilo que desejamos e aquilo que fazemos.
E talvez seja por isso que eu tenha escolhido tantos caminhos diferentes e, ainda assim, continue estudando a mesma coisa: pessoas.
Já olhei para elas pelo yoga, pela, pela psicanálise, pelas relações familiares, pelo trabalho e pelas organizações.
Por muito tempo achei que eu mudava demais de direção.
Hoje percebo que talvez eu nunca tenha mudado de assunto.
Meu assunto sempre foi PESSOAS.
O que faz alguém repetir uma história que machuca.
O que faz uma mulher abandonar a própria voz para continuar pertencendo.
O que transforma uma paixão em trabalho e, depois, o trabalho em peso.
O que acontece dentro de uma empresa quando ninguém consegue dizer claramente o que precisa ser dito.
O que faz algumas pessoas florescerem quando alguém finalmente as enxerga.
Quanto mais estudo pessoas, menos acredito em respostas rápidas sobre elas.
Porque ninguém é apenas aquilo que mostra numa fotografia, aquilo que produz, aquilo que errou ou aquilo que conseguiu construir.
Existe sempre uma história acontecendo por baixo da história.
E talvez essa seja uma das coisas que eu mais queira fazer com a minha vida:
aprender a enxergar pessoas para além daquilo que é imediatamente visível.
Porque os anos passam.
Os cenários mudam.
As profissões ganham novos nomes.
Mas continuaremos precisando aprender a lidar uns com os outros e, principalmente, com aquilo que existe dentro de nós.