25/05/2026
Guiné-Bissau: Governo lança medidas urgentes após incêndio no Mercado de Caracol
Bissau, Maio de 2026 - O Governo da Guiné-Bissau anunciou um conjunto de medidas urgentes de prevenção, fiscalização e protecção civil na sequência do incêndio no Mercado de Caracol concretamentena subida de cabana, em Bissau, considerando o incidente um sinal das fragilidades existentes na gestão dos mercados urbanos e na capacidade de resposta do Estado.
As decisões foram tomadas durante uma reunião de emergência convocada pelo Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té, com membros do Governo e responsáveis sectoriais para avaliar as causas do incêndio e definir medidas imediatas para evitar novas tragédias.
Segundo o Chefe do Governo, o incêndio revelou “fragilidades estruturais extremamente preocupantes” ao nível da prevenção, fiscalização e instalações eléctricas.
Durante o encontro, o Chefe do Governo responsabilizou directamente a Câmara Municipal de Bissau pelo sucedido.
“90% do que aconteceu no incêndio de Caracol é culpa da Câmara Municipal de Bissau”, afirmou.
Ilídio Vieira Té considerou ainda que houve “desobediência institucional, negligência grave e ausência de responsabilidade administrativa” no cumprimento das orientações emitidas anteriormente pelo Executivo após o incêndio registado em Bafatá.
O Executivo identificou como principais problemas a existência de ligações clandestinas à rede eléctrica, comércio ilegal de energia e instalações improvisadas consideradas perigosas. O Governo ordenou às autoridades competentes a identificação e detenção dos envolvidos na comercialização ilegal de electricidade fora do sistema da EAGB.
Como resposta, o Executivo anunciou a elaboração, nos próximos 30 dias, de um Plano Nacional de Prevenção e Resposta a Incêndios nos Mercados Urbanos, incluindo auditorias eléctricas, reforço da fiscalização, criação de corredores de emergência e instalação de equipamentos de combate a incêndios.
No final da reunião, o Primeiro-Ministro defendeu maior autoridade do Estado na gestão dos espaços públicos.
“Chegou o momento de introduzir ordem, fiscalização séria e responsabilidade efectiva na gestão dos nossos espaços urbanos e comerciais”, declarou.
O Ministro do Interior reconheceu igualmente limitações na capacidade operacional dos Bombeiros de Bissau, sobretudo a falta de equipamentos adequados para responder a incêndios de grande dimensão. Ainda assim, o Governo destacou a intervenção da ASECNA, considerada importante para travar a propagação das chamas.